sábado, 20 de março de 2010

VONTADE DE AÇO - MARCOS COIMBRA



VONTADE DE AÇO

Prof. Marcos Coimbra

Conselheiro-Diretor do CEBRES, Professor de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.

Apenas uma vontade de aço dos patriotas ainda existentes no Brasil poderá impedir que o país naufrague em uma ditadura constitucional a exemplo de Cuba ou Venezuela, no curto prazo. Enquanto lamentamos a tragédia sofrida pelos nossos bravos irmãos chilenos, deveremos aprender com o exemplo ímpar oferecido por eles. Por várias vezes já tiveram seu território atingido com violência impiedosa pelas forças da Natureza, a exemplo de agora, mas souberam reagir e reconstruíram sua Pátria, tijolo por tijolo. Isto porque venceram, como, temos a certeza, vencerão novamente os fatores adversos surgidos. Qual seu segredo? Eles possuem um povo digno, culto, bem preparado, educado, capaz de pensar no Bem Comum. Podem ser derrubados, mas não se entregarão jamais.

Já estivemos por duas vezes no Chile e aprendemos a admirar e respeitar aquilo que eles possuem de melhor, ou seja, o povo chileno. Eles apreciam o povo brasileiro e recebem-nos muito bem. Outro exemplo marcante é a pujança da sua democracia, forte o suficiente para permitir a saudável alternância de poder, apesar da enorme popularidade de sua presidente. O seu objetivo maior não foi impor seu sucessor, mas assegurar o bem estar de seu povo. E as Instituições chilenas garantem o sucesso da transição, mesmo na grave situação ora vivenciada.

Sua situação econômica é uma das melhores, se não a melhor, da América do Sul. Souberam acumular reservas ponderáveis ao longo do tempo, com a criação de um Fundo justamente para prover as necessidades prementes a serem saciadas como no momento. Estimativas anunciam que são capazes de atender, com recursos próprios, pelo menos a metade do necessário para fazer o país voltar à normalidade. A qualidade de sua classe política, seja qual for a tendência ideológica, é muito superior à nossa. Não existem “mensalões” nem da oposição, nem do governo.

Não temos terremotos, nem grandes vulcões, nem tsunamis, felizmente. Possuímos recursos naturais abundantes e um território continental. Contudo, temos que evoluir muito no tocante a nossos recursos humanos. A qualidade da educação brasileira é cada vez pior. Nossos estudantes estão saindo das faculdades semi-analfabetos. O ensino básico é um dos piores na classificação mundial. A adoção de cotas raciais envenena por dentro o sistema de ensino. Os mestres são desprestigiados e abandonados. Até sua segurança física corre risco mesmo dentro das escolas. A remuneração é indigna e as condições de trabalho inglórias. Nunca existem recursos para o que é mais importante na vida de uma pessoa: a educação. Mas eles existem em abundância para outras atividades. Banqueiros, grupos financeiros, multinacionais e empreiteiros nunca ganharam tanto quanto na administração petista.

Não faz bem à saúde praticar oposição a uma administração totalitária como em Cuba, onde os prisioneiros políticos morrem em greve de fome, em pleno século XXI, ou na Venezuela, na qual as passeatas contra a ditadura bolivariana é dissolvida a tiros ou então com “carinhosos” espancamentos com bolas de ferro medievais, recheadas de grampos externos, causadores de ferimentos graves, ou em outros países não respeitadores de direitos humanos, como a China, Camboja, Vietnã e outros. E o Brasil começa a caminhar na mesma direção. Dois governadores de oposição à administração lulista já foram cassados (Paraíba e Maranhão) do final de 2008 até o presente. Um terceiro está em processo acelerado de degola (Brasília) pelas mesmas razões que deveriam também atingir centenas de outros executivos municipais, estaduais e federais, que continuam impunes, debochando das autoridades.

A mãe de todos os “mensalões” (a dos 40 delinquentes, chefiados pelo cassado José Dirceu) ainda permanece sob apreciação do Supremo Tribunal Federal (STF), correndo o sério risco de cair em prescrição. Fica a óbvia pergunta: por que a Justiça é tão rápida na punição aos acusados pertencentes à oposição e tão lenta no tocante aos acusados ligados à administração federal? Será porque mais da metade dos componentes das mais altas cortes do país foi nomeada por Lula? Até o Kassab quiseram apanhar. Agora, enquadram os ex-governadores Garotinho e Rosinha, os quais estão atrapalhando o projeto de poder do atual governador Sérgio Cabral. Aliás, o vídeo que está sendo divulgado pela Internet no qual ele lança a candidatura da Dilma no carnaval, em um inglês digno do treinador Joel Santana, é motivo para sérias reflexões do eleitorado. O que é aquilo? E o TSE permanece inerte diante da campanha eleitoral escandalosa de Dilma.

O mais importante é o fato de que as eleições de outubro deste ano nunca foram tão importantes na história do Brasil. Não é uma eleição igual as outras, pois caso Dilma ganhe, nunca mais os petistas sairão do poder. Serão sucedidos pela reeleição de Lula ou da própria Dilma, caso ela ainda tenha saúde para isto. Como já são detentores do controle dos escalões médios na estrutura federal e em estatais, além do domínio dos denominados “movimentos sociais” (MST, Via Campesina e outros) e de organizações antes altamente críticas como a UNE etc., somando-se a isto o exercício do poder formal da administração federal, será impossível a possibilidade de alternância no poder. Os demais partidos serão apenas sublegendas do PT ou do lulismo. Será que nossos gênios políticos ainda não perceberam isto?

Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br

Sítio: www.brasilsoberano.com.br (Artigo escrito em 08.03.10 para o MM).

ESCÂNDALO BANCOOP

Parece que desta vez o escândalo do Bancoop não vai ficar no esquecimento, pois, ao contrário de outros desvios, que atingem uma população inominada, agora a roubalheira atingiu em cheio famílias que sacrificaram suas vidas, suas economias e pagaram prestações que viraram fumaça, encaminhadas que foram para o famoso "caixa 2" do PT, o que para Zé Dirceu, não é crime, é apenas um meio de pagar as despesas partidárias. As pessoas lesadas estão reclamando e não vão deixar a coisa esfriar. Tomara...
Publicado no: Diário da Manhã (GO) em 22/03/2010 e
Correio da Bahia (BA) em 23/03/2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

LULA ESTÁ TRAINDO A PRÓPRIA HISTÓRIA - JOSE NÊUMANNE


Nas greves do ABC o presidente ajudou a derrubar o regime que a luta de Dilma prolongou

As elites do exterior – ou pelo menos a parte delas que se jacta de ser civilizada – reagiram com estupefação à saraivada de disparates com os quais noço líder genial dos povos da floresta, da roça e da periferia urbana tem ferido de morte valores fundamentais do convívio humano, tais como a vida, a verdade e a liberdade. Antes encantados com o desempenho satisfatório da economia nacional no contexto da crise mundial e movidos pela mauvaise conscience quanto aos pobres da Terra, cuja redenção é a anunciada meta do “messias” Luiz Inácio Lula da Silva, os europeus agora torcem o nariz a sua bajulação à selvagem tirania cubana dos irmãos Castro. E os americanos o paparicam na certeza de que ele compreenderá que o mundo não põe Ahmadinejad contra a parede, mas o iraniano é que ameaça a sobrevivência do gênero humano. E usará o prestígio que amealhou entre os politicamente corretos do planeta para defender causas justas.

Quem conhece Lula sabe muito bem que ele não mudou tanto assim, desde que emergiu no País como líder dos sindicalistas do ABC paulista até nossos dias. Para os terráqueos bem-pensantes, o pedreiro negro Orlando Zapata, que morreu em consequência de uma greve de fome nos cárceres de Cuba, é um mártir da democracia. Para o menino retirante que chegou ao governo de uma das dez maiores economias planetárias, contudo, o cubano foi apenas um tolo, incapaz de perceber a verdadeira natureza teatral da decisão de parar de comer para constranger moralmente o adversário mais forte. “Ora, já fiz greve de fome”, disse o representante supremo do maior herói popular brasileiro, o malandro. “Malandro que é malandro não bobeia”, cantou o sambista Jorge Benjor. E, ainda que prefira Zeca Pagodinho a Jorge, Lula conhece esse meio de vida e o emprega como garantia de sobrevivência e códig o de conduta. O espertalhão come doces e bolachinhas escondido, como um faquir de fancaria, na calada da noite, enquanto os “otários” dormem. Sua debochada gargalhada com Fidel no anúncio da morte do dissidente equivale a um puxão de orelhas na vítima: “Não era preciso chegar a tanto, idiota!”

Essa nata acadêmica mundial que ignorava a Constituição de Honduras e, por isso, rotulou de golpe militar o que era defesa da democracia civil não consegue suportar a brutal comparação dos dissidentes cubanos com os criminosos comuns brasileiros. Mas o respeito incondicional à “Justiça” cubana e a redução da luta política correta e legítima pelo direito de agir e falar livremente ao banditismo comum feita pelo chefe de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia condizem com o que os três entendem que sejam poder e política. A índole dessa gente, forjada na militância estudantil e no peleguismo sindical, reinterpreta a “ética da conveniência” de Max Weber à luz da submissão de tudo ao “companheirismo”, não no sentido da camaradagem solidária, mas definindo o instinto mafioso de compadres.

Quem renega a traição de Lula aos mais sagrados princípios humanitários, no caso cubano ou na estulta adesão ao Irã dos aiatolás, só para dizer aos americanos que eles não devem se achar os únicos reis da cocada preta no planeta, não se deu conta das dimensões dessa traição. Pois ela é mais sutil e diz respeito a ele mesmo, sem que se aperceba disso quem o bajula para seguir a voga igualitária. Ao ignorar os apelos dos dissidentes cubanos, por se julgar um “estadista” (imagine só o que Winston Churchill acharia disso!) que só lida com o interesse público de Estado para Estado, e ao fechar os olhos à ignomínia iraniana, ele trai mesmo é sua vida e sua lenda. E não só pela greve de fome que fez sem chegar às últimas consequências. Ao explicar sua gargalhada desumana, indiferente à repressão brutal de Fidel e Raúl à oposição, como um preito à autonomia da “Justiça” da ti rania, Luiz Inácio Lula da Silva jogou fora sua biografia, seu maior feito e o mito que ele é. O presidente é um herói da democracia que ora preside por haver enfrentado – mais por manha que com coragem – os cânones da tecnoburocracia do regime militar numa específica área da Justiça, a Trabalhista. Em sua genialidade ignorante de malandro espertalhão, que nunca bobeia, Lula fecha hoje em Cuba a porta que no Brasil ajudou a abrir há 35 anos, aos solavancos e empurrões, mesmo não dispondo de musculatura nem de convicções para fazê-lo. Quem está condenando sua negação dos princípios básicos da manutenção da vida e da decência nem sequer percebeu essa traição à sua venerável biografia.

E sabe ainda menos que, por chocante que seja a desumanidade da opção que ele tem feito contra a humanidade no Caribe como no Oriente, esta oferece menos riscos que outro pontapé que deu em sua biografia. Ao liderar as greves do ABC, o sindicalista ajudou a derrubar o monstro de pés de barro do regime de exceção dos quartéis e das pranchetas. E agora lança mão desse farto cacife histórico apostando-o inteirinho na obsessiva tarefa de levar ao centro do poder Dilma Rousseff, sobrevivente da luta armada contra a ditadura. Lido assim, tudo parece perfeitamente coerente. Mas há uma diferença fundamental: ela pode até ter sido uma jovem idealista, mas seu ideal era derrubar uma ditadura para pôr outra, de esquerda, no lugar. Não contribuiu, então, para trocar o arbítrio de direita pelo Estado Democrático de Direito. Hoje, mesmo tendo perdido a guerra suja e ajudado a prolo ngar a vigência das trevas, os companheiros da utopia cruenta da favorita de Lula para seu lugar querem calar a dissidência, como fazem Castro e Ahmadinejad, seus modelos de poder e de gestão.

O cidadão decidirá nas urnas se isso ocorrerá, ou não. Mas, se chegarem lá, eles deverão o feito inédito de alcançarem o topo do pódio tendo perdido o confronto armado graças ao prestígio e à força conferidos a Lula na vitória do ar livre e fresco sobre o bolor fétido dos porões, na qual a participação dele foi decisiva.

José Nêumanne jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

(Publicado na pág. A2 de O Estado de S. Paulo na quarta-feira 17 de março de 2010)

quarta-feira, 17 de março de 2010

PT VETA NA CÂMARA MOÇÃO DE APOIO A PRESOS POLÍTICOS


O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) submeteu ao plenário uma moção de solidariedade aos presos políticos de Cuba.
Curto e objetivo, o texto anota: “A Câmara manifesta moção de irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que em Cuba lutam pela liberdade e democracia”.
Temer abriu os microfones para que os líderes pudessem encaminhar a votação. Deu-se, então, o inusitado. O PT pegou em lanças contra a moção.
Discursando em nome da liderança petista, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) atacou o autor do requerimento, Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Referindo-se ao passado de Bolsonaro, militar da reserva do Exército, conhecido pelo apoio à ditadura, Valverde disse:
“Causa-nos estranheza que, quem protocolou essa moção, no passado defendeu a ditadura. Pela incoerência, somos contrários”.
Temer tentou contemporizar. Disse que o texto, em sua versão original, propunha “uma moção de apoio mais vigorosa”.
Esclareceu que, a pedido da presidência da Câmara, Bolsonaro negociara com líderes partidários e enxugara a moção.
O petista Valverde não se deu por achado: “Boa parte dessas informações não provem de fonte segura, mas de opositores do regime cubano...”
“...a crítica não vem da sociedade cubana, mas daqueles que resistem ao regime, financiados pelos EUA”.
Estabeleceu-se em plenário uma atmosfera de polêmica. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foi ao microfone:
“Ficar contra essa moção é o mesmo que dizer que é contra a liberdade e a democracia. Só o PT teve coragem de assumir essa posição”.
Ao farejar o cheiro de queimado, Temer deu meia-volta. Suspendeu a votação. Informou que levaria o texto da moção a uma reunião com os líderes.
Comprometeu-se a devolver o tema ao plenário na próxima terça (23). Líder do PSDB, o deputado João Almeida (BA) interveio.
Lembrou a Temer que, por orientação da presidência, os líderes já haviam negociado o texto. “Reflete a posição da maioria”, disse.
Almeida acrescentou: “É impossível fazer uma moção em termos mais brandos do que essa. Sob pena de expressar uma posição vacilante, inadmissível...”
“...Ao atacar o deputado Bolsonaro, o PT parece não acreditar na conversão dos homens. Isso não é argumento”.

Temer recusou-se a voltar atrás: “Já fiz declarações públicas, em nome da Câmara, de solidariedade a todos os que lutam por liberdades no mundo...”
“...Mas o meu dever é manter unidade no plenário. Vou levar a matéria aos líderes para tentarmos chegar a um texto comum. Se não houver, trarei a moção ao plenário”.
A despeito do adiamento da votação, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) não se conteve:
“Todo esse interesse da oposição em debater Cuba tem o objetivo de combater o presidente Lula...”
“...Ele está no Oriente Médio, procurando construir a paz no mundo. Alguns parlamentares querem deformar o debate...”
“...Por que não incluem na moção o fim do embargo a Cuba e o fim da base militar de Guantânamo? Cuba está construindo o seu país. Vamos construir o nosso”.
O argumento de Mourão, por ridículo, não fica em pé. No debate sobre Cuba, Lula dispensa desmoralizou-se por conta própria. Não precisou da oposição.
Ao se contrapor à moção de teor anódino, o PT vai no mesmo caminho.

Escrito por Josias de Souza às 21h

CONSIDERO O PRESIDENTE LULA UM ASSASSINO - GUILLERMO FARINAS


O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há 18 dias, segue em estado grave, porém estável, e continuará no hospital nos próximos dias. Em entrevista à JP, ele explicou que a greve de fome é um protesto contra a morte de Orlando Zapata Tamayo, preso político que morreu após passar 85 dias em greve de fome.

Para o dissidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é cúmplice do assassinato de Zapata.

“Considero que Lula é um assassino, ele poderia ter cancelado a visita a Cuba, mas não fez isso e preferiu negociar com o país”.

De acordo com o cubano, Lula pode ser considerado um assassino ao lado de Raul Castro pois, para eles, Orlando Zapata Tamayo era um preso comum, e os líderes não respeitaram sua memória.

Site da Jovem Pan
Postado por Marverde - Blog da Resistência Democrática
http://resistenciademocratica.blogspot.com

PPV - CRESCIMENTO, PADRINHO, ETC ...DOCA RAMOS DE MELLO



O senador Oquifio Dumaégua da Silva está entusiasmadíssimo porque seu partido, o rebatizado PPV – Partido Puta Veia (“véia”, de que a imbecilidade da reforma da língua arrancou o acento), tem tudo para bombar nas próximas eleições!

Em recente comunicado via peça publicitária, ele fala sobre o crescimento do PPV, além de convidar partidários, simpatizantes, amigos, correligionários, apaniguados et caterva para a inauguração do busto do ator Paulo Betti, na sede da agremiação, em Brasília, escolhido que foi como seu padrinho intelectual. “Somos gratos ao grande ator que nos deu o mote mais glorioso que o partido podia ter, quando afirmou ser impossível fazer política sem botar a mão na merda, esse Betti é um filósofo, um pensador, um grande puta veia, só falta agora se candidatar, hehehe”, disse Dumaégua.

O PPV prima pelo deboche e pelas escâncaras de toda sorte de falcatruas, roubos, corrupção, conluios, poucas vergonhas, ordinarices, enfim, tudo o que de mais sórdido, nojento e podre possa haver na vida política. Para Dumaégua, quanto mais ordinário e escancarado for o político, maiores chances ele tem de cair no gosto popular, se eleger, ficar rico rapidamente e armar uma sofisticada organização criminosa com fins altamente lucrativos. Enfim, ser feliz neste país onde, segundo ele, “só dá o duro quem é burro demais” para não entender que a vida pública é o melhor e mais curto caminho para as riquezas. “E ficar milionário não é o sonho de qualquer Zé Mané?”, pergunta rindo.

A seguir, os trechos mais relevantes do comunicado.



“O caso do Arruda foi uma beleza para o Puta Veia, foi glorioso! O governador botou a mão na grana e depois disse com candura tratar-se de dinheiro de panetone, ah, foi uma atitude claramente putaveística! Muito embora estivesse no DEM, Arruda já era puta veia desde sempre, o episódio anterior, do painel, foi maravilhoso também, 100% puta veia, adorei. O PPV cresce porque as pessoas estão perdendo, com a graça de Deus, os mais ínfimos resquícios de pouca vergonha, o nosso ideal é erradicar esse entrave para maiores conquistas, ora, pouca vergonha não enriquece ninguém, não dá charme a ninguém. Acaso o Arruda, carequinha, velho e sem graça, ia arrumar essas mulheres lindíssimas que ele tem aos montes se não fosse um ladrão forrado de dinheiro? E onde ele arrumou tamanha grana? Trabalhando é que não foi, que trabalhando se pode apontar aí uma meia dúzia de abnegados tipo Abílio Diniz e outros bocós, que passaram a vida inteira suando o lombo e só seus netos é que vão deitar e rolar. Mesmo assim, se não trabalharem também, não cuidarem bem do negócio, vai tudo para o beleléu. No Puta Veia, não, você enriquece já, você mesmo aproveita o bem-bom já, e não tem perigo de sua fortuna virar poeira porque entra sempre mais e mais sem você fazer força nenhuma, sacumé?”



“Podemos citar Agaciel Maia, que putaveiou desde criancinha, mas agora desfraldou a bandeira e sai candidato para ter foro privilegiado, de que por sinal nem vai precisar mais porque só foi suspenso, grande Agaciel Maia! É mesmo uma cria de outro putaveista renomado, o Sarney, que lhe deu régua e compasso para que ele aprendesse o caminho das pedras. E Agaciel é bom aluno, agradecido, parceiro, fez tudinho o que o homem incomum pediu a ele, sem pestanejar. Resultado: mansão, grana, prestígio. Até trio elétrico ele já agitou para a campanha, roda pelas ruas de Brasília o caminhão dele, todo paramentado, tenho certeza de que será eleito, não é glorioso? Ia ficar em casa lambendo as feridas, sofrendo por uma merreca? Ora, um puta veia encara tudo isso como ganho, um puta veia não arrefece, não perde tempo com disfarces, um puta veia escancara. Olhe, até fiz um slogan p’ra ele, ‘com Agaciel, cargo no Senado é sopa no mel’, hehehe”.



“Tivemos a satisfação de poder contar também com a filiação da Deputada da Bolsa Grande, ah, as mãos de Eurídice, hehehe, mãos ávidas, rápidas, a Eurídice foi filmada num momento lindo de sua carreira política, recebendo uma baba! Gosto disso, é a mulher exercendo os direitos iguais, o Brasil é democrático, sem preconceito. O Deputado da Meia também já é um puta veia juramentado, saiu com uma conversa de que o acontecido foi algo antropofágico, canibal, sei lá, mas achei aquilo liiiindo, mais escancarado, impossível, puro deboche! E a oração puta veia, incrível! São novidades supremas do PPV. Quanto ao advogado de Arruda, pretendo marcar sua filiação com sessão solene, pois a defesa que fez do cliente dele, ao chamar o local onde está aprisionado de “masmorra”, mesmo com ar-condicionado, persianas e frigobar, revelou seu brilhantismo, um legítimo puta veia. Masmorra, quá, quá, quá, essa é boa demais!”



“Gostaria de filiar o ZéDirceu, mas ele é o típico hors-concours, naturalmente independente, um prócer. Por enquanto, só estamos usando uma frase dele, que eu adaptei e ficou assim: “O Puta Veia rouba e deixa roubar, desde que os saques sejam divididos entre nós”. Bacana, heim? Também já contamos com Berzoini, Pimentel e Vaccari, todos são ótimos, grandes putas veias. Puxa, tenho inveja do Vaccari, 100 milhões de uma tacada, um bando de idiotas vendo navios até hoje em lugar de apartamentos, e o Vacca ainda os chamou de maus pagadores, caloteiros, quá, quá, quá... Isso é que é pôr a mão na merda, PQP!”



“Glória das glórias, nem preciso dizer que V. Exa. Metalurgíssima é o maior puta veia de todos nós, um exemplo, um líder, um espetáculo. Quem não soube de sua declaração de que a “Justiça” de Cuba deve ser respeitada?! Quá, quá, quá, eu racho o bico, vai ser puta veia assim em Conceição do Mato Dentro!!! Cá p’ra nós, o maior sonho dos cubanos é sair daquela ilha miserável, o povo se mete em jangadas vagabundas e enfrenta o oceano, arriscando a vida, só para tirar o pescoço daquela corda. E quem consegue isso nunca mais volta lá nem para visitar a família até porque se visitar, se arrisca a conversar com Jesus, hehehe, Fidel mata gente na maior, sem esquentar a cabeça, morasse no Brasil e seria um filiado nosso, afinal aqui também já mataram prefeitos, sumiram aí com umas boas testemunhas, ah, O Cabra é um humorista, o PPV adora esse lado humor negro dele, cada piada...”.
DOCA publicou esta crôncia em - http://www.papolivre.com.br

segunda-feira, 15 de março de 2010

A COLISÃO ENTRE UM POLITICO SEM GRANDEZA E UM ESTADISTA - AUGUSTO NUNES


Óscar Rafael de Jesús Arias Sánchez (Heredia, 13 de setembro de 1940) é um político da Costa Rica. Foi presidente de seu país no período 1986-1990. Por ter proposto um acordo de paz para a América Central, foi agraciado com o Nobel da Paz de 1987. Voltou a ser eleito presidente em 2006, para o período 2006-2010.


Traídos pela indiferença ultrajante do Itamaraty, afrontados pela infame hostilidade do presidente da República, presos políticos cubanos e dissidentes em liberdade vigiada endereçaram ao presidente da Costa Rica o mesmo pedido de socorro que Lula rechaçou. Fiel à biografia admirável, Oscar Arias nem esperara pela chegada do apelo (que o colega brasileiro ainda não leu) para colocar-se ao lado das vítimas do arbítrio. Já estava em ação ─ e em ação continua.

Neste sábado, Arias escreveu sobre o tema no jornal espanhol El País. O confronto entre o falatório de Lula e trechos do artigo permite uma pedagógica comparação entre os dois chefes de governo:

LULA: “Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por fazer uma greve de fome. Vocês sabem que sou contra greve de fome porque já fiz greve de fome”.
ARIAS: “Uma greve de fome de 85 dias não foi suficiente para convencer o governo cubano de que era necessário preservar a vida de uma pessoa, acima de qualquer diferença ideológica. Não foi suficiente para induzir à compaixão um regime que se vangloria da solidariedade que, na prática, só aplica a seus simpatizantes. Nada podemos fazer agora para salvar Orlando Zapata, mas podemos erguer a voz em nome de Guillermo Fariñas Hernández, que há 17 dias está em greve de fome em Santa Clara, reivindicando a libertação de outros presos políticos, especialmente aqueles em precário estado de saúde”.

LULA: “Eu acho que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto para libertar pessoas em nome dos direitos humanos. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”.
ARIAS: “Seria perigoso se um Estado de Direito se visse obrigado a libertar todos os presos que decidirem deixar de alimentar-se. Mas esses presos cubanos não são como os outros, nem há em Cuba um Estado de Direiro. São presos políticos ou de consciência, que não cometeram nenhum delito além de opor-se a um regime”.

LULA: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos”.
ARIAS: “Não existem presos políticos nas democracias. Em nenhum país verdadeiramente livre alguém vai para a prisão por pensar de modo diferente. Cuba pode fazer todos os esforços retóricos para vender a ideia de que é uma “democracia especial”. Cada preso político nega essa afirmação. Cada preso político é uma prova irrefutável de autoritarismo. Todos foram julgados por um sistema de independência questionável e sofreram punições excessivas sem terem causado danos a qualquer pessoa”.

LULA: “Cada país tem o direito de decidir o que é melhor para ele”.
ARIAS: “Sempre lutei para que Cuba faça a transição para a democracia. (…) O governo de Raúl Castro tem outra oportunidade para mostrar que pode aprender a respeitar os direitos humanos, sobretudo os direitos dos opositores. Se o governo cubano libertasse os presos políticos, teria mais autoridade para reclamar respeito a seu sistema político e à sua forma de fazer as coisas”.

LULA: “Não vou dar palpites nos assuntos de outros países, principalmente um país amigo”.
ARIAS: “Estou consciente de que, ao fazer estas afirmações, eu me exponho a todo tipo de acusação. O regime cubano me acusará de imiscuir-me em assuntos internos, de violar sua soberania e, quase com certeza, de ser um lacaio do império. Sem dúvida, sou um lacaio do império: do império da razão, da compaixão e da liberdade. Não me calo quando os direitos humanos são desrespeitados. Não posso calar-me se a simples existência de um regime como o de Cuba é uma afronta à democracia. Não me calo quando seres humanos estão com a vida em jogo só por terem contestado uma causa ideológica que prescreveu há anos. Vivi o suficiente para saber que não há nada pior que ter medo de dizer a verdade”.