Pelo visto, o nosso governo está firmemente decidido a implantar esse projeto
absolutamente fora das prioridades nacionais. A criação da Empresa de
Planejamento e Logística (EPL), vulgo Balabrás, não traria nenhum problema maior
ao país, salvo a despesa com algumas centenas de funcionários perpétuos e, no
máximo, um edifício sede, o que não aumentaria muito o déficit. Seria apenas
mais uma tema publicitário do governo, gerador de votos nas próximas eleições.
Entretanto, a implantação parece ser um objetivo real e inegociável da nossa
presidenta. Pelo visto, vai ser iniciada e, depois disso, ou vai até o fim, a
custos (e desvios de verbas para a corrupção) enormes, ou degringola, como o
desvio do rio São Francisco, deixando enormes problemas subsequentes. Os trens
de alta velocidade, nos países onde existem (os Estados Unidos não o
implantaram, apesar de sua extensão territorial ser como a nossa), só foram
implantados depois da malha ferroviária normal estar cobrindo totalmente as
necessidades do país. Os TAV, ou dão baixos retornos, ou são deficitários. Um
luxo de países ricos. Esta decisão, qual seja a de investir num projeto que irá
beneficiar uma minoria, de nível de rendimento elevado, em detrimento de setores
que estão necessitando urgentemente de verbas para aliviar o sofrimento da
população que enfrenta, por exemplo, miseravelmente, as escandalosas
deficiências da saúde pública, cujas verbas são insuficientes e - como é normal
- com parcelas desviadas é, no mínimo, imoral. Como decidir implantar um
caríssimo projeto de ferrovia que só pode receber os TAV, quando não temos uma
malha ferroviária normal, que poderia ser utilizada tanto para carga como para
passageiros, a custo de uma fração do megalomaníaco projeto? Como saber se, em
todos esses anos em que o TAV será implantado, nossa economia poderá bancar o
projeto? Nosso Governo não considera os ridículos índices de crescimento da
nossa economia antes de entrar num projeto dessa envergadura,(*) que absorverá
enormes recursos por muitos anos? Realmente, o subdesenvolvimento se manifesta
em todas as oportunidades. Mas, desta vez, vai ficar mais caro. Nelson
Carvalho nscarv@gmail.com- São Paulo
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O TREM-BALA, UMA TRAGÉDIA NACIONAL - NELSON CARVALHO
O TREM-BALA, UMA TRAGÉDIA NACIONAL
(*) sem contar os estádios e outras obras para a Copa e a Olimpíada...
domingo, 16 de dezembro de 2012
ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS - REINALDO AZEVEDO
15/12/2012
às
20:56 - Por REINALDO
AZEVEDOESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS – Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo?
É
do balacobaco!
Desde
que Sérgio Gabrielli, o buliçoso ex-presidente da Petrobras, deixou a empresa,
os esqueletos não param de pular do armário. A presidente Dilma Rousseff o pôs
para correr. Ele se alojou na Secretaria de Planejamento da Bahia e é tido como
o provável candidato do PT à sucessão de Jaques Wagner. Dilma, é verdade, nunca
gostou dele, desde quando era ministra. A questão pessoal importa menos. Depois
de ler o que segue, é preciso responder outra coisa: o que ela pretende fazer
com as lambanças perpetradas na Petrobras na gestão Gabrielli? Uma delas, apenas
uma, abriu um rombo na empresa que passa de UM BILHÃO DE DÓLARES. Conto os
passos da reportagem da impressionante reportagem de Malu Gaspar na VEJA desta
semana. Prestem atenção!
1: Em janeiro de 2005, a
empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana
chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$
42,5 milhões. Por que tão
barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões
americanos.
2: ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com
aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira
e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por
US$ 360 milhões! Vocês
entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 22,5 milhões
(a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$
360 milhões. 1500%
de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se
encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi
um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa
razoável”.
3
– Um dado importante: o
homem dos belgas que negociou com a Petrobras éAlberto
Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido
funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra
nos EUA. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor
Cerveró, à frente da área
internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de
privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró
é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.
Calma!
O escândalo mal começouSe
você acha que o que aconteceu até agora já dá cadeia, é porque ainda não sabe do
resto.
4
– A Pasadena Refining
System Inc., cuja metade a Petrobrás comprou dos belgas a preço de ouro, vejam
vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado
pesado. Para tanto, seria preciso um investimento de mais US$
1,5 bilhão! Belgas e
brasileiros dividiriam a conta, a menos que…
5
– … a menos que se desentendessem! Nesse caso, a
Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de
6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!
6
– E não é que o
desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato
e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros
US$ 700 milhões. Ulalá!
Isso foi em 2008. Lembrem-se
que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 45 milhões! Já haviam
passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões
pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros,
certo?
7
– É aí que entra a
então ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff,então presidente do Conselho de
Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma
esculhambada em Gabrielli numa reunião.DEPOIS
NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.
8
– A Petrobras se negou
a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do
“pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. APetrobras
teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões,
mas US$
839 milhões!!!
9
– Depois de tomar na
cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não
serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única
proposta, da multinacional americana Valero. O
grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.
10
– Isto mesmo: a
Petrobras comprou metade
da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a
ficar com a
outra metade por US$ 839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo
operacional continuado, terá
de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de uma dos milagres da gestão
Gabrielli: como transformar US$ 1,199 bilhão em US$ 180 milhões; como
reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.
11
– Graça Foster, a atual
presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta,
terá de incorporar
um espeto de mais de US$ 1 bilhão.
12
- Diz o procurador do
TCU Marinus Marsico: “Tudo
indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno
ano eleitoral”.
13 – Dilma,
reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no
assunto.
EncerroDurante
a campanha eleitoral de 2010, o então presidente da Petrobras, José Sérgio
Gabrielli, fez propaganda de modo explícito, despudorado. Chegou a afirmar, o
que é mentira descarada, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante
a sua gestão, tinha planos de privatizar a Petrobras.
Leram
o que vai acima? Agora respondam: quem privatizou a Petrobras? E noto, meus
caros: empresas privadas não são tratadas desse modo porque seus donos ou
acionistas não permitem. A Petrobras, como fica claro, foi privatizada, sim, mas
por um partido. Por isso, foi tratada como se fosse terra de
ninguém.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
EMPRESAS CANCELAM PALESTRAS COM LULA ... - JORGE SERRÃO
Empresas cancelam palestras
com Lula que agora teme revelações e dossiês de Valério, Cachoeira e Vieira
Edição
do Alerta Total – www.alertatotal.net
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Exclusivo – Além da pressão psicológica que pode fazer mal a um tratamento pós-câncer, o palestrante transnacional Luiz Inácio Lula da Silva já começa a sentir os prejuízos das recentes denúncias de corrupção em torno de seu santo nome. Seis grandes empresas cancelaram palestras que fariam com o líder máximo do Instituto Lula. Três eventos foram adiados no Brasil. Dois cancelados em Portugal e outro não mais acontecerá em Moçambique.
O Rosegate exala cada vez mais cheiro de esgoto para o lado do mito Lula da Silva. A petralhada mensaleira se borra de vez com a certeira ameaça de que Marcos Valério, Carlinhos Cachoeira e Paulo Vieira vão apontar quem era o verdadeiro chefe que comandava os inúmeros esquemas de corrupção. A temporada de delação premiada tende a evoluir para uma deletação dos principais integrantes do Governo do Crime Organizado. O cagaço é geral na grande fossa em torno do Palácio do Planalto.
O medo de sempre é o crime politicamente insepulto de Celso Daniel – prefeito petista de Santo André sequestrado, torturado e assassinado em janeiro de 2002. Agora, o promotor de Justiça paulista Roberto Wider Filho intimará Marcos Valério Fernandes de Souza a confirmar a informação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi extorquido em R$ 6 milhões pelo empreiteiro de lixo Ronan Maria Pinto. O MP quer saber se o milionário “pedágio” para parar de ameaçar Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho sobre o hediondo crime contra Daniel foi usado por Ronan na compra do jornal "Diário do Grande ABC", em 2003.
O novo medinho vem do baiano Paulo Vieira. O diretor exonerado da Agência Nacional de Águas mandou avisar que não sairá da Operação Porto Seguro como o chefe da quadrilha. Vieira ameaça denunciar “gente graúda” – bem acima dele. O fato concreto e explosivo é que Vieira era parceiro de Rosemary Nóvoa Noronha – apadrinhada de Lula da Silva na chefia de gabinete da Presidência da República em São Paulo. Vieira negocia uma delação premiada que pode tornar ainda mais deficitária a conta moral da petralhada – uma espécie de rato de esgoto que, se não for extinta, deve ser banida da vida pública diretamente para a privada.
Pavor maior ainda é se Carlinhos Cachoeira realmente desaguar tudo que sabe. Outro que negocia uma delação premiada, o goiano Carlos Augusto Ramos representa uma ameaça ainda mais perigosa para a cúpula petralha. Com seus vídeos, gravações e documentos comprometedores, armazenados em núvem e com familiares de confiança, Cachoeira tem tudo para criar problemas para a Presidência da República (na gestão passada e na atual) e para muitos governadores e prefeitos. Basta que Cachoeira revele o mar de bosta em torno da empreiteira Delta (líder do PACo e das mais superfaturadas obras do País).
A revelação dos bastidores de negociatas dos mais variados escândalos (Celso Daniel, Mensalão, Rosegate e Delta-Cachoeira) pode derrubar muitos “condomínios” da República Sindicalista do Crime Organizado. A alta cúpula do Poder Judiciário, incluindo Ministério Público, Polícia Federal e organismos de inteligência do Brasil e do exterior, nunca na história deste Pais teve tanto apoio para promover delações premiadas que redundem em deletações de políticos corruptos.
A governança do Crime Organizado, marcada pela parceria criminosa entre os podres poderes estatais e bandidos de toda espécie, inviabiliza o desenvolvimento de negócios transnacionais no Brasil. O atual combate ao crime não ocorre por puritanismo moralista, na romântica luta do bem contra o mal. Delações deletarão bandidos do poder porque, simplesmente, a Oligarquia Financeira Transnacional – que sempre investiu em nossos corruptos para explorar o Brasil – agora não aguenta mais pagar tanta taxa criminosa de pedágio para um bando de ladrões fora de controle.
O momento é de salve-se quem puder. Por isso, Presidenta Dilma Rousseff propagandeia na mídia internacional o seu discurso anti-corrupção. As recentes palavras de Dilma ao jornal francês Le Monde sinalizam que, se o tempo fechar institucionalmente por aqui, ela deseja ser poupada e viabilizada como a “faxineira” que apertará o botão da descarga: “Não tolero corrupção. Se há suspeitas fundadas, a pessoa deve partir”.
Semânticamente, numa análise neurolinguística precipitada, o inconsciente coletivista de Dilma poderia estar se referindo ao seu antecessor. Afinal, Lula da Silva exercia uma evidente presidência parelela usando dois elementos de extrema confiança: Rose no gabinete presidencial paulista e Gilberto Carvalho na secretaria geral de Dilma. Como Lula ainda não partiu, agora pode sair partido. O problema da Dilma é ser obrigada a lhe prestar constante fidelidade, com declarações públicas de apoio e exaltação de uma honestidade que fica cada vez mais difícil de comprovar na prática.
O perigo de bagunça institucional se agrava com o conflito entre o desgastado Poder Legislativo e o Poder Judiciário – cuja cúpula surfa na ilusória onda de “salvadores da Pátria”. Com o Poder Executivo afundado no mar de esgoto, o Judiciário tenta se credenciar como o “Poder Moderador” (historicamente exercido pelos militares, depois que derrubaram o Império e proclamaram a República que nunca serviu aos interesses brasileiros).
Tal plano, financiado ocultamente pelos grandes investidores transnacionais, vai ter um final feliz para o Brasil e para os brasileiros?
Eis a grande pergunta que fica sem resposta até que a Profecia Maia sobre o Brasil se concretize, algum dia, quem sabe...
Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Exclusivo – Além da pressão psicológica que pode fazer mal a um tratamento pós-câncer, o palestrante transnacional Luiz Inácio Lula da Silva já começa a sentir os prejuízos das recentes denúncias de corrupção em torno de seu santo nome. Seis grandes empresas cancelaram palestras que fariam com o líder máximo do Instituto Lula. Três eventos foram adiados no Brasil. Dois cancelados em Portugal e outro não mais acontecerá em Moçambique.
O Rosegate exala cada vez mais cheiro de esgoto para o lado do mito Lula da Silva. A petralhada mensaleira se borra de vez com a certeira ameaça de que Marcos Valério, Carlinhos Cachoeira e Paulo Vieira vão apontar quem era o verdadeiro chefe que comandava os inúmeros esquemas de corrupção. A temporada de delação premiada tende a evoluir para uma deletação dos principais integrantes do Governo do Crime Organizado. O cagaço é geral na grande fossa em torno do Palácio do Planalto.
O medo de sempre é o crime politicamente insepulto de Celso Daniel – prefeito petista de Santo André sequestrado, torturado e assassinado em janeiro de 2002. Agora, o promotor de Justiça paulista Roberto Wider Filho intimará Marcos Valério Fernandes de Souza a confirmar a informação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi extorquido em R$ 6 milhões pelo empreiteiro de lixo Ronan Maria Pinto. O MP quer saber se o milionário “pedágio” para parar de ameaçar Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho sobre o hediondo crime contra Daniel foi usado por Ronan na compra do jornal "Diário do Grande ABC", em 2003.
O novo medinho vem do baiano Paulo Vieira. O diretor exonerado da Agência Nacional de Águas mandou avisar que não sairá da Operação Porto Seguro como o chefe da quadrilha. Vieira ameaça denunciar “gente graúda” – bem acima dele. O fato concreto e explosivo é que Vieira era parceiro de Rosemary Nóvoa Noronha – apadrinhada de Lula da Silva na chefia de gabinete da Presidência da República em São Paulo. Vieira negocia uma delação premiada que pode tornar ainda mais deficitária a conta moral da petralhada – uma espécie de rato de esgoto que, se não for extinta, deve ser banida da vida pública diretamente para a privada.
Pavor maior ainda é se Carlinhos Cachoeira realmente desaguar tudo que sabe. Outro que negocia uma delação premiada, o goiano Carlos Augusto Ramos representa uma ameaça ainda mais perigosa para a cúpula petralha. Com seus vídeos, gravações e documentos comprometedores, armazenados em núvem e com familiares de confiança, Cachoeira tem tudo para criar problemas para a Presidência da República (na gestão passada e na atual) e para muitos governadores e prefeitos. Basta que Cachoeira revele o mar de bosta em torno da empreiteira Delta (líder do PACo e das mais superfaturadas obras do País).
A revelação dos bastidores de negociatas dos mais variados escândalos (Celso Daniel, Mensalão, Rosegate e Delta-Cachoeira) pode derrubar muitos “condomínios” da República Sindicalista do Crime Organizado. A alta cúpula do Poder Judiciário, incluindo Ministério Público, Polícia Federal e organismos de inteligência do Brasil e do exterior, nunca na história deste Pais teve tanto apoio para promover delações premiadas que redundem em deletações de políticos corruptos.
A governança do Crime Organizado, marcada pela parceria criminosa entre os podres poderes estatais e bandidos de toda espécie, inviabiliza o desenvolvimento de negócios transnacionais no Brasil. O atual combate ao crime não ocorre por puritanismo moralista, na romântica luta do bem contra o mal. Delações deletarão bandidos do poder porque, simplesmente, a Oligarquia Financeira Transnacional – que sempre investiu em nossos corruptos para explorar o Brasil – agora não aguenta mais pagar tanta taxa criminosa de pedágio para um bando de ladrões fora de controle.
O momento é de salve-se quem puder. Por isso, Presidenta Dilma Rousseff propagandeia na mídia internacional o seu discurso anti-corrupção. As recentes palavras de Dilma ao jornal francês Le Monde sinalizam que, se o tempo fechar institucionalmente por aqui, ela deseja ser poupada e viabilizada como a “faxineira” que apertará o botão da descarga: “Não tolero corrupção. Se há suspeitas fundadas, a pessoa deve partir”.
Semânticamente, numa análise neurolinguística precipitada, o inconsciente coletivista de Dilma poderia estar se referindo ao seu antecessor. Afinal, Lula da Silva exercia uma evidente presidência parelela usando dois elementos de extrema confiança: Rose no gabinete presidencial paulista e Gilberto Carvalho na secretaria geral de Dilma. Como Lula ainda não partiu, agora pode sair partido. O problema da Dilma é ser obrigada a lhe prestar constante fidelidade, com declarações públicas de apoio e exaltação de uma honestidade que fica cada vez mais difícil de comprovar na prática.
O perigo de bagunça institucional se agrava com o conflito entre o desgastado Poder Legislativo e o Poder Judiciário – cuja cúpula surfa na ilusória onda de “salvadores da Pátria”. Com o Poder Executivo afundado no mar de esgoto, o Judiciário tenta se credenciar como o “Poder Moderador” (historicamente exercido pelos militares, depois que derrubaram o Império e proclamaram a República que nunca serviu aos interesses brasileiros).
Tal plano, financiado ocultamente pelos grandes investidores transnacionais, vai ter um final feliz para o Brasil e para os brasileiros?
Eis a grande pergunta que fica sem resposta até que a Profecia Maia sobre o Brasil se concretize, algum dia, quem sabe...
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
O HUMANISTA QUE AMAVA STALIN - RODRIGO CONSTANTINO
O humanista que amava Stalin, por Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino, O Globo
Oscar Niemeyer era quase uma unanimidade. A reação à sua morte comprova
isso. Mas será que tanta reverência se deve somente às suas qualidades
artísticas? Muitos consideram que Niemeyer foi um gênio. Não sou da área, não me
cabe julgar. Ainda assim, não creio que tanta idolatria seja fruto apenas de
suas curvas.
Tenho dificuldade de entender por que o responsável pelo caríssimo projeto
da construção de Brasília, o oásis dos políticos corruptos afastados do
escrutínio popular, mereceria um prêmio em vez de um castigo. Por acaso as
pirâmides do Faraó eram boas para o povo? Mas divago.
Eis a questão: por que Niemeyer foi praticamente canonizado? Minha tese é
que ele representava o ícone perfeito da CHEC
(Comunistas Hipócritas da Esquerda Caviar). No Brasil, você
pode ser podre de rico, viver no maior conforto de frente para o mar, mamar nas
tetas do governo, desde que adote a retórica socialista.
Falar em “justiça social” enquanto enche o bolso de dinheiro público,
isso merece aplausos por aqui. Já o empresário
que defende o capitalismo, produz bens demandados pelo povo e não depende do
governo é visto como o vilão. Os discursos sensacionalistas
valem mais do que as ações concretas. Imagem é tudo!
As curvas traçadas pelo “poeta do concreto”, que considerava o dinheiro
algo “sórdido”, custavam caro. Quase sempre eram pagas pelos nossos impostos.
Foram dezenas de milhões de reais só do governo federal. Muito adequado o
velório ter sido no Palácio do Planalto, o maior cliente do arquiteto. Licitação
e concorrência? Isso é coisa de liberal chato.
Niemeyer virou um ícone contra o excesso de razão nas construções, mas
acabou com extrema escassez de razão em suas ideias políticas. Sempre esteve do lado errado, alimentado por um antiamericanismo
patológico. Defendeu os terroristas das Farc, os invasores do MST e o execrável
regime comunista, mesmo depois de cem milhões de vidas inocentes sacrificadas no
altar dessa ideologia.
Ele admirava os tiranos assassinos Fidel
Castro e Stalin, e chegou a justificar seus fuzilamentos. Até o fim de sua longa
vida, usou sua fama para disseminar essa utopia perversa, envenenando a cabeça
de jovens enquanto desfrutava do conforto capitalista.
No meu Aurélio, há uma palavra boa para definir pessoas assim, que
curiosamente vem antes de “craque” e depois de “crânio”. Talvez Niemeyer fosse
as três coisas ao mesmo tempo.
Roberto Campos certa vez disse: “No meu dicionário,
‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser
generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais
igual que os outros.” Bingo!
Para quem ainda não está convencido de que toda essa comoção tem ligação
com sua pregação política, pergunto: seria a mesma coisa se ele defendesse com
tanta paixão Pinochet em vez de Fidel Castro? A tolerância seria a mesma se, em
vez de Stalin, fosse Hitler o seu guru?
E não me venham dizer que são coisas diferentes! Tanto Stalin como Hitler eram monstros, da mesma forma que
o comunismo e o nacional-socialismo são igualmente nefastos. Que grande
humanista foi esse homem que defendeu até seu último suspiro algo tão desumano
assim?
Acho compreensível o respeito pela obra de Niemeyer, ainda que gosto seja
algo subjetivo e que a simbiose com o governo mereça críticas. Entendo o
complexo de vira-lata que faz o povo babar com os poucos brasileiros famosos
mundialmente. Mas acho inaceitável misturarem as
coisas e o colocarem como um ícone do humanismo. Não faz o menor
sentido.
Seu brilhantismo como artista não lhe dá um
salvo-conduto para a defesa de atrocidades. É preciso saber
separar as coisas, o gênio artístico do homem e suas ideias. E tenho certeza de
que não é apenas sua arquitetura que gera essa idolatria toda. Basta ver a
reação quando questionamos a pessoa, não o arquiteto.
Sua neta Ana Lúcia deixou clara a confusão: “As ideias que ele tentou
passar de humanismo, justiça social, isso é tão importante quanto as obras dele.
Acho que a gente tem que preservar e difundir o pensamento dele.” Como
assim?
Aproveito para avisar que sou sensível ao sofrimento das vítimas do
comunismo, mas sou imune à patrulha ideológica da CHEC. A afetação seletiva da
turma “humanista” não me sensibiliza. É até cômico ser rotulado de radical por
stalinistas.
Por fim, espero que Niemeyer chame logo seu camarada Fidel Castro para um
bate-papo onde ele estiver, e que lá seja tão “paradisíaco” como Cuba é para os
cubanos comuns. Talvez isso o faça finalmente mudar de ideologia...
Rodrigo Constantino é economista
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
FAVOR, COM FAVOR SE PAGA!
Há tempos, quando Sarney, presidente do senado, que estava em tremenda
crise, pois Sarney estava sofrendo uma
saraivada de acusações de corrupção o
então presidente Lula em viagem à Ásia, conversando
com repórteres, saiu em defesa do homem dos Marimbondos de Fogo: - “Sarney tem
história no Brasil suficiente para que não seja tratado com se fosse uma pessoa
comum”.
Agora, com Lula envolvido no Rosegate e também no Mensalão, aquele escândalo
que ele disse primeiramente que: foi
traído, depois que todos faziam a mesma coisa e finalmente que o mensalão nunca
existiu, quanto às denúncias de Marcos
Valério que em depoimento à Procuradoria
Geral da República afirmou que Lula sabia de tudo, que deu OK para as negociações
de empréstimos fajutos com os Bancos BMG e Rural, verbas que depois foram
repassadas ao PT e que teve despesas
pessoais pagas pelo esquema, Sarney saiu em defesa do ex-presidente Lula usando
quase que as mesmas palavras –“O depoimento de Valério é uma profunda
inverdade porque a pessoa que disse não tem autoridade para falar sobre o presidente
Lula, que é um patrimônio do Pais, da história do País, por sua vida e tudo que
ele tem feito”.
É com o diz o ditado: -Favor, com
favor se paga!
É incrível a cara de pau deste monarca do Maranhão em defesa daquele que já
o qualificou como criatura vil e desprezível e outras coisinhas mais.
Só para constar, hoje, em París, Lula disse: -"É tudo mentira!"
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
UM PAÍS SÉRIO? - HUMBERTO DE LUNA FREIRE FILHO
Cai a máscara do governo e o mundo começa a ter certeza que o Brasil não é
um país sério, ao mesmo tempo em que os mais velhos relembram a célebre frase do
"profeta" Charles de Gaulle, dita há mais de cinquenta anos.
Acabo de ver foto em uma das principais revistas do país, onde aparece
muito à vontade, em um balneário da Bahia, um ladrão já condenado em última
instância a quase onze anos de prisão, e tendo como convidada a amiga Rosemary,
secretária e cacho do corrupto ex-presidente, o blindado "Capo di tutti i
Capi".
Essa secretária prestava serviços burocráticos no escritório da presidência
da República em São Paulo e, mesmo não sendo bilingue, acompanhava o corrupto,
então presidente, em suas viagens ao exterior e lhe prestava serviços extras na
suite presidencial do motel voador conhecido popularmente como Aerolula quando o
mesmo cruzava o Atlântico em viagens inúteis, muitas vezes para reverenciar
dirigentes que compõem a escória ditatorial do terceiro mundo, queimando
querosene pago por nós.
A mim não interessa a vida particular de cada um, seja ele um simples
servidor ou um presidente da república. O que eu não admito é saber que meu
dinheiro, transformado em imposto e que deveria ser revertido em beneficio da
sociedade, seja destinado a financiar as orgias, conforme veio a público, de um
mau caráter que, por despreparo do eleitorado, chegou à presidência da república
e, em seguida, reeleito com a conivência e apoio do que há de mais podre na
política nacional. Esse salafrário durante oito anos não conseguiu perceber o
limite entre o público e o privado.
Não é mera coincidência, se analisarmos as origens dessa gentalha, Rosemary
será mais uma que responderá na justiça também por usar órgão público para a
formação de quadrilhas. Na república de Macunaíma, os chefes de quadrilhas se
entendem, divertem-se bastante, gastam o dinheiro roubado do erário e a classe
média, calada e impotente, paga a conta. infelizmente isso deverá continuar por
muito tempo porque do país do futebol, do carnaval e agora das novelas não
podemos esperar nenhuma demonstração de cidadania que possa restabelecer a ética
e a moral há muito extintas.
É verdade que esses fatos não chegam ao conhecimento e nem interessaria aos
35% da população que vivem de esmola; são coitados, analfabetos e semi
analfabetos que só esperam uma única coisa, ter sua esmola depositada
mensalmente e em troca dar seu voto ao candidato indicado pelo partido. Um
programa de inclusão social segundo o governo; uma compra de votos para os não
idiotas.
Os fatos, hoje de domínio público, pouco interessam aos beneficiários do
sistema que não querem perder a boquinha e muito menos aos grandes empresários
que mandam no BNDES. No rastro dessa podridão, esse bando de corruptos ainda
contam com uma imprensa marrom, que vive da rica e superfaturada publicidade
oficial para dar divulgação aos feitos do governo e defender os "malfeitos"
(leia-se roubo) da bandidagem oficial em parceria com a extra oficial.
Os 25% da sociedade que produzem não merecem isso. Chega da pouca vergonha
promovida por essa, repito, gentalha, que contamina os três poderes da Nação e
os três níveis de governo. Na verdade, não são eles indivíduos portadores de
erros inatos, congênitos, apenas e infelizmente são moldados pelo Partido dos
Trabalhadores, um verdadeiro berçário de corruptos que os distribui e
supervisiona nos principais cargos da adminstração pública. Hoje o Estado
brasileiro além de aparelhado está repleto de ladrões.
Humberto de Luna Freire Filho
domingo, 9 de dezembro de 2012
O STF E A REPÚBLICA - EROS ROBERTO GRAU
O STF e a República
08 de dezembro de 2012 | 2h 08
O Estado de S.Paulo
Em entrevista ao Estadão (13/11, H8), José Murilo de Carvalho observa que os
oito anos de Lula ficarão marcados em nossa História pelo avanço na inclusão
social, o que chama de democracia; mas não se destacará, continua, pelo que
chama de República. Como sou cidadão deste país e, por isso, devo respeito e
acatamento aos julgamentos do Poder Judiciário, nada posso concluir senão que a
res publica foi violada. E de tal sorte que o dano não é compensado pelo
avanço.
De mais a mais, sentido crítico bem atilado, esse avanço haveria de vir, em qualquer circunstância, como exigência do processo de legitimação do modo de produção social dominante. Podem dizer que os termos desta conclusão denunciam uma maneira antiga de raciocinar. Não importa que seja velha, se ainda explica o permanente discreto fascínio de quem domina e os interesses que continuam a prevalecer mesmo quando a inclusão social se amplia.
Mais importante é afirmarmos o quanto devemos de respeito e acatamento, enquanto cidadãos, ao Poder Judiciário, em especial, hoje e sempre, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em especial porque o STF, de modo diverso do que andaram a dizer por aí, não surpreendeu por ser independente. Simplesmente foi o que haveria de ser.
Num tempo, como o nosso, em que o Estado ainda é outra face da sociedade civil, o STF nada mais permanece a ser senão uma porção dela. O Estado é uma totalidade indivisível. Não pode ser fissurado em facções, grupos ou poderes. Assim se prestará ao seu fim, que instrumenta ordem, segurança e paz, para o bem do mercado. A separação dos Poderes, enunciada como "lei eterna", oculta o fato de que o Estado, para ser Estado, é e há de ser uma totalidade.
A organização estatal em funções viabiliza, aprimorando-o, seu funcionamento. Aqui e ali há interpenetração delas, mas o Legislativo produz as leis, o Executivo as aplica e o Judiciário nos julga (e a eles também). Todos deveriam vestir um manto de autoridade. Chamo-o assim, manto de autoridade, não porque detenham poderes. Autoridade é algo diferente do poder. É o saber-se o que se deve fazer, serenamente. Os romanos chamavam-na de auctoritas. Por isso - porque os magistrados, para o serem, são os que mais dela necessitam - os cidadãos a eles devem acatamento e respeito. A eles e a seus julgamentos.
Magistrados são para ser respeitados. Lembro episódios notáveis, do tempo em que a discrição era indissociável da pessoa do juiz e as transmissões das sessões de julgamento pela televisão não os havia banalizado. Um processo que viera às manchetes dos jornais, em São Paulo, subira ao Tribunal de Justiça, distribuído a um desembargador. Conta-me seu filho, hoje septuagenário, como eu, que uma sua irmã indagou à mesa do almoço de domingo: "Papai, o que você acha?". O bom juiz respondeu: "Não sei, minha filha, ainda não li os autos". Era assim. Nenhum membro de tribunal insistia no óbvio, justificando-se, pretendendo dar satisfações "ao público", como se ouviu, pela TV Justiça um dia destes.
Juízes de tribunais superiores são indicados pelo Executivo e o Legislativo participa de sua escolha. O juiz prudente, independente, tem para si ter sido indicado para o cargo que ocupe não pelo Sarney, pelo Itamar, pelo FHC ou pelo Lula, com inusitável intimidade, porém, singelamente, pelo presidente da República. Ao tribunal deve chegar sem que a ele tenha sido candidato, sem que faça alarde da própria pureza. Quem a oferece, essa pureza que a palavra enuncia, já a perdeu. Notório saber e reputação ilibada, no caso do Supremo e onde sejam recomendáveis, são para ser conservados durante o exercício do cargo. De reputação ilibada é aquele que, ao caminhar pela rua, merece o olhar respeitoso dos que passam. Apenas. Juízes e ministros de tribunais não são para ser elogiados. Não fazem mais do que a obrigação quando aplicam o direito positivo e a Constituição.
Os juízes não estão lá, nos seus cargos, para produzir equidade. Nem para fazer justiça com as próprias mãos. São servos da Constituição e das leis, servos de um sistema de normas jurídicas que se presta a assegurar um mínimo de calculabilidade e previsibilidade na prática das relações sociais. Precisamente nesse sentido a História avançou, limitando o poder da monarquia patrimonial, para afirmar a instituição do poder legislativo dos Parlamentos. Eis aí uma das tarefas primordiais do Estado moderno: a produção de uma ordem jurídica que garanta certeza e segurança jurídicas. Sem elas não haverá como vivermos em liberdade.
Por isso causa espanto - mais do que espanto, causa temores, apreensão - qualquer reação de desacato, e seja lá de quem for, ao quanto já decidiu, e venha a decidir, o STF no julgamento do chamado "mensalão". E assim seria em qualquer caso, ainda que a res publica não tivesse sido conspurcada, violada.
Nos tempos de menino, quando brincávamos de mocinho e bandido, era razoável que vez e outra mudássemos de torcida. Hoje, não. Se pretendermos viver honestamente, sem agredir os outros, contribuindo para o bem de todos, será indispensável acatarmos, com dignidade, as decisões, quando irrecorríveis, do Poder Judiciário. Não por que façam justiça. Pois é certo que, como dizia Kelsen, a justiça absoluta só pode emanar de uma autoridade transcendente, só pode emanar de Deus; temos de nos contentar, na Terra, com alguma justiça simplesmente relativa, que deve ser vislumbrada em cada ordem jurídica positiva e na situação de paz e segurança por esta mais ou menos assegurada.
Qualquer insurgência contra esta face do Estado que o STF é afronta à ordem e à paz social, prenuncia vocação de autoritarismo, questiona a democracia, desmente-a, pretende golpeá-la. Por isso é necessário afirmarmos, em alto e bom som, o quanto de respeito e acatamento devemos ao Poder Judiciário e em especial, hoje e sempre, ao Supremo Tribunal Federal. Sobretudo porque - repito-o - de modo diverso do que andaram a dizer por aí, o STF não surpreendeu por sua independência. Simplesmente foi o que e como haveria de ser.
EROS ROBERTO GRAU - PROFESSOR TITULAR APOSENTADO DA USP, FOI MINISTRO DO STF
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-stf-e-a--republica-,970876,0.htm
Publicado na página A/2- Espaço Aberto - jornal O Estado de São Paulo de 08/12/2012
De mais a mais, sentido crítico bem atilado, esse avanço haveria de vir, em qualquer circunstância, como exigência do processo de legitimação do modo de produção social dominante. Podem dizer que os termos desta conclusão denunciam uma maneira antiga de raciocinar. Não importa que seja velha, se ainda explica o permanente discreto fascínio de quem domina e os interesses que continuam a prevalecer mesmo quando a inclusão social se amplia.
Mais importante é afirmarmos o quanto devemos de respeito e acatamento, enquanto cidadãos, ao Poder Judiciário, em especial, hoje e sempre, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em especial porque o STF, de modo diverso do que andaram a dizer por aí, não surpreendeu por ser independente. Simplesmente foi o que haveria de ser.
Num tempo, como o nosso, em que o Estado ainda é outra face da sociedade civil, o STF nada mais permanece a ser senão uma porção dela. O Estado é uma totalidade indivisível. Não pode ser fissurado em facções, grupos ou poderes. Assim se prestará ao seu fim, que instrumenta ordem, segurança e paz, para o bem do mercado. A separação dos Poderes, enunciada como "lei eterna", oculta o fato de que o Estado, para ser Estado, é e há de ser uma totalidade.
A organização estatal em funções viabiliza, aprimorando-o, seu funcionamento. Aqui e ali há interpenetração delas, mas o Legislativo produz as leis, o Executivo as aplica e o Judiciário nos julga (e a eles também). Todos deveriam vestir um manto de autoridade. Chamo-o assim, manto de autoridade, não porque detenham poderes. Autoridade é algo diferente do poder. É o saber-se o que se deve fazer, serenamente. Os romanos chamavam-na de auctoritas. Por isso - porque os magistrados, para o serem, são os que mais dela necessitam - os cidadãos a eles devem acatamento e respeito. A eles e a seus julgamentos.
Magistrados são para ser respeitados. Lembro episódios notáveis, do tempo em que a discrição era indissociável da pessoa do juiz e as transmissões das sessões de julgamento pela televisão não os havia banalizado. Um processo que viera às manchetes dos jornais, em São Paulo, subira ao Tribunal de Justiça, distribuído a um desembargador. Conta-me seu filho, hoje septuagenário, como eu, que uma sua irmã indagou à mesa do almoço de domingo: "Papai, o que você acha?". O bom juiz respondeu: "Não sei, minha filha, ainda não li os autos". Era assim. Nenhum membro de tribunal insistia no óbvio, justificando-se, pretendendo dar satisfações "ao público", como se ouviu, pela TV Justiça um dia destes.
Juízes de tribunais superiores são indicados pelo Executivo e o Legislativo participa de sua escolha. O juiz prudente, independente, tem para si ter sido indicado para o cargo que ocupe não pelo Sarney, pelo Itamar, pelo FHC ou pelo Lula, com inusitável intimidade, porém, singelamente, pelo presidente da República. Ao tribunal deve chegar sem que a ele tenha sido candidato, sem que faça alarde da própria pureza. Quem a oferece, essa pureza que a palavra enuncia, já a perdeu. Notório saber e reputação ilibada, no caso do Supremo e onde sejam recomendáveis, são para ser conservados durante o exercício do cargo. De reputação ilibada é aquele que, ao caminhar pela rua, merece o olhar respeitoso dos que passam. Apenas. Juízes e ministros de tribunais não são para ser elogiados. Não fazem mais do que a obrigação quando aplicam o direito positivo e a Constituição.
Os juízes não estão lá, nos seus cargos, para produzir equidade. Nem para fazer justiça com as próprias mãos. São servos da Constituição e das leis, servos de um sistema de normas jurídicas que se presta a assegurar um mínimo de calculabilidade e previsibilidade na prática das relações sociais. Precisamente nesse sentido a História avançou, limitando o poder da monarquia patrimonial, para afirmar a instituição do poder legislativo dos Parlamentos. Eis aí uma das tarefas primordiais do Estado moderno: a produção de uma ordem jurídica que garanta certeza e segurança jurídicas. Sem elas não haverá como vivermos em liberdade.
Por isso causa espanto - mais do que espanto, causa temores, apreensão - qualquer reação de desacato, e seja lá de quem for, ao quanto já decidiu, e venha a decidir, o STF no julgamento do chamado "mensalão". E assim seria em qualquer caso, ainda que a res publica não tivesse sido conspurcada, violada.
Nos tempos de menino, quando brincávamos de mocinho e bandido, era razoável que vez e outra mudássemos de torcida. Hoje, não. Se pretendermos viver honestamente, sem agredir os outros, contribuindo para o bem de todos, será indispensável acatarmos, com dignidade, as decisões, quando irrecorríveis, do Poder Judiciário. Não por que façam justiça. Pois é certo que, como dizia Kelsen, a justiça absoluta só pode emanar de uma autoridade transcendente, só pode emanar de Deus; temos de nos contentar, na Terra, com alguma justiça simplesmente relativa, que deve ser vislumbrada em cada ordem jurídica positiva e na situação de paz e segurança por esta mais ou menos assegurada.
Qualquer insurgência contra esta face do Estado que o STF é afronta à ordem e à paz social, prenuncia vocação de autoritarismo, questiona a democracia, desmente-a, pretende golpeá-la. Por isso é necessário afirmarmos, em alto e bom som, o quanto de respeito e acatamento devemos ao Poder Judiciário e em especial, hoje e sempre, ao Supremo Tribunal Federal. Sobretudo porque - repito-o - de modo diverso do que andaram a dizer por aí, o STF não surpreendeu por sua independência. Simplesmente foi o que e como haveria de ser.
EROS ROBERTO GRAU - PROFESSOR TITULAR APOSENTADO DA USP, FOI MINISTRO DO STF
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-stf-e-a--republica-,970876,0.htm
Publicado na página A/2- Espaço Aberto - jornal O Estado de São Paulo de 08/12/2012
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