terça-feira, 16 de outubro de 2012

LIÇÕES DE UM SOVADO PÉ-DE-POEIRA - VALMIR FONSECA AZEVEDO PEREIRA

Ilações de um sovado pé - de - poeira.



O STF surpreendeu a todos com as suas recentes decisões, pelo menos as da maioria de seus Ministros, a que se sobrepôs aos dedicados à subserviência e à subordinação.



Assistimos o exercício soberano de um dos poderes da República, quando espertalhões foram sacramentados. Faltou o principal, é verdade, mas o escorregadio ficou no mínimo chamuscado.



Contudo, longe está de testemunharmos a vitória da lei e da ordem, e a derrocada da quadrilha, pois a capilaridade e o domínio dos donos do poder são gritantes.



A quantidade de sanguessugas que perderiam as suas mordomias e suas possibilidades de ganhar algum no usufruto do cargo é considerável, e imaginar que poderão retirar – se, altruisticamente, é acreditar em Papai Noel.



A nossa volta, verificamos que impoluta Comissão da Verdade segue em frente, e muito mais, adentra até no currículo das Escolas Militares. A cada dia uma novidade, e já mudaram o laudo da morte de Herzog, agora suicidado pela pressão de seus torturadores e carcereiros. Tudo sob os aplausos da OAB, um bestial inimigo.



No âmbito do Partido acolheram como heróis sacrificados, o intragável Dirceu e o volátil Genoíno.



Portanto, cheios de brios apóiam incondicionalmente o Haddad, e apostam que a sua vitória na eleição será uma cabal demonstração de que somos meros coadjuvantes no palco no qual eles deslizam como prima - donas.



Hoje, podemos lamentar a sorte do Serra no segundo turno, embora o dito não nos inspire qualquer simpatia, pois a decisão do STF em condenar a dupla dinâmica atiçou a ira do petismo, que julga que a eleição do Haddad será a sua resposta contra a petulância do Supremo, e uma demonstração de quem realmente manda nesta porra.



Estão à solta, amparados e incentivados por aquele que nada sabe, que nada viu e que estava muito longe de quem mandou, o ignóbil da silva.



Contando com uma estupenda base midiática (48 a 37%? já?), recursos incalculáveis, asseclas dispostos a tudo e o apoio da cúpula governamental, e se for o caso, com a presença do divo e da diva no seu palanque, o pai do kit gay tem quase tudo para ser eleito.



Espera – se que a brancaleone oposição se solidarize e una forças para anular a avalanche que poderá soterrar o Serra.



É neste aziago contexto, muito claro para os escaldados cidadãos, que alertamos aos incautos, para que esqueçam a possibilidade do verdadeiro responsável pelo Mensalão vir a responder pelos seus crimes.


Seria muito bom, e nós merecemos um pouco de alegria, pois, seguidamente, circula na internet a lapidar frase de Rui Barbosa, tão atual que diz "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."



Sim, que vergonha ver o triunfo das nulidades, a glorificação da desonra, o império da injustiça, a ascensão de crápulas e de degenerados e a conspurcação das virtudes.



Ah! Como seria gratificante, coroando um merecido otimismo, após a lição de justiça do STF, se o Haddad fosse derrotado.



Brasília, DF, 15 de outubro de 2012



Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O QUE EX-PETISTAS E PETISTAS DIZEM SOBRE O PT DE LULA - GRUPO GUARARAPES

O QUE EX-PETISTAS E PETISTAS DESILUDIDOS DIZEM HOJE A RESPEITO DO PARTIDO E DE LULA



"O PT tem todo o direito de continuar existindo juridicamente, mas o
partido que eu ajudei a construir já morreu. E só participo de debates
sobre ressurreição e reencarnação no âmbito religioso."
Senadora Heloísa Helena (ex-petista, hoje no PSOL-AL)

"Diante das denúncias, os petistas optaram por uma saída jurídica, em
detrimento de uma explicação política. Isso só é possível para quem já
decidiu abandonar a vida pública. Esse comportamento reduziu as chances de
sobrevivência do PT."
."Deputado federal Fernando Gabeira (ex-PT, hoje no PV-RJ


“O partido confundiu-se com o governo, tornou-se aparelho do Estado e
acreditou que os fins justificavam os meios. Agora, só há salvação se os
responsáveis por tudo isso forem punidos.
"Deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP)



"O PT foi atingido de forma irremediável. Do ponto de vista do patrimônio
da lisura e da ética, acabou jogado na vala comum. E essa situação é
irrecuperável."Deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ)



"O PT levará, no mínimo, dez anos para se recuperar. Nos anos 90, elegeu a
ética como razão de existir, mas a ética deve ser intrínseca ao partido, e
não uma causa.
"Senador Cristovam Buarque (PT-DF) Hoje PDT



"O PT errou: afastou a militância, pôs burocratas no governo e se entregou
às vontades de Lula. E que vontades eram essas? Apenas a do poder pelo
poder. Agora acabou. O castelo de areia ruiu."
Economista e ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau, expulso do PT
em 1997



"O PT cometeu o pecado original. Comemos a maçã proibida, o fruto da
ambição. Foram muitas mentiras. E o pior é que o PT só está querendo achar
culpados individuais. Não quer assumir o grande equívoco que cometeu com a
nação."
Deputado federal Paulo Delgado (PT-MG)



"Lula sempre compartilhou da intimidade do grupo e foi o principal
beneficiário de suas ações. Garante, porém, que nada sabia. Respeito quem
acredita nisso, assim como respeito quem acredita em duendes."
Ex-dirigente petista César Benjamin, em artigo para aFolha de S.Paulo




"Lula esconde a sujeira"
Felipe Araujo/AE

UMA CERTEZA
Hélio Bicudo, petista há 25 anos: "É impossível que Lula não soubesse como
os fundos estavam sendo angariados e gastos"

GRUPO GUARARAPES
http://marketing.guararapesgrupo.com.br/admin/sair.php?id=137667|97|0&uid=129390498243060600

domingo, 14 de outubro de 2012

A RAIZ DO MENSALÃO - MERVAL PEREIRA

A raiz do mensalão, por Merval Pereira


Merval Pereira, O Globo
Pode até ser que o mensalão não impeça o PT de vencer a eleição para a prefeitura de São Paulo, como indicam as primeiras pesquisas, mas me parece inegável que o partido sofrerá a médio prazo os efeitos de seu desprezo pelas regras éticas na política.
O PT nasceu defendendo justamente um novo modo de fazer política e foi assim que chegou ao poder, mesmo que no período anterior à eleição de 2002 já estivesse envolvido em diversas situações nebulosas nas prefeituras que vinha governando.
Os assassinatos de Celso Daniel, prefeito de Santo André, e Toninho do PT, prefeito Campinas, são dois exemplos da gravidade dos problemas que envolviam o PT já antes de chegar ao poder central do país, com irregularidades em serviços como coleta de lixo e distribuição de propinas para financiamento de eleições.
Quando o escândalo do mensalão eclodiu, em 2005, dois dos fundadores do PT, o cientista político César Benjamin e o economista Paulo de Tarso Venceslau, revelaram os bastidores da luta de poder dentro do partido nos anos 90 do século passado, ocasião que eles identificam como o “ovo da serpente” no qual teria sido gestado esse projeto de poder que acabou desaguando nas práticas de corrupção.
Coordenador da campanha de Lula a presidente em 1989, Benjamin garantiu que “o que está aparecendo agora é uma prática sistêmica que tem pelo menos 15 anos no âmbito do PT, da CUT e da esquerda em geral. Nesse ponto, a responsabilidade do presidente Lula e do ex-ministro José Dirceu é enorme”.
O episódio do mensalão seria o desdobramento de uma série de práticas que começaram na gestão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no fim dos anos 90, quando Delúbio Soares foi nomeado representante da CUT na gestão do fundo.
Esse tipo de prática, segundo César Benjamin, deu “ao grupo do Lula” uma arma nova na luta interna da esquerda. O esquema de Marcos Valério foi apenas um upgrade na prática de desvio de verbas públicas para financiar campanhas eleitorais.
“Esse esquema pessoal do Lula começou a gerenciar quantidades crescentes de recursos, e isso foi um fator decisivo para que o grupo político do Lula pudesse obter a hegemonia dentro do PT e da CUT”, disse Benjamin.
Paulo de Tarso Venceslau, companheiro de exílio do ex-ministro José Dirceu, foi expulso no começo de 1998 depois de denunciar um esquema de arrecadação de dinheiro junto a prefeituras do PT organizado pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, na casa de quem morou durante anos.
Um relatório de investigação interna do PT, assinado por Hélio Bicudo, José Eduardo Cardozo, hoje ministro da Justiça do governo Dilma, e Paul Singer, concluiu pela culpa de Teixeira, mas quem acabou expulso do partido foi Venceslau. Ele identifica esse episódio como o momento em que “Lula se consolida como caudilho, e o partido se ajoelha diante dele”.
Para ele, “um caudilho com esse poder, um partido de joelhos e um executor como o Zé Dirceu só podiam levar a isso que estamos vendo hoje", garantiu Venceslau.
Segundo ele, na entrevista daquela ocasião, “evidentemente que Lula não operava, assim como não está operando hoje, mas como ele sabia naquela época, ele sabe hoje, sempre soube”.
A reação do PT ao julgamento do mensalão tem obedecido a uma oscilação que depende dos interesses políticos do partido. Da reação inicial de depressão e pedido de desculpas à afirmação de que o mensalão não passava de caixa dois eleitoral, o então presidente recuperou forças para se reeleger.
A partir daí, o mensalão passou a ser “uma farsa”. Agora, que o esquema foi todo revelado à opinião pública, o PT diz que o julgamento é golpe dos setores reacionários contra um governo popular.
O que importa é vencer a eleição em São Paulo, comandada por José Dirceu, como sempre comandou. O mensalão não terá a menor influência no eleitorado, diz o imediatista Lula, que pensa na próxima eleição sem pensar na próxima geração.
Os ensinamentos que o episódio poderia proporcionar ao partido, permitindo que recuperasse o rumo que, pelo menos em teoria, era o seu ao ser fundado, vai sendo engolido pelo pragmatismo que levou o PT aonde está hoje: no poder, mas em marcha batida para se transformar em mais uma legenda vulgarizada pela banalização da política.

sábado, 13 de outubro de 2012

OS MARGINAIS DO PODER - MARCO ANTONIO VILLA

MARCO ANTONIO VILLA - HISTORIADOR. É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - O Estado de S.Paulo
Vivemos um tempo curioso, estranho. A refundação da República está ocorrendo e poucos se estão dando conta deste momento histórico. Momento histórico, sim. O Supremo Tribunal Federal (STF), simplesmente observando e cumprindo os dispositivos legais, está recolocando a República de pé. Mariana - símbolo da República Francesa e de tantas outras, e que orna nossos edifícios públicos, assim como nossas moedas - havia sido esquecida, desprezada. No célebre quadro de Eugène Delacroix, é ela que guia o povo rumo à conquista da liberdade. No Brasil, Mariana acabou se perdendo nos meandros da corrupção. Viu, desiludida, que estava até perdendo espaço na simbologia republicana, sendo substituída pela mala - a mala recheada de dinheiro furtado do erário.

Na condenação dos mensaleiros e da liderança petista, os votos dos ministros do STF têm a importância dos escritos dos propagandistas da República. Fica a impressão de que Silva Jardim, Saldanha Marinho, Júlio Ribeiro, Euclides da Cunha, Quintino Bocayuva, entre tantos outros, estão de volta. Como se o Manifesto Republicano de dezembro de 1870 estivesse sendo reescrito, ampliado e devidamente atualizado. Mas tudo de forma tranquila, sem exaltação ou grandes reuniões.
O ministro Celso de Mello, decano do STF, foi muito feliz quando considerou os mensaleiros marginais do poder. São marginais do poder, sim. Como disse o mesmo ministro, "estamos tratando de macrodelinquência governamental, da utilização abusiva, criminosa, do aparato governamental ou do aparato partidário por seus próprios dirigentes". E foi completado pelo presidente Carlos Ayres Brito, que definiu a ação do PT como "um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto". Foram palavras duras, mas precisas. Apontaram com crueza o significado destrutivo da estratégia de um partido que desejava tomar para si o aparelho de Estado de forma golpista, não pelas armas, mas usando o Tesouro como instrumento de convencimento, trocando as balas assassinas pelo dinheiro sujo.
A condenação por corrupção ativa da liderança petista - e por nove vezes - representaria, em qualquer país democrático, uma espécie de dobre de finados. Não há no Ocidente, na História recente, nenhum partido que tenha sido atingido tão duramente como foi o PT. O núcleo do partido foi considerado golpista, líder de "uma grande organização criminosa que se posiciona à sombra do poder", nas palavras do decano. E foi severamente condenado pelos ministros.
Mas, como se nada tivesse acontecido, como se o PT tivesse sido absolvido de todas as imputações, a presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, deslocou-se de Brasília a São Paulo, no horário do expediente, para, durante quatro horas, se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva, simples cidadão e sem nenhum cargo partidário, tratando das eleições municipais. O leitor não leu mal. É isso mesmo: durante o horário de trabalho, com toda a estrutura da Presidência da República, ela veio a São Paulo ouvir piedosamente o oráculo de São Bernardo do Campo. É inacreditável, além de uma cruel ironia, diante das condenações pelo STF do núcleo duro do partido da presidente. Foi uma gigantesca demonstração de desprezo pela decisão da Suprema Corte. E ainda dizem que Dilma é mais "institucional" que Lula...
Com o tempo vão ficando mais nítidas as razões do ex-presidente para pressionar o STF a fim de que não corresse o julgamento. Afinal, ele sabia de todas as tratativas, conhecia detalhadamente o processo de mais de 50 mil páginas sem ter lido uma sequer. Conhecia porque foi o principal beneficiário de todas aquelas ações. E isso é rotineiramente esquecido. Afinal, o projeto continuísta de poder era para quem permanecer à frente do governo? A "sofisticada organização criminosa", nas palavras de Roberto Gurgel, o procurador-geral da República, foi criada para beneficiar qual presidente? Na reunião realizada em Brasília, em 2002, que levou à "compra" do Partido Liberal por R$ 10 milhões, Lula não estava presente? Estava. E quando disse - especialmente quando saiu da Presidência - que não existiu o mensalão, que tudo era uma farsa? E agora, com as decisões e condenações do STF, quem está mentindo? Lula considera o STF farsante? Quem é o farsante, ele ou os ministros da Suprema Corte?
Como bem apontou o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, o desprezo pelos valores republicanos chegou a tal ponto que ocorreram reuniões clandestinas no Palácio do Planalto. Isso mesmo, reuniões clandestinas. Desde que foi proclamada a República, passando pelas sedes do Executivo nacional no Rio de Janeiro (o Palácio do Itamaraty até 1897 e, depois, o Palácio do Catete até 1960), nunca na História deste país, como gosta de dizer o ex-presidente Lula, foram realizadas na sede do governo reuniões desse jaez, por aqueles que entendiam (e entendem) a política motivados "por práticas criminosas perpetradas à sombra do poder", nas felizes, oportunas e tristemente corretas palavras de Celso de Mello.
A presidente da República deveria dar alguma declaração sobre as condenações. Não dá para fingir que nada aconteceu. Afinal, são líderes do seu partido. José Dirceu, o "chefe da quadrilha", segundo Roberto Gurgel, quando transferiu a chefia da Casa Civil para ela, em 2005, chamou-a de "companheira de armas". Mas o silêncio ensurdecedor de Dilma é até compreensível. Faz parte da "ética" petista.
Triste é a omissão da oposição. Teme usar o mensalão na campanha eleitoral. Não consegue associar corrupção ao agravamento das condições de miséria da população mais pobre, como fez o ministro Luiz Fux num de seus votos. É oposição?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O SENTIMENTO NACIONAL DE JUSTIÇA E O MENSALÃO - ALOÍSIO DE TOLEDO CESAR


O SENTIMENTO NACIONAL DE JUSTIÇA E O MENSALÃO
Aloísio de Toledo César
A firmeza dos ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão vem ajudando a sepultar em parte a ideia de que o favor da nomeação para tão alto cargo poderia prevalecer na tomada das decisões. Como já foi tantas vezes divulgado, os integrantes dessa Corte foram majoritariamente nomeados pelo ex-presidente Lula, com a participação claríssima de políticos petistas.
Todos os povos possuem um sentimento nacional de justiça e em alguns deles isso se deixa transparecer de forma bastante aguda. Há casos emblemáticos em torno dos quais os povos externam com absoluta certeza o que esperam da Justiça e o que devem fazer os julgadores. Se a lei e o Direito indicam ser possível essa conduta, é compreensível que os magistrados julguem nesse sentido.
No episódio do mensalão ficou evidente que o sentimento nacional de justiça, envergonhado por condutas tão sórdidas, somente seria satisfeito com a reparação vertical provinda do Judiciário. Isso começou a ocorrer de forma surpreendente, de início com os votos seguros e claros do ministro relator Joaquim Barbosa, que foi seguido por vários outros, sempre na linha de que os crimes cometidos são de extrema gravidade e merecem reparação.
Houve duas exceções, infelizmente, envolvendo as decisões dos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Tófoli, ambos vistos como pessoas com ligações mais fortes com o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus dirigentes, dos quais partiu a ação delitiva. Toffoli foi até mesmo advogado do PT, o que demonstrava claro impedimento para o julgamento.
Em verdade, ao proferir o voto com o qual absolveu José Dirceu da imputação do crime de corrupção ativa, o ministro Dias Toffoli assumiu claramente a posição de seu advogado. Praticamente se esquecendo de que é ministro da Suprema Corte e estava julgando um réu, ele começou a defender de forma enfática a pessoa de José Dirceu. Não chegou a dizer que ele deveria ser canonizado, mas foi tão contundente nessa defesa que passou a olhar para os outros ministros, para ver se algum deles o apoiava - e ninguém sequer virou os olhos em sua direção. Seria preferível que Toffoli e Lewandowski tivessem externado o seu impedimento para julgar, o que rotineiramente ocorre quando o magistrado, por sua amizade ou ligação com uma das partes, não se sente absolutamente livre para o gesto soberano de prestar a jurisdição.
Declarar-se impedido não é feio nem incomum, não diminui o juiz e se dá com frequência na vida dos tribunais. Se eles se tivessem dado por impedidos, sem nenhuma dúvida teria sido muito melhor para ambos, porque não transpareceria na sua conduta a impressão de que estavam divididos entre a lealdade que devem à Nação e àqueles que os nomearam.
Em verdade, a sua lealdade deveria ser exclusivamente à Nação. A clareza do sentimento nacional de justiça, nesse caso tão emblemático, exigia dos julgadores um comportamento compatível e com a grandeza que a grande maioria esperava: a condenação exemplar dos culpados.
Por mais que os dois ministros divergentes possam jurar, até ao pé da cruz, que a absolvição de José Dirceu e outros decorreu unicamente de suas convicções jurídicas, será muito difícil encontrar alguém que acredite nisso. A ideia que prevaleceu é a oposta - e isso é lamentável, por envolver o mais importante tribunal do País, agora, aliás, fortalecido aos olhos de todos pelo exemplo do julgamento.
E mais: o fato de absolverem Dirceu e outros, ao fundamento da inexistência de provas, soa como uma censura aos demais ministros, os quais as consideraram suficientes. Inferiorizados nessa posição, dado o maciço predomínio do entendimento em contrário, levarão para as respectivas biografias um dado sombrio, que teria sido evitado caso optassem por se julgar impedidos.
No caso particular de Lewandowski, cada vez que, durante as votações, ele externava os seus argumentos pela absolvição, acabava agindo como se estivesse a se explicar aos brasileiros por que procedia daquela maneira. Seus gestos, sua expressão, ao julgar, exprimiam constrangimento, e não a firmeza dos demais julgadores que optavam pelas condenações.
Em verdade, quando julga, o magistrado não deve externar emoção alguma. Conforme deixaram claro o presidente da Corte, Carlos Ayres Brito, e o ministro Cezar Peluso - este em seu último voto como magistrado -, não há ódio na decisão que condena, e isso é o que realmente ocorre no cotidiano de quem julga. Uma expressão absolutamente neutra é a mais compatível para quem condena ou absolve.
A lealdade aos companheiros constitui traço de caráter merecedor de admiração nas relações humanas, mas não quando envolve a figura do juiz, porque este, sendo praticamente um escravo da lei e do Direito, não pode ficar dividido entre o que a Nação e os amigos dele esperam.
Enfim, externar lealdade aos companheiros no momento em que presta a jurisdição serve para demonstrar que o juiz não deveria estar ali a exercê-la, ou seja, fica aparente até mesmo o erro no ato de quem o escolheu. Ressalte-se, a propósito, que outros ministros nomeados pelo ex-presidente Lula exerceram a tarefa de julgar com absoluta independência e se mostraram sensíveis ao sentimento nacional de justiça nesse processo tão emblemático.
Será mesmo muito difícil para os brasileiros admitir que os dois ministros optaram pela absolvição por motivos tão somente jurídicos, sobretudo porque as suas posições estão em choque com o entendimento da maioria. Por mais que Lewandowski e Toffoli possam argumentar que manifestaram exclusivamente um entendimento jurídico divergente, sempre ficará a ideia de que estavam pagando o favor da nomeação. Isso é péssimo para o Supremo Tribunal Federal e, especialmente, para eles.
* Desembargador aposentado do tribunal de Justiça de São Paulo
e.mail: aloisio.parana@gmail.com
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

QUO VADIS? - GRUPO GUARARAPES

QUO VADIS! (Aonde Vais?) doc. Nº 214 – 2012

WWW.FORTALWEB.COM.BR/GRUPOGUARARAPES

ESTAMOS NUMA GUERRA IDEOLÓGICA. A ESPERANÇA DA VITÓRIA DA DEMOCRACIA
APROXIMA-SE. LUTE AO NOSSO LADO. SUA AJUDA VALE OURO. VEJA QUE ESTÁVAMOS
CERTOS. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL FAZ SUA PARTE E COLOCA NA CADEIA GRANDES
CRIMINOSOS, ENQUANTO, DESCARADAMENTE, MENTIAM PARA O POVO, DIZENDO QUE ERA
CAIXA DOIS E ERA ROUBO DO DINHEIRO PÚBLICO!
REPASSE! VITÓRIA!

QUO VADIS! (AONDE VAIS)

Mesmo, numa caminhada de mil milhas,(que comece com um passo), ensina-nos
a velha sabedoria japonesa que, não há vento bom, quando não sabemos
aonde chegar!

Estes dois aforismos de antigos mestres deveriam balizar o pensamento dos
formuladores da política nacional, já, que o pensamento da Escola Superior
de Guerra foi defenestrado pelos governos da Nova República, muito embora,
permaneçam atuais e pertinentes, devendo ser os mesmos repensados.

Os atuais governantes falam muito, em democracia. Mas, que Democracia?
Seria democrático desviar polpudo imposto que o pobre trabalhador
brasileiro paga pelo feijão de cada dia, para políticos corruptos
bandearem-no para as hostes petistas? No episódio do mensalão,
constatamos, ao vivo e a cores, o flagelo do rei. O rei está nu.

Atordoados com o apoio popular do julgamento da ação 470 do STF e atônitos
com a possibilidade de, rapidamente, sofrerem um revés político e sumirem
as mordomias, vemos o cenário político alterar-se e apesar de estar apenas
começando, a corja que se instalou, no poder, percebe que, quem está sendo
julgado não é apenas aquele que está sentado, no banco dos réus; mas, toda
a gentalha que aparelhou o estado brasileiro, afrouxou as normas de
conduta, falseou a verdade e deturpou os bons costumes. De concreto, temos
um país sem segurança, uma população a mercê da bandidagem. Qual será a voz
das urnas? Tergiversará sobre seu bem mais valioso que é sua vida? Onde
pensa que desembocará a matança de jovens, enquanto os ladrões recebem
bolsa prisão para assassinar inocentes?

Os proclamas já correm, nos comitês de campanha: Rei morto,
rei posto!

E que espera alcançar o nosso ministro da fazenda,
distribuindo benesses à indústria automobilista? Vai permitir à GM reforçar
o caixa de campanha de Obama, enquanto o Ministro Patriota esperneia junto
à OMC, na questão dos subsídios de alguns produtos agrícolas americanos?
Onde pensa que vai um governo que não sabe bem o que quer, em termos de
relações internacionais? Pautamos a doutrina econômica pela Heterodoxia ou
Ortodoxia?
E a política externa é pela 3ª via de governos anteriores ou a denominação
agora é multilateralidade? E a interna, agora não é mais privatização? é
concessão? E quem pagará a conta do sucateamento de nossas ferrovias?

Como ficará a situação do atual governo que perpassou ao
eleitor a ideia de continuísmo econômico, apoiada pelo seu criador que
enganava o povo com PIB de 5 ou 6% a.a, enquanto, o restante da América
Latina crescia muito mais, surfando nas commodities dos emergentes e agora
com PIB de 2% ao ano, resolve incentivar o consumo de uma população 43%
endividada? Qual a mágica do consumismo? Combinaram com os banqueiros ou o
contribuinte vai bancar a inadimplência decorrente?

Finalizando, perguntamos: se é possível caminhar para o futuro,
desconhecendo que a história repete-se, apenas com outros personagens. Não
nos esqueçamos do exemplo de Maria Antonieta que, no auge de sua alienação,
sugeriu aos seus conselheiros distribuir brioches para a turba faminta e
enfurecida. Como conter o Tsunami monetário decorrente da depreciação do
real e o incentivo ao consumo? Como exportar, quando não contemos a
desindustrialização? É A NOSSA DÍVIDA (INTERNA E EXTERNA) PRÓXIMA AOS TRÊS
TRILHÕES.

Distribuir destemperos verbais é fácil, quando não se cogita
em sístoles e diástoles. No entanto, no consenso internacional, tais
atitudes denotam apenas fraqueza que é tudo o que não precisamos EXPORTAR.

ESTAMOS VIVOS! GRUPO GUARARAPES! PERSONALIDADE JURÍDICA sob reg. Nº12 58
93. Cartório do 1º Registro de Títulos e Documentos, em Fortaleza. Somos
1.807 civis – 49 da Marinha - 478 do Exército – 51 da Aeronáutica; TOTAL
2.385 RP: batistapinheiro30@yahoo.com.br. 4/10/12


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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MENSALÃO V - PROIBIR MENSALÃO NAS CAMPANHAS É CENSURAR O PRÓPRIO STF - JOÃO BOSCO RABELO/ESTADÃO

José Dirceu, aquele que está na mira do STF esta semana, ao invés de ficar quietinho, acusa José Serra de estar fazendo campanha usando o "mensalão". A respeito, veja abaixo o que escreveu João Bosco Rabelo no Estadão:

Proibir mensalão nas campanhas é censurar o próprio STF

É parte indissociável das campanhas eleitorais a crítica entre os candidatos às gestões de seus adversários quando à frente de chefias do Executivo nos seus três níveis de poder: municipal, estadual e federal. Tanto aqueles que aspiram a cargos quanto aqueles que os detêm, que podem se referir ao passado de seus concorrentes.
Uma campanha se faz com programa (cada vez mais ausente no Brasil) críticas aos candidatos, especialmente os que já foram gestores e o discurso ideológico. O que se espera, como ideal de civilidade, é que essas críticas sejam exercidas com base naquilo que foi mal feito, ou que deixou de ser feito, e não na desqualificação pessoal dos candidatos.
Um índice de corrupção alto – e real – de um governo de determinado partido, ainda que por atos que não tenham recebido o aval de seus dirigentes, é um flanco a ser explorado legitimamente pelos seus concorrentes. E tem sido historicamente utilizado em todas as campanhas, no Brasil e no exterior. É lícito e lógico.
Se dirigentes de um partido no poder não avalizaram atos de integrantes ou aliados, ainda assim fica claro que aquele governo não foi capaz de conter a corrupção em seus quadros, em maior ou menor grau, e a exploração política dessa constatação é natural. Acontecem com todos os governos e em todas as campanhas.
Ninguém é ingênuo a ponto de imaginar que se fosse precedido na fila de julgamento de mensalões, pelo DEM, por exemplo, o PT não estaria explorando o fato hoje nos palanques país afora. Como o fará, certamente, quando o DEM e o PSDB estiverem sob os holofotes – o que necessariamente ocorrerá em alguma campanha, já que as eleições no Brasil ocorrem de dois em dois anos.
Por isso, a recente decisão do juiz Eduardo Afonso Maia Caricchio, da 12ª zona eleitoral da Bahia, proibindo que a coligação do deputado ACM Neto (DEM) faça sequer referência ao mensalão, afora seu aspecto ridículo, agride o bom senso e expõe o magistrado a leituras indesejáveis – que vão do despreparo à censura ao próprio Supremo.
Afinal, a decisão, por ironia das ironias, ocorre no mesmo dia em que o STF, por maioria expressiva e indiscutível, conclui que o PT comprou apoio político, no reconhecimento mais explícito até agora da existência do mensalão, nos termos em que foi denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson.