segunda-feira, 1 de novembro de 2010

COMBATI O BOM COMBATE!!!

Caros amigos,
o dia 31 de Outubro de 2.010 entrará na história de nosso país, como dia em que a maioria de seu povo optou pelo comunismo ateu, pela matança dos inocentes, pela corrupção desbragada, pela impunidade, pela mentira, pela falta de liberdade implícita e bem clara no PNDH3, já no forno. Más, como escreveu São Paulo em sua segunda carta a Timóteo: - "combati o bom combate...", nós também o fizemos e caímos de pé com a consciência tranquila do dever cumprido!
Antonio Carlos Pereira - 01/11/2010

domingo, 31 de outubro de 2010

AFINAL, O QUE QUEREMOS? EDITORIAL ESTADÃO 31/10/2010




Afinal, o que queremos?
Encerra-se hoje a mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no País, e certamente em todo o mundo: oito anos de palanque na obstinada perseguição de um projeto de poder populista assentado sobre o carisma e a popularidade de um presidente que, se por um lado tem um saldo positivo de realizações econômico-sociais a apresentar, por outro lado, desprovido de valores democráticos sólidos, coloca em risco a sustentabilidade de suas próprias realizações na medida em que deliberadamente promove a erosão dos fundamentos institucionais republicanos. Essa é a questão vital sobre a qual deve refletir o eleitor brasileiro, hoje, ao eleger o próximo presidente da República: até onde o lulismo pode levar o Brasil?
Quanto tempo esse sentimento generalizado de que hoje se vive materialmente melhor do que antes resistirá às inevitáveis consequências da voracidade com que o aparelho estatal tem sido privatizado em benefício de interesses sindical-partidários? Tudo o que ambicionamos é o pão dos programas assistenciais e do crédito popular farto e o circo das Copas do Mundo e Olimpíada?

Lamentavelmente, as questões essenciais do País não foram contempladas em profundidade pelo pífio debate político daquela que foi certamente a mais pobre campanha eleitoral, em termos de conteúdo, de que se tem notícia no Brasil. Mais uma conquista para a galeria dos "nunca antes neste país" do presidente Lula, que nessa matéria fez de tudo. Deu a largada oficial para a corrida sucessória, mais de dois anos atrás, ao arrogar-se o direito de escolher sozinho a candidata de seu partido. Deu o tom da campanha, com a imposição da agenda - a comparação entre "nós e eles", entre o "hoje e ontem", entre o "bem e o mal" - e com o mau exemplo de seu destempero verbal.

Uma das consequências mais nefastas dessa despolitização que a era lulo-petista tem imposto ao País como condição para sua perpetuação no poder é o desinteresse - resultante talvez do desencanto -, ou pelo menos a indulgência, com que muitos brasileiros tendem a considerar a realidade política que vivemos. A aqueles que acreditam que podem se refugiar na "neutralidade", o antropólogo Roberto DaMatta se dirigiu em sua coluna dessa semana no Caderno 2: "Você fica neutro quando um presidente da República e um partido que se recusaram a assinar a Constituição e foram contra o Plano Real usam de todos os recursos do Estado que não lhes pertencem para ganhar o jogo? (...) Será que você não enxerga que o exemplo da neutralidade é fatal quando há uma óbvia ressurgência do velho autoritarismo personalista por meio do lulismo, que diz ser a ‘opinião pública’? O que você esperava de uma disputa eleitoral no contexto do governo de um partido dito ideológico, mas marcado por escândalos, aloprados e nepotismo? Você deixaria de tomar partido, mesmo quando o magistrado supremo do Estado vira um mero cabo eleitoral de uma candidata por ele inventada? É válido ser neutro quando o presidente vira dono de uma facção, como disse com precisão habitual FHC? Se o time do governo deve sempre vencer porque tem certeza absoluta de que faz o melhor, pra que eleição?"

Quatro anos atrás, nesta mesma página editorial, dizíamos que "as eleições de hoje são o ponto culminante da mais longa campanha eleitoral de que se tem notícia no Brasil. Desde 1.º de janeiro de 2003, quando assumiu a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva não deixou, um dia sequer, de se dedicar à campanha para a reeleição. Tudo o que fez, durante seu governo (...) teve por objetivo esticar o mandato por mais quatro anos". Erramos. O horizonte descortinado por Lula era, já então, muito mais amplo. Sua ambição está custando à Nação um preço caríssimo que só poderá ser materialmente aferido mais para a frente. Mas que já se contabiliza em termos éticos, toda vez que o primeiro mandatário do País desmoraliza sua própria investidura e não se dá ao respeito. Mais uma vez, essa semana, no Rio de Janeiro, respondeu com desfaçatez a uma pergunta sobre o uso eleitoral de inaugurações: "Não posso deixar de governar o Brasil por conta das eleições." Ele que, em oito anos no poder, só pensou em eleições!

OPOSIÇÃO - NOVIDADES NO FRONT - DOCA RAMOS MELLO



Jadilúcia Flores, a repórter constrangedora do jornal A Piada Popular, não desiste nunca! Quando surgem aqueles para os quais a mídia só sabe virar as costas, a moça não arreda pé de lhes saber a opinião, a versão, os argumentos. Por isso, muitos a consideram amalucadinha da silva, mas Jadilúcia é como o sertanejo – antes de tudo, forte. Daí...

Esta semana, a jornalista descobriu uma novidade para a qual os cientistas políticos nacionais ainda não atentaram com o devido olho no lance, novidade essa que grassa o processo eleitoral do segundo torno (sim, eu disse torno mesmo, porque quero dar a V. Exa. Metalurgíssima a chance de trabalhar um pouquinho, afinal pode-se fazer de tudo com nove dedos, a História do Brasil que o diga!).

Que descobriu Jadilúcia afinal? Diversas modalidades de Oposição! Antigamente a Oposição era algo simples e direto, uma coisa tipo Jânio/Adhemar, São Paulo/Corinthians, água/cachaça, Cinderela/Madrasta, branco/preto... A partir do efeito-estufa-segundo-torno-Marina Silva, tudo mudou, uma vez que a senadora optou por abraçar a Oposição Neutra – é uma opção, não significa que esteja certa ou errada, muito pelo contrário e/ou, sacumé? Então, Jadilúcia foi entrevistar não só a nova figura do cenário político como também suas coirmãs, muitas delas brotando a torto e a direito, como forma de atender a interesses outros e/ou, de/para, com/sem, etc...



Jadilúcia Flores: Então, a senhora é a Oposição Neutra, prazer falar-lhe pessoalmente. Como pode se opor a alguém ou alguma coisa sem tomar partido nenhum?

Oposição Neutra: Bem, o desenvolvimento sustentável de minha ideologia se concentra na Amazônia, passa pela Mata Atlântica, o Pantanal, e desemboca na transposição do São Francisco porque os recursos naturais...

JF: Desculpe, mas de que lado a senhora está? Porque se é oposição, não tem neutralidade, está contra, concorda? Creio que agindo desse modo ambíguo, podem pensar que a senhora queira ficar em cima do muro...

ON: Não, não. Oposição em Cima do Muro é quase uma irmã p’ra mim, mas são apenas laços afetivos, estudamos juntas no primário, nossas mães são velhas amigas.

JF: Como a senhora vai agir no segundo torno?

ON: Bom, o que importa é a seringueira. E o meu futuro na floresta.

JF: Hummm...



JF: Oposição Crítica, a senhora já sabe quem vai apoiar no segundo torno?

Oposição Crítica: Conservo-me à direita de minha prima, Oposição Neutra, conhece? Nós conversamos muito, somos amigas íntimas, além de parentes, temos afinidades importantes, de certo modo eu também milito na área seringal, apesar de ser menos conhecida que ela, quase uma ovelha desgarrada da família, mas é que a Oposição Neutra já foi BBB, eu estou só começando, me entende? Sou alguns dedos mais novata...

JF: Já definiu seu apoio?

OC: Vou ficar criticando aqui e ali para deixar como está e ver como é que fica. Tipo mosca de padaria. Acho que também eu devo pensar no meu futuro na floresta, dá licença?



JF: Quanto à senhora, Oposição Ciro Gomes, já definiu seu apoio?

Oposição Ciro Gomes: Não me aborreça, não sou obrigada a falar com você, sua idiota, burra, lesa, incompetente!

JF: Mas a senhora tem de estabelecer...

OCG: Não estabeleço porra nenhuma, vai te catar, sua eca..urght*##..., ignorante, imbecil, cretina, vaca...

JF: Serra ou Dilma?

OCG: Sua mãe!



JF: Oposição Não Me Comprometa, a senhora vai apoiar o governo no segundo torno?

Oposição Não Me Comprometa: Como...? Sim...? Não, digo, pode ser, quem sabe, talvez, de repente sim, de repente não, sabe lá...

JF: Desse jeito, periga a senhora ficar fora do processo eleitoral, não seria bom para a sua imagem política.

ONC: Ah, querida, sou discípula de Michel Temer, extremamente prática (mas não fiz plástica, hehehehe). E sigo também a filosofia de Zeca Pagodinho - deixo a vida me levar...



JF: Bem, Oposição Collor de Mello, estou aqui para saber como é aderir a um inimigo declarado que já lhe impôs uma saia justa tamanha e...

Oposição Collor de Mello: Isso são águas passadas, aprendi com Sarney a ser oposicionista de resultados. E eu sou linda, rica, oligarca, filha de coronel, tenho porte, morei em Miami, falo inglês, faço o que me dá na telha, duela a quem duela.



JF: Ah, finalmente, Oposição Respeitosa! A senhora já declarou sua preferência para o segundo torno?

Oposição Respeitosa: Bom dia, Jadilúcia. Sua mãezinha está bem? Em casa, todos com saúde? Faço votos. Sente-se querida, se acomode. Quer que ligue o ar? Olhe, eu creio que os dois candidatos são ótimos, cada qual com suas discretas ressalvas, ele e aquela carequinha adorável, ela e seu topete de galo de briga, são dois docinhos de coco e...

JF: Sim, mas qual deles vai ganhar a sua adesão?

OR: Com licença, por gentileza, não desejo ofender ninguém, por obséquio, preste atenção, digo que ambos são dignos do meu respeito, apesar de não concordar com certas coisinhas, sinto muito, não pretendo magoar nenhum dos dois, de modo...

JF: Ele ou ela?

OR: Os dois, obrigada! Fique à vontade, quando sair, seja gentil e não bata a porta... Aceita um cafezinho?

DOCA publicou esta crônica em:
http://www.papolivre.com.br


sábado, 30 de outubro de 2010

LULLA E O PAPA


Nosso amado presidente teve o desplante de se referir ao Papa Bento como se o mesmo fosse um simples "petralha", que, como ele e sua candidata, muda de opinião de acordo com a platéia, afirmou com todas as letras que a Igreja não tem o direito de se posicionar sobre a questão do aborto, com toda a sua capacidade de leitura afirmou que a Igreja Católica não mudou um virgula desde de há 2000 anos. Engraçado como se ele, Lulla, que tem azia até de ler as manchetes dos jornais teria capacidade de julgamento sobre os dizeres bíblicos. Ainda bem que temos uma regra a seguir que depois de 2000 anos ainda ai está firme e indestrutível e não será um partido que se diz dos trabalhadores mas que tem em seus quadros só pessoas que não são chegadas ao batente como a imensa legião de sindicalistas que fazem parte da sua gangue. Caro Lulla, você logo só será um ex-presidente e corre o risco de ser jogado para a lata de lixo da história pois nada de bom ficou na sua passagem pela presidência a não ser a extensa lista de escândalos, falcatruas e falsidades. A Igreja, caro Lulla, não é volúvel com o senhor, seu partido e sua candidata que afirmam uma coisa hoje, assinam embaixo e amanhã negam tudo e acusam a imprensa de calúnia e difamação, calúnia e difamação é quando se espalha mentiras sobre uma determinada pessoa ou entidade, a verdade, os fatos, não tem contestação, tanto é que o PT só ameaça as pessoas, não entra com ação contra elas porque sabe que perderá na justiça, mesmo que esta não esteja tão "justa" assim!

UM MITO DE PAPEL - DEMÉTRIO MAGNOLI


PUBLICADO NO JORNAL ESTADÃO DE 28/10/2010 PÁGINA A-2

Um mito de papel :: Demétrio Magnoli


"Não me importo de ganhar presente atrasado. Eu quero que o Brasil me dê de presente a Dilma presidente do Brasil", conclamou Lula, do alto de um palanque, dias atrás. Não foi um gesto fortuito. Antes, a Executiva do PT definira a campanha "Dê a vitória de Dilma de presente a Lula". Aos 65 anos, a figura que deixa o Planalto cumpre uma antiga profecia do general Golbery do Couto e Silva. O "mago" da ditadura militar enxergara no sindicalista em ascensão o "homem que destruirá a esquerda no Brasil". Quando o PT trata a Presidência da República como uma oferenda pessoal, nada resta de aproveitável no maior partido de esquerda do País.

Lula vive a sua quarta encarnação. Ele foi o expoente do novo movimento sindical aos 30, o líder de um partido de massas aos 40, o presidente salvacionista aos 60. Agora, aos 65, virou mito. O mito, contudo, é feito de papel. Ele vive nos ensaios dos intelectuais que se rebaixam voluntariamente à condição de áulicos e nos artigos de jornalistas seduzidos pelas aparências ou atraídos pelas luzes do poder. Todavia ele só existe na consciência dos brasileiros como fenômeno marginal. Daqui a três dias, Lula pode até mesmo ficar sem seu almejado carrinho de rolimã. A mera existência da hipótese improvável de derrota de Dilma evidencia a natureza fraudulenta da mitificação que está em curso.

"É a economia, estúpido!", escreveu James Carville, o estrategista eleitoral de Bill Clinton, num cartaz pendurado na sede da campanha, em 1992. George H. Bush, o pai, disputava a reeleição cercado pela auréola do triunfo na primeira Guerra do Golfo, mas o país submergia na recessão. Clinton venceu, insistindo na tecla da economia. Por que Dilma não venceu no primeiro turno, se a economia avança em desabalada carreira, num ritmo alucinante propiciado pelo crédito farto e pelos fluxos especulativos de investimentos estrangeiros?

A pergunta deve ser esclarecida. Lula abordou a sua sucessão como uma campanha de reeleição. No Brasil, como na América Latina em geral, o instituto da reeleição tende a converter o Estado numa máquina partidária. A Presidência, os Ministérios, as empresas estatais e as centrais sindicais neopelegas foram mobilizadas para assegurar o triunfo da candidata oficial. Nessas condições, por que a "mulher de Lula", o pseudônimo do mito vivo, não conseguiu reproduzir as performances de Eduardo Campos, em Pernambuco, Jaques Wagner, na Bahia, Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, Antonio Anastasia, em Minas Gerais, ou Geraldo Alckmin, em São Paulo?

"Há três tipos de mentiras - mentiras, mentiras abomináveis e estatísticas", teria dito certa vez Benjamin Disraeli. Os institutos de pesquisa registram uma taxa de aprovação de Lula em torno de 80%. Cerca de dois terços da aprovação recordista se originam de indivíduos que conferem ao presidente a avaliação "bom", não "ótimo". Nesse grupo, uma maioria não votou na "mulher de Lula" no primeiro turno. Mas a produção intelectual do mito, a fim de fabricar uma "mentira abominável", opera exclusivamente com a taxa agregada. Há muito mais que ingenuidade no curioso procedimento.

As águas que confluem para o rio da mitificação de Lula partem de dois tributários principais, além de pequenas nascentes poluídas pelos patrocínios oriundos do Ministério da Verdade Oficial, de Franklin Martins. O primeiro tributário escorre pela vertente dos intelectuais de esquerda, que renunciaram às suas convicções básicas, abdicaram da meta de reformas estruturantes e desistiram de reivindicar a universalização efetiva dos direitos sociais. Eles retrocederam à trincheira de um antiamericanismo primitivo e, ecoando uma melodia tão antiga quanto anacrônica, celebram a imagem de um líder salvacionista que fala ao povo por cima das instituições da democracia. Nesse conjunto, uma corrente mais nostálgica, que se pretende realista, enxerga em Lula a derradeira boia de salvação para a ditadura castrista em Cuba. A Marilena Chaui pós-mensalão, transfigurada em porta-estandarte do "controle social da mídia", é a síntese possível do lulismo dos intelectuais.

"As pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo", urrou Lula num comício eleitoral em Belo Horizonte, pronunciando um diagnóstico inquestionável. O segundo tributário da mitificação desce da vertente de uma elite empresarial avessa à concorrência, que prospera no ecossistema de negócios configurado pelo BNDES e pelos fundos de pensão. Essa corrente identifica no lulismo o impulso de restauração de um modelo econômico fundado na aliança entre o Estado e o grande capital. Os empresários da Abimaq divulgaram um manifesto em defesa do BNDES, enquanto Eike Batista, um sócio do banco estatal, o cobria de elogios. Na noite do primeiro turno, os analistas financeiros quase vestiram luto fechado. Tais figuras, tanto quanto os controladores da Oi e os proprietários da Odebrecht, representam o lulismo da elite econômica.

O mito ficou nu no primeiro turno. Todos os indícios sugerem que o aguardado triunfo de Dilma foi frustrado exatamente por Lula - que, na sequência do escândalo de Erenice Guerra, afrontou a opinião pública ao investir contra a imprensa independente. "Nem sempre é a economia, estúpido!": os valores também contam. Naquele momento as curvas de tendências eleitorais se inverteram, expressando a resistência de mais de metade dos brasileiros ao lulismo. O jornalismo honesto deveria refletir sobre isso, antes de reproduzir as sentenças escritas pelos fabricantes de mitos.

Os mitos fundadores pertencem a um tempo anterior à História. No fundo, desde a difusão da escrita na Grécia do século 8.º a.C., só surgiram mitos de papel - isto é, frutos da obra política dos filósofos. Por definição, tais mitos estão sujeitos à desmitificação. Já é hora de submeter o mito de Lula a essa crítica esclarecedora.

SOCIÓLOGO, É DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

MAL COMPARANDO... - DOCA RAMOS MELLO

Mal Comparando...

No céu, há um burburinho inquietante, falam os apóstolos, cochicham os querubins, discutem os santos, Deus está macambúzio, há muita coisa entre o reino azul das auréolas celestiais e a vã filosofia de araque de V. Exa. Metalurgíssima, de sorte que o Filho do Homem começa a ficar impaciente. Fortes rumores indicam que, em solos de Macunaíma, uma vez mais ocorreu insolência de porte, capaz de constranger sumariamente o Salvador. Ato contínuo, Jesus Cristo chama Pedro às falas:

_ Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, mas parece que um fariseu tupiniquim quer me tomar o posto, ai de mim, que ralei na cruz para salvar os ímpios, padeci espinhos sobre minha carne santa, sofri agruras e maus-tratos, enfrentei descrença, inveja e ódio, e agora Me acontece uma coisa dessa, Me surge um sujeito assim do nada, um reles pecador que, dizem, rouba e mente com destempero, e tem o topete de se comparar a Mim, oh, meu Santo Sudário, ninguém merece... Pedro, que fazes tu que não botas cobro nesta circunstância aberrante? Onde está a pedra que te confiei para que sobre ela edificaste Minha igreja e em suas naves internas pusesses ordem? Cáspite, Pedro, dormes no remanso?!

_ Não, Mestre, estou sempre alerta, porém O Cara é uma unha encravada, com todo respeito. Esperto, matreiro, prega aos pobres como se sua tribo fosse, mente, envolve, tripudia, falseia, de sua boca saem impropérios e bobagens, aleivosias horripilantes e prosódia flácida. Mas francamente, se me permite o abuso da intuição, o problema está com vosso Pai Eterno. Ele bem podia ter tomado uma providência antes que o caso chegasse a tal extremo, livre arbítrio demais é perigoso e...

_ Cala-te! Somos pela liberdade de expressão, de escolha, de tudo.

_ Bom, o Senhor é, mas O Cabra anda querendo amordaçar a imprensa, implantar um reino pessoal e eterno na terra dele e, disparate imenso, deixar aquela cobra terrorista treinada em seu lugar.

_ Cobra?! Avia-te, Pedro, tenho trauma de cobra, tu sabes o que uma delas fez no meu Éden com sua fala sibilante, segregando torpezas aos ouvidos de Adão e Eva, aqueles incautos nus, para depois desgraçar a vida de todo o meu rebanho, tu és sabedor, oh, sina minha, destarte deverei novamente ser crucificado mil vezes por hora para depurar os pecados desses infiéis! Oh, não Me fales em cobra, não Me recordes o estopim de toda a tragédia que fez desenrolar minha saga para salvar a humanidade, oh, Eu me lembro de Pilatos, da perseguição aos meus apóstolos, da traição de Judas, da minha solidão no Horto, do pão e vinho que tive de fazer render, de Lázaro, a quem devolvi o sopro da vida e...

_ Cobra, Senhor, insisto, cobra peçonhenta. A cabecinha em pé, a linguinha arisca, os olhos apertados mirando o próximo lance, a próxima vítima, o rastejar calculado sob o cajado daquele que encena aceitar como seu mestre acima das verdades divinas, do céu que brilha no horizonte, das águas, das flores, das seivas da vida, de Seus ensinamentos, oh Jesus... Enfim, de tudo que reluz ou não na terra de Euclides da Cunha, quiçá no planeta azul, por desmedida plenipotência, abusadíssimo que é o pusilâmine. Aquela, Cristo Redentor, é uma cobra chupando duas mangas com fiapos. Pior ainda, Senhor, com arrimo de Chico Buarque, o da banda, ex-marido de Dona Nenê! Se me permite, Mestre, a coisa tá preta.

_ Daí ao chefe dela se comparar a Mim, Pedro, não tem cabimento. Disse o herege que temos as mesmas barbas, meu Pai Eterno! Barba por barba, por que então não se comparou a Caifás, por exemplo?

_ Por espertezas de Ibope, Senhor.

_ Ibope...?

_ Sim, Ibope. É uma tábua que os terrenos tupinambás inventaram para medir popularidade, fazer pesquisas diversas, incluindo as eleitorais. Ladinos, aproveitam-se da invenção e mentem bastante com ela. O Senhor, Jesus Nazareno Rei dos Judeus, dá um Ibope dos diabos, com escusa do verbo de baixo calão, todavia verdade seja dita, o Senhor é uma espécie de coringa na boca dos pecadores. E em Seu Santo Nome, fazem-se coisas aterrorizantes!

_ O que Eu tenho a ver com esse Ibope, Pedro?

_ Hiii, Mestre, o Senhor é muito popular.

_ Mas, é um acinte...

_ Também assim considero, Mestre, entretanto ninguém aplica freios àquele vivente, a tudo e a todos, ele desobedece, ele não tem medidas. Escorado numa simplicidade de fancaria, tingido-se com as tintas do pobre homem bom, pai dos desvalidos e inimigo dos ricos, ele atravessa rios e mares em cima de palcos, é um ator, Jesus Cristo, um ator mambembe de lábia afiada! Fiquei sabendo que até mesmo a Bíblia civil de seu povo, chamada de Constituição, ele afronta sem se perturbar, é um homem desidioso, loucamente apaixonado por si mesmo, um ególatra, Mestre.

_ Pelas portas de Damasco! Corre que também se comparou a Tiradentes...

_ E a alma de Tiradentes está em estado de choque desde que soube dessa arrelia. Prostrada, persiste em pedir para que a enforquem de novo e de novo e de novo, quedou-se catatônica, afinal não possui o Vosso Santo equilíbrio. Encontra-se vagando como doida desde então, desbussolada.

_ Minha Santa Mãe, ai, minha Santa Mãezinha, os céus a protejam dessa ousadia suprema! Mamãe sofreu deveras para Me defender das maldades da vida, viu-Me pregado à cruz, comeu o pão que a Bíblia amassou, não suportaria Me perceber enxovalhado uma vez mais e...

_ Lamento, Mestre, já aportou aos santos ouvidos de Vossa Mater Dolorosa a imprecação.

_ Oh, que meu Pai Eterno a resguarde!

_ Ela se retirou para orações, porém cuidou de deixar mensagem para o Senhor, Mestre:





Filho Meu, abençoado seja! Recolhi-me a orar fervorosamente debaixo de meu manto, enquanto aguardo a passagem desta era negra de acintes, ousadias, falácias e falcatruas, eis que não posso mais suportá-las, arde-me a alma, mesmo na minha humildade resignada de sofrida Sagrada Mãe – paciência tem termo. A minha esperança é que os soldados guardiões do templo da opinião popular esmaguem a cabeça da surucucu e mostrem o pau para seu mentor, Deo Gracias, oremus. Caso contrário, ora pro nobis, pois prevejo horizontes carregados da velha praga zédirceu, que adivinho atocaiada à espreita, tal qual urubus cercam carniça, os céus tenham misericórdia dessa gente bronzeada que não lê papiros, amém, amém, amém... E tu, Filho Amado, olho vivo: um entardecer desses o Cara se dependura na tua cruz (usando falsos cravos, claro).

DOCA publicou esta crônica em:
http;//www.papolivre.com.br



terça-feira, 26 de outubro de 2010

MAIS UM SUJO PERTO DO LULLA!

Mais um membro do primeiro escalão do presidente Lulla, o chefe de gabinete Gilberto Carvalho, virou réu, desta feita sob acusação de integrar uma quadrilha que cobrava propina de empresas de ônibus de Santo André (SP), para financiar campanhas eleitorais do PT, inclusive a de Lulla. Como sempre, Lulla não sabia de nada!!!

Por falar em Santo André, e o caso Celso Daniel?