segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MENSALÃO VI - A CONFISSÃO DE LULA


Em visita à Presidente da argentina, Cristina Kirchner,  o ex-presidente Lulla, acabou por confessar que é sim réu do mensalão, o maior escândalo de corrupção do pais, contudo,  alega que foi absolvido pelo eleitores que o reelegeram mesmo após as denúncias da mídia e da Justiça.

Quanta cara de pau, primeiro negou que o “mensalão” tivesse existido, depois, pediu desculpas ao povo, alegando que foi traído, só não disse por quem, depois, e isto não tem preço, o STF comprovou,  por A mais B a existência do mesmo e assim estão sendo condenados seus participantes,  ou seja, a quadrilha dos petralhas  e seus aliados.  Como é de sua natureza faltar com a verdade de acordo com as suas conveniência, o que se podia esperar dele?

Temos acompanhado o andamento do julgamento do mensalão,  ou Ação Penal  470, vemos que excluindo os dois vendidos, que vocês sabem muito bem quem são,  os Ministros estão condenando os pilantras , faltando apenas,  uma última etapa: o julgamento por formação de quadrilha e a  definição das penas que, esperamos,  determine a condução dos mesmos para a cadeia. Outra coisa, será que já retiveram os passaportes dos mandriões?

Queremos ainda a devolução do que nos foi roubado!

O povo brasileiro, apesar da vergonha por terem juízes no Supremo com a falta de qualidade  dos  vendidos,  está de alma lavada, não esperávamos, na verdade,  este resultado para o julgamento do maior escândalo de corrupção  já praticado no Brasil.

Quando  ficamos contentes com esta mudança no panorama político do pais, estoura um novo estelionato, nosso honrados   e competentes Deputados, se desmoralizam mais um pouco, se isto é ainda possível,   oficializaram  vagabundagem na Câmara, votaram uma Lei para trabalharem apena três dias por semana,  pode? Não podemos esquecer que são os deputados mais caros do mundo e recebem até o 15º salário além de inúmeras mordomias que só existem no Brasil!
Está ai mais um estelionato que pode acabar nas mãos do Supremo

domingo, 21 de outubro de 2012

DESCENDO A LADEIRA - HUMBERTO DE LUNA FREIRE FILHO

 
O Brasil desce a ladeira: tem um PIB em baixa - 1,5%, confirmando as previsões dos organismos internacionais, previsões essas duramente criticadas pelo governo que as classificou de "pura piada", enquanto mentia para a população que seria em torno 4%. Digo eu, "pura má fé".
Tem uma inflação em alta - 6,5%, prenúncio do desmoronamento do Plano Real que, diga-se de passagem, deu sustentação a esses dirigentes corruptos por oito anos e fez a fortuna de alguns deles, que hoje encontram-se temporariamente fora de foco, apenas gastando o dinheiro roubado, isento de imposto e rindo da nossa cara. Esclareço que dinheiro roubado no Brasil não paga imposto, a receita do fisco é arrecadada somente de quem trabalha, 27.5% do rendimento de pessoa física.
Tem uma megaquadrilha no poder com 23.000 pelegos se locupletando em cargos de confiança, admitidos sem concurso público, obedecendo apenas ao critério do "quem indicou", verdadeiro exército que paga dízimo ao partido e tem carta branca para roubar e deixar roubar com a finalidade de aparelhar o Estado.
Tem uma oposição acovardada, para não dizer conivente, que deixou o Congresso Nacional ser transformado em um fétido porão do Palácio do Planalto e onde ratos digerem todas as medidas provisórias por mais indigestas que sejam para a sociedade em troca de benefícios próprios ou de seus pares, causando nojo a qualquer cidadão minimamente esclarecido e constrangendo o cidadão brasiliense, que hoje pede encarecidamente através de adesivos afixados em automóveis que os 26 estados da Federação recolham seus lixos.
Tem um ex guerrilheirozinho covarde que já está condenado em última instância por roubo ao erário e continua ocupando cargo de destaque no Ministério da Defesa por inação do Ministro da pasta, outra figura desprezível, e a conivência da Presidente da República que até agora não aceitou um pedido formal de exoneração do condenado, deixando de publicá-lo no Diário Oficial da União. E mais,o referido é possuidor de uma alta comenda (imaginem só!) a "Medalha do Pacificador", a mais alta do Exército brasileiro. Em nome da moralidade e honra do Exército Brasileiro, essa honraria deveria ser cassada ex officio pelo general Enzo Martins Peri, atual comandante das forças terrestres com base no Decreto n°.4.207 de 23 de abril de 2002, que em seu artigo 10 regulamenta essa concessão.
Tem semi-analfabeto e cachaceiro promovendo reforma literária, lei seca e ainda recebendo título de doutor honoris causa de diversas Universidades brasileiras e uma internacional, mais precisamente da Universidade de Coimbra em Portugal, fazendo com que Luiz de Camões se virasse no túmulo. Eu particularmente continuo achando que tudo não passou de uma piada da Universidade para se vingar dos brasileiros que costumam fazer comentários maldosos sobre a inteligência dos lusitanos.
Tem ex ministro da educação, professor de homossexualismo infantil, que por determinação emanada de São Bernardo do Campo, com o endosso de Brasília, tentará ser prefeito da maior cidade do país e continuar dando aula nas creches da prefeitura. O cidadão declarou que sua candidatura é parte de um "projeto nacional" do PT. Vai ser burro assim no inferno. Está justificada a destruição de MEC.
Tem ministra do turismo que ganhou o cargo em troca de favores escusos; é doutora em sexologia; vai estimulando o turismo sexual, e terá como slogan "relaxa e goza". Não sei ainda informar se haverá treinamento prático entre os funcionários do Ministério.
Tem a maior empresa nacional praticamente falida e prestes a provocar o primeiro "apagão" de combustível da história do país, porque foi transformada em plataforma de política suja, lesando seus milhares de acionistas, além de ser a única empresa no mundo que quanto mais vende mais prejuízo tem, devido ao baixo preço dos combustíveis, sem correção há 7 anos, e dos ridículos contratos, para não dizer contratos de má fé, assinados com países do Mercosul. Tudo isso fruto da administração de um sindicalista incompetente e corrupto que até presenteou o cocaleiro boliviano com um refinaria.
Tem no Ministério da Fazenda um incompetente que parece ter perdido parte do lobo frontal, e está a serviço do projeto petista de permanência no poder destruindo dessa maneira o Plano Real que durante oito anos, apesar dos desmandos provocados pela incompetência de sua equipe, ainda sustenta a política econômica do governo.
Tem um Ministério da Justiça que abriga a escória internacional e desarma o cidadão de bem, prática esta adotada em países comunistas e nazi-fascistas, enquanto a bandidagem usa arma pesada, mata e são protegidos pelos hipócritas "Direitos Humanos". Como se não bastasse ainda concede à bandidagem bolsa-reclusão em valores superiores ao pago para trabalhadores de baixa renda que recebe salário mínimo. Um verdadeiro estímulo à criminalidade.
Tem uma gama de secretarias dirigidas por mulheres de reputação duvidosa, empenhadas em criar castas que segregam a sociedade. Uma delas ensina às mulheres, que não estejam aceitando "psicologicamente" a gravidez, a fazerem o aborto por sucção ou seja com o próprio dedo. Técnica, segundo essa desclassificada, aprendida em curso realizado junto às FARC na Colômbia. Como médico posso classificar essa conduta como sendo a "terapia psicológica do dedo". Inovação petista.
Por fim temos uma presidente, que segundo uma recente publicação internacional a classificou com sendo a terceira mulher mais poderosa do mundo. Para nós brasileiros, temos apenas um cabo eleitoral, uma palanqueira que, por diversas vezes em dias normais, fechou o Palácio do Planalto e usando dinheiro público faz onerosas viagens políticas, Brasil afora, obedecendo ordens de seu criador.
Humberto de Luna Freire Filho, médico

terça-feira, 16 de outubro de 2012

LIÇÕES DE UM SOVADO PÉ-DE-POEIRA - VALMIR FONSECA AZEVEDO PEREIRA

Ilações de um sovado pé - de - poeira.



O STF surpreendeu a todos com as suas recentes decisões, pelo menos as da maioria de seus Ministros, a que se sobrepôs aos dedicados à subserviência e à subordinação.



Assistimos o exercício soberano de um dos poderes da República, quando espertalhões foram sacramentados. Faltou o principal, é verdade, mas o escorregadio ficou no mínimo chamuscado.



Contudo, longe está de testemunharmos a vitória da lei e da ordem, e a derrocada da quadrilha, pois a capilaridade e o domínio dos donos do poder são gritantes.



A quantidade de sanguessugas que perderiam as suas mordomias e suas possibilidades de ganhar algum no usufruto do cargo é considerável, e imaginar que poderão retirar – se, altruisticamente, é acreditar em Papai Noel.



A nossa volta, verificamos que impoluta Comissão da Verdade segue em frente, e muito mais, adentra até no currículo das Escolas Militares. A cada dia uma novidade, e já mudaram o laudo da morte de Herzog, agora suicidado pela pressão de seus torturadores e carcereiros. Tudo sob os aplausos da OAB, um bestial inimigo.



No âmbito do Partido acolheram como heróis sacrificados, o intragável Dirceu e o volátil Genoíno.



Portanto, cheios de brios apóiam incondicionalmente o Haddad, e apostam que a sua vitória na eleição será uma cabal demonstração de que somos meros coadjuvantes no palco no qual eles deslizam como prima - donas.



Hoje, podemos lamentar a sorte do Serra no segundo turno, embora o dito não nos inspire qualquer simpatia, pois a decisão do STF em condenar a dupla dinâmica atiçou a ira do petismo, que julga que a eleição do Haddad será a sua resposta contra a petulância do Supremo, e uma demonstração de quem realmente manda nesta porra.



Estão à solta, amparados e incentivados por aquele que nada sabe, que nada viu e que estava muito longe de quem mandou, o ignóbil da silva.



Contando com uma estupenda base midiática (48 a 37%? já?), recursos incalculáveis, asseclas dispostos a tudo e o apoio da cúpula governamental, e se for o caso, com a presença do divo e da diva no seu palanque, o pai do kit gay tem quase tudo para ser eleito.



Espera – se que a brancaleone oposição se solidarize e una forças para anular a avalanche que poderá soterrar o Serra.



É neste aziago contexto, muito claro para os escaldados cidadãos, que alertamos aos incautos, para que esqueçam a possibilidade do verdadeiro responsável pelo Mensalão vir a responder pelos seus crimes.


Seria muito bom, e nós merecemos um pouco de alegria, pois, seguidamente, circula na internet a lapidar frase de Rui Barbosa, tão atual que diz "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."



Sim, que vergonha ver o triunfo das nulidades, a glorificação da desonra, o império da injustiça, a ascensão de crápulas e de degenerados e a conspurcação das virtudes.



Ah! Como seria gratificante, coroando um merecido otimismo, após a lição de justiça do STF, se o Haddad fosse derrotado.



Brasília, DF, 15 de outubro de 2012



Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O QUE EX-PETISTAS E PETISTAS DIZEM SOBRE O PT DE LULA - GRUPO GUARARAPES

O QUE EX-PETISTAS E PETISTAS DESILUDIDOS DIZEM HOJE A RESPEITO DO PARTIDO E DE LULA



"O PT tem todo o direito de continuar existindo juridicamente, mas o
partido que eu ajudei a construir já morreu. E só participo de debates
sobre ressurreição e reencarnação no âmbito religioso."
Senadora Heloísa Helena (ex-petista, hoje no PSOL-AL)

"Diante das denúncias, os petistas optaram por uma saída jurídica, em
detrimento de uma explicação política. Isso só é possível para quem já
decidiu abandonar a vida pública. Esse comportamento reduziu as chances de
sobrevivência do PT."
."Deputado federal Fernando Gabeira (ex-PT, hoje no PV-RJ


“O partido confundiu-se com o governo, tornou-se aparelho do Estado e
acreditou que os fins justificavam os meios. Agora, só há salvação se os
responsáveis por tudo isso forem punidos.
"Deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP)



"O PT foi atingido de forma irremediável. Do ponto de vista do patrimônio
da lisura e da ética, acabou jogado na vala comum. E essa situação é
irrecuperável."Deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ)



"O PT levará, no mínimo, dez anos para se recuperar. Nos anos 90, elegeu a
ética como razão de existir, mas a ética deve ser intrínseca ao partido, e
não uma causa.
"Senador Cristovam Buarque (PT-DF) Hoje PDT



"O PT errou: afastou a militância, pôs burocratas no governo e se entregou
às vontades de Lula. E que vontades eram essas? Apenas a do poder pelo
poder. Agora acabou. O castelo de areia ruiu."
Economista e ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau, expulso do PT
em 1997



"O PT cometeu o pecado original. Comemos a maçã proibida, o fruto da
ambição. Foram muitas mentiras. E o pior é que o PT só está querendo achar
culpados individuais. Não quer assumir o grande equívoco que cometeu com a
nação."
Deputado federal Paulo Delgado (PT-MG)



"Lula sempre compartilhou da intimidade do grupo e foi o principal
beneficiário de suas ações. Garante, porém, que nada sabia. Respeito quem
acredita nisso, assim como respeito quem acredita em duendes."
Ex-dirigente petista César Benjamin, em artigo para aFolha de S.Paulo




"Lula esconde a sujeira"
Felipe Araujo/AE

UMA CERTEZA
Hélio Bicudo, petista há 25 anos: "É impossível que Lula não soubesse como
os fundos estavam sendo angariados e gastos"

GRUPO GUARARAPES
http://marketing.guararapesgrupo.com.br/admin/sair.php?id=137667|97|0&uid=129390498243060600

domingo, 14 de outubro de 2012

A RAIZ DO MENSALÃO - MERVAL PEREIRA

A raiz do mensalão, por Merval Pereira


Merval Pereira, O Globo
Pode até ser que o mensalão não impeça o PT de vencer a eleição para a prefeitura de São Paulo, como indicam as primeiras pesquisas, mas me parece inegável que o partido sofrerá a médio prazo os efeitos de seu desprezo pelas regras éticas na política.
O PT nasceu defendendo justamente um novo modo de fazer política e foi assim que chegou ao poder, mesmo que no período anterior à eleição de 2002 já estivesse envolvido em diversas situações nebulosas nas prefeituras que vinha governando.
Os assassinatos de Celso Daniel, prefeito de Santo André, e Toninho do PT, prefeito Campinas, são dois exemplos da gravidade dos problemas que envolviam o PT já antes de chegar ao poder central do país, com irregularidades em serviços como coleta de lixo e distribuição de propinas para financiamento de eleições.
Quando o escândalo do mensalão eclodiu, em 2005, dois dos fundadores do PT, o cientista político César Benjamin e o economista Paulo de Tarso Venceslau, revelaram os bastidores da luta de poder dentro do partido nos anos 90 do século passado, ocasião que eles identificam como o “ovo da serpente” no qual teria sido gestado esse projeto de poder que acabou desaguando nas práticas de corrupção.
Coordenador da campanha de Lula a presidente em 1989, Benjamin garantiu que “o que está aparecendo agora é uma prática sistêmica que tem pelo menos 15 anos no âmbito do PT, da CUT e da esquerda em geral. Nesse ponto, a responsabilidade do presidente Lula e do ex-ministro José Dirceu é enorme”.
O episódio do mensalão seria o desdobramento de uma série de práticas que começaram na gestão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no fim dos anos 90, quando Delúbio Soares foi nomeado representante da CUT na gestão do fundo.
Esse tipo de prática, segundo César Benjamin, deu “ao grupo do Lula” uma arma nova na luta interna da esquerda. O esquema de Marcos Valério foi apenas um upgrade na prática de desvio de verbas públicas para financiar campanhas eleitorais.
“Esse esquema pessoal do Lula começou a gerenciar quantidades crescentes de recursos, e isso foi um fator decisivo para que o grupo político do Lula pudesse obter a hegemonia dentro do PT e da CUT”, disse Benjamin.
Paulo de Tarso Venceslau, companheiro de exílio do ex-ministro José Dirceu, foi expulso no começo de 1998 depois de denunciar um esquema de arrecadação de dinheiro junto a prefeituras do PT organizado pelo advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, na casa de quem morou durante anos.
Um relatório de investigação interna do PT, assinado por Hélio Bicudo, José Eduardo Cardozo, hoje ministro da Justiça do governo Dilma, e Paul Singer, concluiu pela culpa de Teixeira, mas quem acabou expulso do partido foi Venceslau. Ele identifica esse episódio como o momento em que “Lula se consolida como caudilho, e o partido se ajoelha diante dele”.
Para ele, “um caudilho com esse poder, um partido de joelhos e um executor como o Zé Dirceu só podiam levar a isso que estamos vendo hoje", garantiu Venceslau.
Segundo ele, na entrevista daquela ocasião, “evidentemente que Lula não operava, assim como não está operando hoje, mas como ele sabia naquela época, ele sabe hoje, sempre soube”.
A reação do PT ao julgamento do mensalão tem obedecido a uma oscilação que depende dos interesses políticos do partido. Da reação inicial de depressão e pedido de desculpas à afirmação de que o mensalão não passava de caixa dois eleitoral, o então presidente recuperou forças para se reeleger.
A partir daí, o mensalão passou a ser “uma farsa”. Agora, que o esquema foi todo revelado à opinião pública, o PT diz que o julgamento é golpe dos setores reacionários contra um governo popular.
O que importa é vencer a eleição em São Paulo, comandada por José Dirceu, como sempre comandou. O mensalão não terá a menor influência no eleitorado, diz o imediatista Lula, que pensa na próxima eleição sem pensar na próxima geração.
Os ensinamentos que o episódio poderia proporcionar ao partido, permitindo que recuperasse o rumo que, pelo menos em teoria, era o seu ao ser fundado, vai sendo engolido pelo pragmatismo que levou o PT aonde está hoje: no poder, mas em marcha batida para se transformar em mais uma legenda vulgarizada pela banalização da política.

sábado, 13 de outubro de 2012

OS MARGINAIS DO PODER - MARCO ANTONIO VILLA

MARCO ANTONIO VILLA - HISTORIADOR. É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS - O Estado de S.Paulo
Vivemos um tempo curioso, estranho. A refundação da República está ocorrendo e poucos se estão dando conta deste momento histórico. Momento histórico, sim. O Supremo Tribunal Federal (STF), simplesmente observando e cumprindo os dispositivos legais, está recolocando a República de pé. Mariana - símbolo da República Francesa e de tantas outras, e que orna nossos edifícios públicos, assim como nossas moedas - havia sido esquecida, desprezada. No célebre quadro de Eugène Delacroix, é ela que guia o povo rumo à conquista da liberdade. No Brasil, Mariana acabou se perdendo nos meandros da corrupção. Viu, desiludida, que estava até perdendo espaço na simbologia republicana, sendo substituída pela mala - a mala recheada de dinheiro furtado do erário.

Na condenação dos mensaleiros e da liderança petista, os votos dos ministros do STF têm a importância dos escritos dos propagandistas da República. Fica a impressão de que Silva Jardim, Saldanha Marinho, Júlio Ribeiro, Euclides da Cunha, Quintino Bocayuva, entre tantos outros, estão de volta. Como se o Manifesto Republicano de dezembro de 1870 estivesse sendo reescrito, ampliado e devidamente atualizado. Mas tudo de forma tranquila, sem exaltação ou grandes reuniões.
O ministro Celso de Mello, decano do STF, foi muito feliz quando considerou os mensaleiros marginais do poder. São marginais do poder, sim. Como disse o mesmo ministro, "estamos tratando de macrodelinquência governamental, da utilização abusiva, criminosa, do aparato governamental ou do aparato partidário por seus próprios dirigentes". E foi completado pelo presidente Carlos Ayres Brito, que definiu a ação do PT como "um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto". Foram palavras duras, mas precisas. Apontaram com crueza o significado destrutivo da estratégia de um partido que desejava tomar para si o aparelho de Estado de forma golpista, não pelas armas, mas usando o Tesouro como instrumento de convencimento, trocando as balas assassinas pelo dinheiro sujo.
A condenação por corrupção ativa da liderança petista - e por nove vezes - representaria, em qualquer país democrático, uma espécie de dobre de finados. Não há no Ocidente, na História recente, nenhum partido que tenha sido atingido tão duramente como foi o PT. O núcleo do partido foi considerado golpista, líder de "uma grande organização criminosa que se posiciona à sombra do poder", nas palavras do decano. E foi severamente condenado pelos ministros.
Mas, como se nada tivesse acontecido, como se o PT tivesse sido absolvido de todas as imputações, a presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, deslocou-se de Brasília a São Paulo, no horário do expediente, para, durante quatro horas, se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva, simples cidadão e sem nenhum cargo partidário, tratando das eleições municipais. O leitor não leu mal. É isso mesmo: durante o horário de trabalho, com toda a estrutura da Presidência da República, ela veio a São Paulo ouvir piedosamente o oráculo de São Bernardo do Campo. É inacreditável, além de uma cruel ironia, diante das condenações pelo STF do núcleo duro do partido da presidente. Foi uma gigantesca demonstração de desprezo pela decisão da Suprema Corte. E ainda dizem que Dilma é mais "institucional" que Lula...
Com o tempo vão ficando mais nítidas as razões do ex-presidente para pressionar o STF a fim de que não corresse o julgamento. Afinal, ele sabia de todas as tratativas, conhecia detalhadamente o processo de mais de 50 mil páginas sem ter lido uma sequer. Conhecia porque foi o principal beneficiário de todas aquelas ações. E isso é rotineiramente esquecido. Afinal, o projeto continuísta de poder era para quem permanecer à frente do governo? A "sofisticada organização criminosa", nas palavras de Roberto Gurgel, o procurador-geral da República, foi criada para beneficiar qual presidente? Na reunião realizada em Brasília, em 2002, que levou à "compra" do Partido Liberal por R$ 10 milhões, Lula não estava presente? Estava. E quando disse - especialmente quando saiu da Presidência - que não existiu o mensalão, que tudo era uma farsa? E agora, com as decisões e condenações do STF, quem está mentindo? Lula considera o STF farsante? Quem é o farsante, ele ou os ministros da Suprema Corte?
Como bem apontou o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, o desprezo pelos valores republicanos chegou a tal ponto que ocorreram reuniões clandestinas no Palácio do Planalto. Isso mesmo, reuniões clandestinas. Desde que foi proclamada a República, passando pelas sedes do Executivo nacional no Rio de Janeiro (o Palácio do Itamaraty até 1897 e, depois, o Palácio do Catete até 1960), nunca na História deste país, como gosta de dizer o ex-presidente Lula, foram realizadas na sede do governo reuniões desse jaez, por aqueles que entendiam (e entendem) a política motivados "por práticas criminosas perpetradas à sombra do poder", nas felizes, oportunas e tristemente corretas palavras de Celso de Mello.
A presidente da República deveria dar alguma declaração sobre as condenações. Não dá para fingir que nada aconteceu. Afinal, são líderes do seu partido. José Dirceu, o "chefe da quadrilha", segundo Roberto Gurgel, quando transferiu a chefia da Casa Civil para ela, em 2005, chamou-a de "companheira de armas". Mas o silêncio ensurdecedor de Dilma é até compreensível. Faz parte da "ética" petista.
Triste é a omissão da oposição. Teme usar o mensalão na campanha eleitoral. Não consegue associar corrupção ao agravamento das condições de miséria da população mais pobre, como fez o ministro Luiz Fux num de seus votos. É oposição?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O SENTIMENTO NACIONAL DE JUSTIÇA E O MENSALÃO - ALOÍSIO DE TOLEDO CESAR


O SENTIMENTO NACIONAL DE JUSTIÇA E O MENSALÃO
Aloísio de Toledo César
A firmeza dos ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão vem ajudando a sepultar em parte a ideia de que o favor da nomeação para tão alto cargo poderia prevalecer na tomada das decisões. Como já foi tantas vezes divulgado, os integrantes dessa Corte foram majoritariamente nomeados pelo ex-presidente Lula, com a participação claríssima de políticos petistas.
Todos os povos possuem um sentimento nacional de justiça e em alguns deles isso se deixa transparecer de forma bastante aguda. Há casos emblemáticos em torno dos quais os povos externam com absoluta certeza o que esperam da Justiça e o que devem fazer os julgadores. Se a lei e o Direito indicam ser possível essa conduta, é compreensível que os magistrados julguem nesse sentido.
No episódio do mensalão ficou evidente que o sentimento nacional de justiça, envergonhado por condutas tão sórdidas, somente seria satisfeito com a reparação vertical provinda do Judiciário. Isso começou a ocorrer de forma surpreendente, de início com os votos seguros e claros do ministro relator Joaquim Barbosa, que foi seguido por vários outros, sempre na linha de que os crimes cometidos são de extrema gravidade e merecem reparação.
Houve duas exceções, infelizmente, envolvendo as decisões dos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Tófoli, ambos vistos como pessoas com ligações mais fortes com o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus dirigentes, dos quais partiu a ação delitiva. Toffoli foi até mesmo advogado do PT, o que demonstrava claro impedimento para o julgamento.
Em verdade, ao proferir o voto com o qual absolveu José Dirceu da imputação do crime de corrupção ativa, o ministro Dias Toffoli assumiu claramente a posição de seu advogado. Praticamente se esquecendo de que é ministro da Suprema Corte e estava julgando um réu, ele começou a defender de forma enfática a pessoa de José Dirceu. Não chegou a dizer que ele deveria ser canonizado, mas foi tão contundente nessa defesa que passou a olhar para os outros ministros, para ver se algum deles o apoiava - e ninguém sequer virou os olhos em sua direção. Seria preferível que Toffoli e Lewandowski tivessem externado o seu impedimento para julgar, o que rotineiramente ocorre quando o magistrado, por sua amizade ou ligação com uma das partes, não se sente absolutamente livre para o gesto soberano de prestar a jurisdição.
Declarar-se impedido não é feio nem incomum, não diminui o juiz e se dá com frequência na vida dos tribunais. Se eles se tivessem dado por impedidos, sem nenhuma dúvida teria sido muito melhor para ambos, porque não transpareceria na sua conduta a impressão de que estavam divididos entre a lealdade que devem à Nação e àqueles que os nomearam.
Em verdade, a sua lealdade deveria ser exclusivamente à Nação. A clareza do sentimento nacional de justiça, nesse caso tão emblemático, exigia dos julgadores um comportamento compatível e com a grandeza que a grande maioria esperava: a condenação exemplar dos culpados.
Por mais que os dois ministros divergentes possam jurar, até ao pé da cruz, que a absolvição de José Dirceu e outros decorreu unicamente de suas convicções jurídicas, será muito difícil encontrar alguém que acredite nisso. A ideia que prevaleceu é a oposta - e isso é lamentável, por envolver o mais importante tribunal do País, agora, aliás, fortalecido aos olhos de todos pelo exemplo do julgamento.
E mais: o fato de absolverem Dirceu e outros, ao fundamento da inexistência de provas, soa como uma censura aos demais ministros, os quais as consideraram suficientes. Inferiorizados nessa posição, dado o maciço predomínio do entendimento em contrário, levarão para as respectivas biografias um dado sombrio, que teria sido evitado caso optassem por se julgar impedidos.
No caso particular de Lewandowski, cada vez que, durante as votações, ele externava os seus argumentos pela absolvição, acabava agindo como se estivesse a se explicar aos brasileiros por que procedia daquela maneira. Seus gestos, sua expressão, ao julgar, exprimiam constrangimento, e não a firmeza dos demais julgadores que optavam pelas condenações.
Em verdade, quando julga, o magistrado não deve externar emoção alguma. Conforme deixaram claro o presidente da Corte, Carlos Ayres Brito, e o ministro Cezar Peluso - este em seu último voto como magistrado -, não há ódio na decisão que condena, e isso é o que realmente ocorre no cotidiano de quem julga. Uma expressão absolutamente neutra é a mais compatível para quem condena ou absolve.
A lealdade aos companheiros constitui traço de caráter merecedor de admiração nas relações humanas, mas não quando envolve a figura do juiz, porque este, sendo praticamente um escravo da lei e do Direito, não pode ficar dividido entre o que a Nação e os amigos dele esperam.
Enfim, externar lealdade aos companheiros no momento em que presta a jurisdição serve para demonstrar que o juiz não deveria estar ali a exercê-la, ou seja, fica aparente até mesmo o erro no ato de quem o escolheu. Ressalte-se, a propósito, que outros ministros nomeados pelo ex-presidente Lula exerceram a tarefa de julgar com absoluta independência e se mostraram sensíveis ao sentimento nacional de justiça nesse processo tão emblemático.
Será mesmo muito difícil para os brasileiros admitir que os dois ministros optaram pela absolvição por motivos tão somente jurídicos, sobretudo porque as suas posições estão em choque com o entendimento da maioria. Por mais que Lewandowski e Toffoli possam argumentar que manifestaram exclusivamente um entendimento jurídico divergente, sempre ficará a ideia de que estavam pagando o favor da nomeação. Isso é péssimo para o Supremo Tribunal Federal e, especialmente, para eles.
* Desembargador aposentado do tribunal de Justiça de São Paulo
e.mail: aloisio.parana@gmail.com
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