sábado, 4 de setembro de 2010

LULA TORRA US$ 4 BILHÕES POR ANO EM AJUDA EXTERNA

O presidente Lula, querendo aparecer no cenário internacional buscando um eventual prêmio Nobel da Paz ou um cargo na ONU, se tornou um dos maiores doadores para os países emergentes, da África e América Latina, inclusive para países governados por ditadores sanguinários dentre eles Fidel Castro e seu irmão Raul. Segundo a revista "Economist" os recursos aplicados por Lula podem chegar a US$ 4 bilhões por ano, ai incluídos as iniciativas brasileiras de assistência técnica, cooperação agrícola e ajuda direta a país da África e América Latina. Nesta totalização estão incluídos recursos da Agência Brasileira de Cooperação, projetos de cooperação técnica, ajuda humanitária a Gaza e ao Haiti, recursos destinados ao programa de alimentos da ONU e outros, e ainda os financiamentos do BNDES e o perdão de dívidas. Até parece que no Brasil o dinheiro está sobrando, Luís Inácio se esquece das recentes tragédias acontecidas em nosso pais, ainda sem ajuda efetiva do governo como as enchentes em Santa Catarina, os bolsões de pobreza, as favelas, a falta de aumento efetivo das aposentadorias e a falta de recursos para saúde, segurança e educação. Lula não põe limites na sua ambição de aparecer, tanto no Brasil como no exterior.

No fim das contas somos nós brasileiros que estamos bancando a mais cara campanha para o Prêmio Nobel da Paz da história da humanidade, com a maior carga tributária do mundo. Nossa dívida interna já passa de R$ 1 trilhão e 600 bilhões, pois nós todos sabemos que não existe almoço de graça.

O pior é a imensa popularidade que goza junto ao povão brasileiro, a qual tenta, por todos os meios transferir para sua preposta candidata à presidência. Deus nos livre desta tragédia!!!

Fontes: BBC Brasil, Economist

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ELA NÃO TEM COMPETÊNCIA - REINALDO AZEVEDO


A explicação escandalosa de Dilma para não ter conseguido gerenciar nem uma lojinha de R$ 1,99. Ela fornece dados mentirosos sobre a economia do país. Eu provo!
Na década de 90, Dilma montou duas lojas para vender bugigangas importadas do Panamá. Não deu certo. A gerente do PAC não conseguiu levar o negócio adiante. O "empreendimento" durou um ano e cinco meses. Fechou em julho de 1996. "A gente esperava uma loja com artigos diferenciados, mas, quando ela abriu, era tipo R$ 1,99. Eram uns cacarecos". A afirmação é de Bruno Kappaun, dono de uma tabacaria no centro comercial Olaria, onde se instalou uma das lojas. E como Dilma explica a sua incompetência? Vocês podem não acreditar, mas aconteceu! Ela culpou. FHC!!! Não por acaso, o nome do empreendimento era "Pão & Circo". Pão, pelo visto, não rendeu. Mas continua a render circo.

Na tarde desta terça, depois de um encontro com Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), a mulher que quer comandar o Brasil explicou por que não conseguiu tocar duas lojinhas de 1,99: "Quando o dólar está 1 por 1 e passa para 2 ou 3 por 1, ele [o microempresário] quebra. É isso que acontece com o microempresário, ele fecha. A minha experiência é essa e de muitos microempresários desse pais".

Ah, bom!

Só que Dilma está contando o contrário da verdade. E isso parece ser um traço compulsivo de seu caráter. O que quer dizer "dólar a 3 por 1?? É assim, com essa clareza, que ela pretende governar o país se eleita?

Todos vocês sabem que lojas de produtos importados prosperam com mais facilidade quando a moeda local está valorizada em relação ao dólar, certo? Gastam-se menos reais para comprar bugigangas lá fora. É o que temos hoje, diga-se. Os brasileiros nunca gastaram tanto em viagens ao exterior porque os preços, em dólar, estão baixos.

Não! Dilma fechou por incompetência mesmo! Ela abriu sua lojinha quando um dólar valia menos de R$ 1. Era o melhor momento. E fechou quando havia justamente a paridade, "1 por 1?, e não "3 por 1?, como ela afirma. Segue a cotação do dólar em real mês a mês, enquanto a loja da ministra durou. Com competência, poderia ter ficado rica trabalhando:

1995

Fevereiro
0.837

março
0,884

Abril
0,905

Maio
0,891

Junho
0,909

Julho
0,926

Agosto
0,942

Setembro
0,953

Outubro
0,958

Novembro
0,962

Dezembro
0,967




1996

Janeiro
0,972

Fevereiro
0,982

Março
0,986

Abril
0,989

Maio
0,995

Junho
1,001

Julho
1,006


Vale dizer: Dilma teve a sua lojinha de porcariada importada do Panamá no melhor momento da história do Brasil para se ter algo do tipo - aliás, para se vender importados, para ricos ou para pobres. Como se nota, não só o real não estava desvalorizado como foi o período de maior valorização de sua história. Aliás, os críticos do governo acusavam a valorização excessiva, não o contrário. E não é por acaso. Vejam as tabelas acima.

Querer acusar o governo anterior por um fracasso pessoal revela, sem dúvida, um traço de caráter. Mentir de forma tão abismal sobre um período da economia, afirmando justamente o contrário do que aconteceu, bem, aí já é uma questão que tem também uma dimensão política. E eu fico muito impressionado que uma mentira possa ser dita com esse desassombro, com essa ligeireza, na certeza de que não será contraditada.

Mas eu entendo: essa gente se acostumou a dizer qualquer coisa. A besteira vai para a rede, ninguém contesta, e fica tudo por isso mesmo. Afinal, vivemos a era do "aspismo". Se Dilma afirmar que rinoceronte é uma ave, sua versão será publicada sem contestação. Quem quiser que forneça o "outro lado", e o leitor escolhe se rinoceronte é ave ou réptil, se é que me entendem.

Por Reinaldo Azevedo

A PRAÇA É NOSSA NA ZORRA TOTAL - DOCA RAMOS MELLO


Tiririca, Netinho ou o marido de Mara Maravilha? Oh, grande dilema!

O horário eleitoral ‘gratuito’ me tirou algumas decisões anteriormente alinhavadas, depois que tive acesso ao plantel de excelentes candidatos que me desejam representar nos governos, no Senado ou nas Câmaras – estou numa sinuca bico.

Gosto do Tiririca. Acho um sujeito elegante, tem propostas equilibradas e é verdadeiro. “Eu não sei o que faz um deputado federal, mas votem em mim que depois eu conto”, diz ele na propaganda que nós todos pagamos para ver na tv. Em seguida, numa segunda aparição – pelo número escolhido para ele o partido está apostando nesse puxador de votos -, completa: “Vote em mim e eu vou ser eleito”. É uma conclusão interessantíssima, eu nunca tinha pensado nisso antes, puxa vida, então se o eleitor vota em alguém esse alguém é eleito, barbaridade, é isso aí, Tiririca, ‘tamo junto!



“Vote Tiririca – pior do que tá não fica!”



Estou aqui citando apenas alguns dos cidadãos que anseiam trabalhar por mim, por você e pelo povo em geral, muito embora não sejamos nós nem de longe merecedores de tamanha vontade de servir, a gente não vale nada. Ou talvez valha uma bolsa-família, eu não sei muito bem, sou meio burra, mas na minha opinião, o que esculhamba com um país é o povo, porque o povo é muito chato, ingrato, desagradável. Fora a estultice. Se a gente eliminar o povo, só vai sobrar a nata, então eu acho que é isso que estão pretendendo esses candidatos, eles querem deixar de ser povo, essa massa de manobra, e passar a manobrar porque, é claro, rende muito mais e traz progresso para o país. Se assim não for, por azar do destino, ao menos trará, é certíssimo, muita prosperidade aos eleitos, a gente vê isso todos os dias. Mas, o que eu dizia é que existem outras opções tão boas quanto as já citadas, como Eymael – que em grego significa ‘aquele que não desiste nunca’, o Mercadejante (agora no papel de professor), a Marta, que se apresenta como Marta Suplicy, evocando a seguir seu sobrenome de solteira, ai, achei tão meiga...



“Meu nome é Marta Suplicy. Smith de Vasconcellos de solteira”



Há uma candidata que considerou melhor não falar nada, então encomendou ao departamento de propaganda e marketing do evento uma música singela. E ela aparece congelada, com as mãozinhas cruzadas sobre o coração, sorrindo para os céus! Não vou votar nela, mas tenho certeza de que a peça publicitária tem tudo para fazer da moça um boom político. Ah, tem também uma mocinha sorumbática que fala por um partido esquisito, ela também esquisitíssima, sem expressão, sem modulação na voz e nenhum movimento dos músculos da face, os olhos parados na cara – ao lado dela há o desenho de uma foice, e eu, muito ignorante, associei o cenário àquela senhora de preto, cuja visita ninguém deseja receber.Como eu, muitos eleitores devem ser umas bestas e por isso excelentes candidatos não são compreendidos nas suas campanhas, é uma pena. Entretanto, a culpa não nos cabe. Tivessem os governos, investido mais em educação e informação, todos saberíamos votar, é a minha ideia. Como não se preocuparam com isso, a esquisita não atinge a população, olha a desgraça!



“Vote 20 e qualquer coisa”



Adoro ver e ouvir V. Exa. Metalurgíssima creditar todos os feitos de seu governo à Boneca Terrorista de Ventríloquo que, aliás, mudou do vinho para a água e se tornou uma Barbie Guerrilheira de Grife. O sorriso de Estela, Wilma, Patrícia (o que vier, ela traça), na versão ‘cabelos nas ventas by Celso Kamura’, é tão natural quanto o passeio com o cachorro contratado para fazer figuração na propaganda. Quando O Cara conta tudo o que ela fez sem nunca ter ocupado uma única cadeira através de votos, fico pensando no potencial trem-bala dessa mulher! Antes, eu nunca soube de seus feitos inúmeros e importantíssimos para o país crescer e se tornar, entre outras conquistas, perdedor nos testes educacionais internacionais e parceiro de Ahmmadnejad, aleluia!

Netinho de Paula... Conhece a letra do pagode?



“Vai ficar legal, Netinho no Senado no maior astral...”



Sério mesmo só o Romeu Tuma, candidato ao Senado. Disputa a vaga com Oquifio Dumaégua da Silva em biografia, já que os dois têm filhos rebeldes, por isso mesmo falam de segurança, contra a corrupção, e têm o apoio do chinês Paulo Li, empresário da...de...do...enfim...daquele telefone...dos vistos...produtos…bem…ah, todo mundo já sabe. Surpreendentemente, os filhinhos desapareceram no ar, sumiram da mídia, papai Tuma e papai Dumaégua não querem ouvir falar nisso agora. O foco está na campanha. E como diria o Tony Ramos: “Punto e basta”. Hehehehe...

Last, but not least, a contribuição do combatente jornalismo da minha cidade, através da perspicácia de um jornalista de jornal impresso diário, que pergunta ao candidato local a uma vaga de deputado:



“Qual é o seu CURRAL eleitoral?” (E o cara…responde...)



* Duas observações da minha empregada: 1. há um candidato que prega salário mínimo de R$ 2.500,00, mas ela não quer que o cara seja eleito, pois tem certeza de que eu, professora aposentada, não só não terei como pagá-la mensalmente como ainda vou disputar emprego com ela no mercado de trabalho (“E a senhora fala inglês, né?”); 2. quando se separar, ela pede a Deus que lhe dê um ex tal e qual o Suplicy: que encha a boca de mel ao falar dela...

DOCA publicou esta crônica em: http://www.papolivre.com.br





domingo, 29 de agosto de 2010

LEMBRANDO A CRISE DA VARIG




Quando da crise da Varig, empresa aérea brasileira, com tradição desde os primórdios da aviação, empregando na época mais de 11 mil brasileiros precisou de ajuda, o ministro Mantega disse que o governo não iria emprestam nem um centavo para a mesma, porque o dinheiro é do contribuinte. Pois bem, vamos ver o que aconteceu em seguida: O BNDES emprestou alguns milhões de reais para a Venezuela do boquirroto Hugo Chaves para construção do metrô de Caracas, gerando emprego para milhares de venezuelanos; emprestou mais alguns milhões de reais para a Bolívia do índio cocaleiro Evo Morales, depois deste roubar, a "mano militari" as instalações da Petrobrás e ainda concordar com a alta do preço do gás que importamos do pobre hermanito, importante frisar que o empréstimo se destinou a construção de uma estrada que vai beneficiar especificamente a região produtora de coca, quase toda exportada para o Brasil onde destrói grande parte de nossa mocidade; depois de perdoar uma dívida antiga do ditador Fidel Castro, emprestou 450 milhões de dólares para Cuba melhorar seus portos, estradas e rede hoteleira; emprestou milhões para a Rede Globo, com juros subsidiados e a perder de vista além de lhe dar outros milhões em propaganda; tentando se promover internacionalmente, perdoou dívidas de países africanos governados por tiranos sanguinários num montante superior a 700 milhões de dólares; permitiu aos bancos a exploração absurda do povo brasileiro com as mais altas taxas de juros do mundo, tipo 9,66% a.m. no cheque especial com elevação para 22% a.m no caso de inadimplência, destruindo lares e empresas brasileiras; patrocinou a absurda aventura do "astronauta" brasileiro ao custo de mais de 20 milhões de reais; comprou o Aerolula, que custou um absurdo, cerca de 55 milhões de dólares, de empresa estrangeira quando outros governos adquirem aviões da Embraer; acrescente-se a tudo isto os gastos absurdos com os cartões corporativos - sem controle do TCU por alegada segurança nacional - e a luxuosa reforma do palácio presidencial que custou também um absurdo. E o mensalão, onde milhões de reais foram roubados do "erário" sem que até hoje ninguém tenha sido punido? Onde estava o senhor Mantega enquanto tudo isto acontecia? Isto é apenas um mísero resumo do que tem acontecido com o nosso dinheiro. Ah, e a Varig? Ela que se dane, assim como seus milhares de empregados...



sábado, 28 de agosto de 2010

O FASCISMO ESTÁ DE RONDA - MARLI GONÇALVES




A vontade é de sair por aí, cutucando todo mundo que encontro, chamando a atenção, conversando com calma, expondo a situação, mostrando imagens e notícias. Ei, você já viu o que estão fazendo com as liberdades? Ei, percebeu que não tem havido garantias mínimas dos cidadãos, em todo mundo? Caracolas, afinal, em que mundo você vive?



O perigo das massas não diz respeito só a engordar. O sujeito histérico de bigodinho rente, cara de maluco e mãozinha esticada. Milhões de outros esticando a mãozinha também. O discurso do todo mundo igual, treinado, vindo do homem de cara feia, fardado, que de Duce não tinha nada. Qual a diferença do sujeito atarracado - o ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-il? E do outro baixinho, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad? São todos assassinos, mandantes, bárbaros, alucinados imbuídos de poderes e com domínio impressionante da comunicação e marketing.

Como são tão - ou mais - escrotos, midiáticos e sanguinários do que os outros, bem, esses dois últimos são visíveis, digamos assim. E Hitler e Mussolini já eram; só que foram, mas deixaram suas ideias de jerico e liderados aficionados.

Nós cantávamos e contávamos favas. Dizíamos-nos contentes, batendo no peito, celebrando que o horror jamais voltaria; que aqueles fatos horrorosos, como o Holocausto, Hiroshima, Nagasaki, jamais se repetiriam, porque o mundo estaria eternamente alerta. Era o fim das ditaduras, as da região "dos bananas" latino- americanos e outros, tribais, como as guerras africanas. Seria o fim da perseguição religiosa, racial, contra minorias.

Acho que desligaram esse alarme. Na última semana, mais de 300 ciganos foram deportados na França, como animais enxotados pelo elegante presidente Nicolas Sarkozy e sua linda primeira-dama, Carla Bruni. Depois de conseguir o apoio de Itália, a França ainda vai tentar convencer outros países da Europa a expulsar os ciganos, num congresso sobre imigração organizado para 6 de Setembro. Qual será o próximo?

Há alguns dias soubemos da chacina, fuzilamento, aniquilamento, assassinato cruel de 72 pessoas na fronteira do México com os EUA. Não é muito diferente do número de pessoas esperando por punições no Irã, por qualquer coisa que tenham dito que fizeram. Nem podem escolher entre apedrejamento, fuzilamento, forca, mutilação. Esqueceram das ocupações violentas do Haiti, das mortes nas fronteiras daqui de cima.

Vou chegando mais perto. Qual poder reveste os traficantes e donos dos morros e favelas cariocas a ponto de a própria polícia e autoridades mostrarem-se sem forças, e os governantes considerarem suas áreas como ocupações fortificadas? Um novo cangaço?

Favelas de São Paulo têm virado tochas, em um movimento claro de ocupação não só imobiliária de áreas nobres, como também de demonstração de força, da lei do quem-manda-aqui. O terror. São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo já parou, sob a ameaça do PCC naqueles terríveis e inesquecíveis dias de maio. Isso foi esquecido? Todas aquelas mortes? Ônibus tostando? Fuzilamentos à luz do dia?

Esse clima de X versus Y, Copa do Mundo, Brasil ame-o ou deixe-o, inclusão, inserção digital e outras tem nos deixado a cada dia mais individualistas, e isso não é nada bom para quem pretende um, pelo menos, algum, Futuro. Não podemos ligar a maquininha do "foderaiser", em sua forma mais aportuguesada, por menos que tenhamos relações com alguns fatos. Lembre sempre: a próxima vítima posso ser eu, você, nós todos.

Ao nosso lado, uma dirigente tenta fechar jornais; o ditador volta à vida; o general aparece cheio de comendas, arrotando nacionalismo, enfrentando potências, jogando povos contra povos.

Estamos com nossos dados particulares expostos como bundas na janela, de dados fiscais a pessoais. Andam querendo fazer leis até para dentro de nossas casas. A propaganda, direta e a subliminar, vem sendo inoculada nas veias, como um veneno letal, absorvido principalmente pelos mais jovens, que não viram, não sabem, não sentiram. E não estão nem querendo saber.

O caminho do perigo é conhecido. Não precisa ter bigodinho, nem levantar o bracinho nas multidões. Hoje a cara do fascismo é outra, mais palatável, repaginada, ares de modernidade. A estampa da caveira permanece, e não só nos paninhos do estilista metido a besta. Não são caveiras de bandeira pirata. Hoje, os piratas voltaram só a roubar, e nem bandeira têm.


• (*) Marli Gonçalves é jornalista. Preocupa-se muito quando minorias acham que estão fortes, que está tudo dominado; quando os miseráveis acreditam no sucesso... dos outros; quando a violência contra o próximo é ignorada, porque está no vizinho.

CARTA PARA CHICO BUARQUE - JOSÉ DANON


Chico, você foi, é e será sempre meu herói. Pelo que você foi, pelo que você é e pelo que creio que continuará sendo. Por isso mesmo, ao ver você declarar que vai votar no Lula “por falta de opção”, tomei a liberdade de lhe apresentar o que, na opinião do seu mais devoto e incondicional admirador, pode ser uma opção.

Eu também votei no Lula contra o Collor. Tanto pelo que representava o Lula como pelo que representava o Collor. Eu também acreditava no Lula. E até aprendi várias coisas com ele, como citar ditos da mãe. Minha mãe costumava lembrar a piada do bêbado que contava como se tinha machucado tanto. Cambaleante, ele explicava: “Eu vi dois touros e duas árvores, os que eram e os que não eram. Corri e subi na árvore que não era, aí veio o touro que era e me pegou.” Acho que nós votamos no Lula que não era, aí veio o Lula que era e nos pegou.

Chico, meu mestre, acho que nós, na nossa idade, fizemos a nossa parte. Se a fizemos bem feita ou mal feita, já é uma outra história. Quando a fizemos, acreditávamos que era a correta. Mas desconfio que nossa geração não foi tão bem-sucedida, afinal. Menos em função dos valores que temos defendido e mais em razão dos resultados que temos obtido. Creio que hoje nossa principal função será a de disseminar a mensagem adequada aos jovens que vão gerenciar o mundo a partir de agora. Eles que façam mais e melhor do que fizemos, principalmente porque o que deixamos para eles não foi grande coisa. Deixamos um governo que tem o cinismo de olimpicamente perdoar os “companheiros que erraram” quando a corrupção é descoberta.

Desculpe, senhor, acho que não entendi. Como é, mesmo? Erraram? Ora, Chico. O erro é uma falha acidental, involuntária, uma tentativa frustrada ou mal sucedida de acertar. Podemos dizer que errou o Parreira na estratégia de jogo, que erramos nós ao votarmos no Lula, mas não que tenham errado os zésdirceus, os marcosvalérios, os genoinos, dudas, gushikens, waldomiros, delúbios, paloccis, okamottos, adalbertos das cuecas, lulinhas, beneditasdasilva, burattis, professoresluizinhos, silvinhos, joãopaulocunhas, berzoinis, hamiltonlacerdas, lorenzettis, bargas, expeditovelosos, vedoins, freuds e mais uma centena de exemplares dessa espécie tão abundante, desafortunadamente tão preservada do risco de extinção por seu tratador. Esses não erraram. Cometeram crimes. Não são desatentos ou equivocados. São criminosos. Não merecem carinho e consolo, merecem cadeia.

Obviamente, não perguntarei se você se lembra da ditadura militar. Mas perguntarei se você não tem uma sensação de déjà vu nos rompantes de nosso presidente, na prepotência dos companheiros, na irritação com a imprensa quando a notícia não é a favor. Não é exagero, pergunte ao Larry Rother do New York Times, que, a propósito, não havia publicado nenhuma mentira. Nem mesmo o Bush, com sua peculiar e texana soberba, tem ousado ameaçar jornalistas por publicarem o que quer que seja. Pergunte ao Michael Moore. E olhe que, no caso do Bush, fazem mais que simples e despretensiosas alusões aos seus hábitos ou preferências alcoólicas no happy hour do expediente.

Mas devo concordar plenamente com o Lula ao menos numa questão em especial: quando acusa a elite de ameaçá-lo, ele tem razão. Explica o Aurélio Buarque de Hollanda que elite, do francês élite, significa “o que há de melhor em uma sociedade, minoria prestigiada, constituída pelos indivíduos mais aptos”. Poxa! Na mosca. Ele sabe que seus inimigos são as pessoas do povo mais informadas, com capacidade de análise, com condições de avaliar a eficiência e honestidade de suas ações. E não seria a primeira vez que essa mesma elite faz esse serviço. Essa elite lutou pela independência do Brasil, pela República, pelo fim da ditadura, pelas diretas-já, pela defenestração do Collor e até mesmo para tirar o Lula das grades da ditadura em 1980, onde passou 31 dias. Mas ela é a inimiga de hoje. E eu acho que é justamente aí que nós entramos.

Nós, que neste país tivemos o privilégio de aprender a ler, de comer diariamente, de ter pais dispostos a se sacrificar para que pudéssemos ser capazes de pensar com independência, como é próprio das elites - o que, a propósito, não considero uma ofensa -, não deveríamos deixar como herança para os mais jovens presentes de grego como Lula, Chávez, Evo Morales, Fidel - herói do Lula, que fuzila os insatisfeitos que tentam desesperadamente escapar de sua “democracia”. Nossa herança deveria ser a experiência que acumulamos como justo castigo por admitirmos passivamente ser governados pelo Lula, pelo Chávez, pelo Evo e pelo Fidel, juntamente com a sabedoria de poder fazer dessa experiência um antídoto para esse globalizado veneno. Nossa melhor herança será o sinal que deixaremos para quem vem depois, um claro sinal de que permanentemente apoiaremos a ética e a honestidade e repudiaremos o contrário disto. Da mesma forma que elegemos o bom, destronamos o ruim, mesmo que o bom e o ruim sejam representados pela mesma pessoa em tempos distintos.

Assim como o maior mal que a inflação causa é o da supressão da referência dos parâmetros do valor material das coisas, o maior mal que a impunidade causa é o da perda de referência dos parâmetros de justiça social. Aceitar passivamente a livre ação do desonesto é ser cúmplice do bandido, condenando a vítima a pagar pelo malfeito. Temos opção. A opção é destronar o ruim. Se o oposto será bom, veremos depois. Se o oposto tampouco servir, também o destronaremos. A nossa tolerância zero contra a sacanagem evitará que as passagens importantes de nossa História, nesse sanatório geral, terminem por desbotar-se na memória de nossas novas gerações.

Aí, sim, Chico, acho que cada paralelepípedo da velha cidade, no dia 1º de outubro, vai se arrepiar.

Seu admirador número 1,
Zé Danon.
José Danon é economista e consultor de empresas

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

MINISTRO DO STF SUSPENDE CORREÇÃO DE PLANOS ECONÔMICOS



Ministro do STF suspende correção de planos econômicos
Decisão vale até julgamento da matéria pelo plenário do Supremo.
Nesta quarta, STJ havia decidido que bancos devem pagar correção.
Débora Santos Do G1, em Brasília

O ministro do STF José Antonio Dias Toffoli decidiu suspender a correção de planos econômicos .

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli concedeu nesta sexta-feira (27) duas liminares a bancos e entidades que representam o setor suspendendo todas as decisões e recursos em tramitação na Justiça brasileira sobre a correção das cadernetas de poupança por causa dos planos econômicos Bresser, Verão e Collor I.

A decisão vale até que a matéria seja analisada pelo plenário do STF e não se aplica a processos em fase de execução definitiva e às transações efetuadas ou que vierem a ser incluídas.

O pedido de liminar foi feito pelos Bancos do Brasil, Itaú, Caixa Econômica Federal e Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif). Nesta quarta (25), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia decidio condenar bancos a pagarem diferenças de correção monetária das cadernetas de poupança pleiteadas por correntistas, durante a vigência dos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II. Esses planos foram lançados no final da década de 80 e primeira metade da década de 90 para conter a inflação.

A liminar concedida nesta tarde por Toffoli suspende os efeitos da decisão do Superior Tribunal de Justiça, menos para o plano Color II. Como o assunto tramita também no Supremo, durante o julgamento no STJ, o Ministério Público Federal chegou a pedir que fosse aguardada a decisão do STF sobre o assunto. Mas a maioria dos ministros da 2ª seção do tribunal decidiu levar o julgamento adiante.

"Não vejo motivo para suspendermos [o julgamento]. Se o STF decidir [diferente], vamos ter que mudar nossa jurisprudência de qualquer jeito", argumentou o ministro Luis Felipe Salomão.

Em ações individuais, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) estima que existam cerca de 700 mil representações questionando na Justiça as perdas geradas pelas mudanças na correção das cadernetas de poupança, no valor de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões.

Em ações coletivas, há, ainda de acordo com o instituto, pouco mais de mil ações, envolvendo milhões de pessoas. Com as ações coletivas incluídas na conta, o valor devido pelos bancos poderia chegar a R$ 60 bilhões, estima o Idec.