segunda-feira, 23 de maio de 2011

POLÍTICA EDUCACIONAL DO MEC: FALAR E ESCREVER ERRADO É O CERTO - SÔNIA VAN DIJCK

POLÍTICA EDUCACIONAL DO MEC: FALAR E ESCREVER ERRADO É O CERTO
Sônia van Dijck

Custa-me crer nos absurdos que acontecem no Brasil. Mas, a verdade dos fatos é indiscutível: o MEC adota livro como objetivo de ensinar a falar e a escrever errado.

Não tenho o menor interesse em discutir conceitos de dialetologia ou de sociolinguística com os autores, pois sei que o projeto não obedece a interesses científicos, mas políticos. Vi, em um telejornal, a Profa. Heloísa Ramos, corajosamente, adequando conceitos e princípios linguísticos para justificar o nefando projeto do MEC, e sua concordância com tão escandaloso equívoco. Não me interessa refutar os argumentos equivocados da Professora, pois ela é só instrumento da política educacional do governo petista e está sendo paga para fazer seu papel.

Deixo que o Prof. Evanildo Bechara dê a lição que a Professora e demais autores não aprenderam na Universidade.

O que me interessa é chamar a atenção para o bem organizado projeto de condenação dos alunos que passam e passarão pelo sistema público de educação. Falando e escrevendo errado o vernáculo, os estudantes de hoje e do futuro não terão oportunidade no mercado de trabalho e nem de crescimento intelectual. Falando e escrevendo “nós pega o peixe”, eles jamais serão engenheiros, médicos, vendedores, advogados, porteiros, enfermeiros, professores, jornalistas, bancários e mais muitas outras profissões e empregos lhes serão impossíveis.

Não tenho notícia de que haja ou tenha havido algum governo de algum país que planejasse e implementasse projeto tão cruel, como se isso pudesse ser apelidado de projeto educacional. O Brasil consegue ser surpreendente e nefasto com um discurso pretensamente politicamente correto.

Com pompa e circunstância, o MEC do governo petista quer assegurar que os futuros cidadãos fiquem privados de empregos, de crescimento intelectual, de relações culturais; no futuro, o MEC deseja que os brasileiros estejam no estado de barbárie linguística e sejam incapazes de entender um edital de concurso, por exemplo; salvo se o edital informar que “os candidato deve apresentarem os seguinte documento”.

Nem Hitler, com sua mente diabólica e homicida, realizou um projeto desse tipo para dominar a juventude nazista, ganhando simpatias e aplausos dos pouco letrados daquela época.

Com pompa e circunstância, em uma palhaçada do politicamente correto, o governo petista organiza um exército de futuros adultos privados de proficiência no vernáculo, cuidadosamente preparado no sistema público de ensino, que servirá aos interesses do estado brasileiro que está sendo forjado desde 2003, em conformidade com as lições Gramsci.

Revolução?! Não! O PT não faz revolução; molda a sociedade que deseja manipular contaminando o sistema público de ensino com sua proposição populista de “respeito” à linguagem popular e familiar e coloquial das camadas menos escolarizadas atualmente. O governo petista, calmamente, pretende criar milhões de brasileiros que, quando chegarem à vida adulta, serão incapazes de ler e entender um jornal, uma revista e, principalmente, um livro de História, escritos em vernáculo. Esses futuros adultos não terão competência para apreciar Machado de Assis, Graciliano Ramos, Drummond, Vinicius, Érico Veríssimo e outros. E os ilustres autores do livro perverso, como bons peões do governo petista, poderão perguntar: “E quem precisa apreciar a Literatura elitista, golpista, burguesa?” – “Por que os adultos do futuro precisarão ler um livro de História, se eles não terão direito a discutir os fatos históricos, pois viverão apenas com as informações divulgadas na forma de “os cidadão deve comparecerem ao comício da liderança nacional, para que todos escute as verdade a serem revelada.”

Bem sei que as boas escolas privadas jamais cairão nessa farsa de ser válido ensinar a falar, a ler e a escrever errado, como princípio pedagógico. Quem puder colocar seus filhos em boas escolas particulares, terá salvo parte dos futuros adultos da barbárie linguística. Então a Literatura elitista, golpista e burguesa de Machado, Graciliano, Drummond, Érico, Cecília Meireles e outros ainda terá alguns leitores. Jornais e revistas elitistas, golpistas, burgueses, que usarem a correção da Língua Portuguesa ainda poderão ser lidos e as notícias serão compreendidas por alguns futuros adultos.

Não resisto e mando um recado para a ilustre Profa. Heloísa Ramos e demais autores: vocês ouviu os galos cantar e não sabe onde está os galo. Vocês nada sabe de níveis de linguagem. Vocês não entende nada da função da escola. Mas, vocês compreende perfeitamente esse meu recado escrito no dialeto do MEC petista, usado no livreco de ocês. Se vocês quiser me responder, por favor, escreva na Língua Portuguesa que seus professor dos tempo antigo e ultrapassado tentaram ensinar a vocês.

Segundo François Lyotard, linguagem é poder. A equipe de autores desse maldito livro sabe disso; por isso, aceitou servir de instrumento para o governo petista. Com seu tristemente brilhante trabalho, os ilustres autores tornaram o tarefa do professor de português uma atividade inútil: ninguém precisa ir à escola para aprender a falar e a escrever “a gente fomos, mas o pessoal saíram” .

domingo, 22 de maio de 2011

BOLSA FAMÍLIA OU COMPANHEIROS DE BOTEQUIM - OSWALDO COLOMBO FILHO

Brasil Dignidade

Bolsa família ou cumpanheiros de botequim?



A despeito das recentes críticas ao Dep. Cândido Vaccarezza devido a uma declaração dada por S.Exa.; há de se contra argumentar em razão do precioso posicionamento que nos concedeu. Deu-nos notável declaração atestando as impropriedades ou nulidades nos controles realizados no que se convencionou chamar de ´programa bolsa família’. Sua declaração recebeu contornos críticos pelo tom chocoso utilizado; mas lamentavelmente não se assistiu à percepção da essência daquilo que o falastrão líder do Governo na Câmara dos Deputados nos trouxe em viva voz.

O líder Vaccarezza deu um grande testemunho à nação:- “O cidadão vai ao Banco e pega seu dinheiro (bolsa família), compra pão para sua família, compra gêneros de primeira necessidade. A oposição brinca dizendo que o chefe de família ia lá e comprava cachaça. Não vamos incentivar a isso, mas mesmo que uma família compre uma cachaça por mês, são 11 ou 12 milhões de garrafas de cachaça. Isso ajuda toda a economia.”

O Dep. Vaccarezza é médico e deve saber (acredita-se que saiba), que o álcool é a droga mais utilizada pelos brasileiros (68,7% do total), seguido pelo tabaco, maconha, estimulantes, ansiolíticos, cocaína, xaropes e estimulantes, etc.. No País, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas, acontecem devido ao uso de bebidas alcoólicas.

O ‘bolsa família’ é financiado pelos contribuintes e deveria obter contrapartida social e não auferir lucros ao setor do fabrico de cachaça, como situa o contexto econômico do Dep. Vaccarezza. Talvez isso explique porque o BNDES foi tão gentil com empréstimos vultuosíssimos e subsidiados ao setor sucroalcooleiro durante Governo Lula da Silva. Obviamente, e lamentavelmente a dita oposição no Parlamento sequer se apercebeu da importância da declaração do líder do Governo.

Esse “programa social” apregoa publicamente resultados notáveis na retirada, frisa-se retirada de milhões de famílias do estado de miséria. Na língua portuguesa ‘retirar da miséria’ não é a mesma coisa que ‘manter na miséria ou dependência de suporte permanente’. Uma condição midiaticamente imposta em falsa magnitude e sustentada pelo Estado e não pela ascensão social propriamente dita, e que seria a contrapartida desejável. Retiram-se as “muletas” e o cidadão cai para onde estava, senão para vala ainda pior. Assim os servos do obscurantismo e fieis “populistas do lulo-fisiologismo” afirmam que o seu Governo retirou 23 milhões de pessoas desse estado de miséria. E de público, em viva voz, a Presidente Dilma Rousseff afirma que o Brasil possui 14 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de miséria no Brasil; o que de fato confere com estudos e análises recém publicadas.

Em síntese, se Lula da Silva diz que retirou 23 milhões de pessoas da miséria no dia 31/12/2010 quando deixou o Governo; e a Presidente Dilma em tom mais racional e apoiado em dados oficiais, disse no dia de sua posse (1/1/2011) que temos ainda 14 milhões de brasileiros nas mesmas condições; vale dizer que há algo de errado nessa questão. Retirar no vernáculo de Lula não tem sentido definitivo, seria mais óbvio dizer: - falsear, - retocar a questão mantendo largo contingente em estado de ‘miséria suspensa’ e na dependência ao que se daria o nome de “programa de Lula”, e que foi alardeado mundo afora como majestoso e que absolutamente não deu resultados minimamente desejáveis nos bolsões de miséria das áreas urbanas, onde se concentram os grandes problemas atinentes às contrapartidas sociais exigíveis dos beneficiários.

O propagandear do aberrante faz parte do populismo e das falácias de ditadores; porém crer nisto faz parte da exiguidade moral, de caráter e de abstinência cultural daqueles que aceitam sem vacilar e raciocinar. Existirá sempre uma grande demanda por ‘novas mediocridades’, isto ocorre e ocorrerá em todas as gerações. Denotar-se-á através de seus modismos e estereótipos; e em todas elas o gosto dos culturalmente menos desenvolvidos ou mesmo dos que se permitem aculturar terão maior desejo de adesão à ‘crença’.

Qualquer cidadão menos obtuso poderá raciocinar e refletir sobre a incidência na população total que esses números nos trazem fixando-se que os miseráveis vivem com menos de U$1,00. Os herdados pela atual presidência - 14 milhões fazem parte dos quase 13 milhões atendidos pelo “programa bolsa família” (atual recorde). Em suma jamais, retirou-se 23 milhões, pois sequer foram atendidos simultaneamente tantos. Tal qual jamais houve indicação em qualquer PNAD; ou estatística oficial que Lula ao assumir herdou 15% da população do Brasil com renda inferior a US$ 1/dia (índice IDH1 ONU). Os números atuais e o censo de atendidos (14 milhões) estão dentro dos dados oficiais; porém os exageros dos populistas que ora dizem 23 milhões retirados da miséria; até esbarram em discursos de Lula da Silva, em palanques que ora dizia 27, e em outras ocasiões 30 milhões como ascendidos de classe social (?).

Se verdade fosse a falácia do populista; equivaleria dizer que entre 2003 e 2010; metade dos brasileiros que nasceram vivem hoje abaixo da linha de miséria; caso contrário a Presidente Dilma não encontraria (herdado) 14 milhões de brasileiros nesse estado deplorável. Mais uma demonstração das barbaridades aludidas como conquistas pelo ‘imperador dos disparates’.

Resta-nos ainda completar se o benefício concedido dentro do programa dessa ordem trás correspondente contrapartida à sociedade financiadora. Certamente a sociedade visa extinguir o mal e não mantê-lo em “estado de suspensão perene” e sempre alardeado em períodos eleitorais; tal qual muito menos desejosa é de saber que recursos ali alocados podem servir para compra de cachaça. No Brasil, tal objetivo mesmo que em longo prazo seria acabar com a miséria; quebrando o ciclo que se impõem pela falta de educação básica como o maior agente à miserabilização e marginalização de parte dos brasileiros em contínuas e sucessivas gerações.

Duas semanas antes do testemunho do Deputado Vaccarezza, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em nota distribuída à impressa informava: “– Estudos mostram que o programa de transferência de renda do Governo Federal, que tem por objetivo combater a fome e a pobreza, ajuda também a reduzir a desigualdade. Outra contribuição importante do programa é o efeito na economia do País. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que para cada R$ 1 investido pelo Governo Federal no Bolsa Família, o Produto Interno Bruto (PIB) aumenta em R$ 1,44. Metade dos recursos é destinada à região Nordeste e os estados da Bahia, Pernambuco e São Paulo lideram em total de valores recebidos”.

O Ministério, sendo uma autoridade de primeiro escalão, dá conta à sociedade que a contrapartida pelo “investimento no bolsa família é de 44%”!

Fantástico, foi descoberto o “moto perpétuo da prosperidade sócio econômica no Brasil!”.

Na verdade, comprova-se que a cada dia este país tornou-se uma República de medíocres; salvo raríssimas exceções.

Como economista me intriga qual investimento possa render tanto? Os que assim rendem não estão no portfólio de pessoas integras; porém, alguns na fantasia dos populistas, falsos e mentirosos, pois precisam para se auto preservarem, e mentem cada vez mais e caem na vala do ridículo e do escárnio público. Conclui a nota da autoridade de ‘primeiro escalão’:

“A complementação de renda, com o pagamento do benefício, está aliada ao cumprimento de condições nas áreas de educação e saúde. Frequência escolar abaixo dos índices exigidos; falta de acompanhamento de pré-natal e crianças sem vacinar podem levar ao bloqueio e ao cancelamento do benefício”.

Portanto, segundo o MDS trata-se de um programa de transferência de renda, tendo como contrapartida combater a desigualdade; - entende-se ascensão social dos beneficiados pela educação recebida e pela saúde preventiva a que devem submeter-se sempre a controle do Estado.

Analisemos sinteticamente tão somente os dados a respeito da Educação.

O ‘bolsa família’ foi iniciado em outubro de 2003 a partir da fusão de outros tantos programas já existentes. Um deles o ‘bolsa estudo/escola’ que tinha como objetivo as exatas e ditas regras para elegibilidade que o atual.

Tomando-se os dados do PNAD; e atentando aos jovens de 7 a 14 anos; em 1993 o Brasil tinha 88,6% de frequência escolar; em 2002 → 96,9%; em 2009 →98,0%.

Da mesma forma e passando-se ao segundo grau escolar, e com os jovens de 15 a 17 anos, em 1993 tínhamos →61,9% de frequência; em 2002 →81,5%; em 2009 → 85,2%.

Em observação pertinente aos jovens de 15 a 17 anos, - a diferença para 100% significa o abandono dos estudos; que representava em 2009→15% aproximadamente, além dos 2% que nem tinham completado o primeiro grau Total 17%. Em 2002 → 3,1% abandonavam já no 1º grau; e no segundo 18,5% Total 21,6% . Tendo a sua disposição durante todo seu governo, o ‘bolsa família’ Lula da Silva sequer reduziu de forma significativa a evasão escolar, e ao que se coloca: # Aos jovens abaixo de 15 anos há forte conotação de trabalho infantil; # aos demais, e com abandono e não consolidação do aprendizado até então adquirido significará no futuro mais “analfabetismo funcional” (classificação tupiniquim sugeneris); que significará menos mão de obra qualificada; menos cidadania; maior propensão a problemas sociais, tal qual o analfabetismo causa em áreas correlatas como saúde, higiene, alimentação, segurança etc. Tais a precariedades caracterizam a “desfaçatez social e humana” do Estado para com seus cidadãos. Em seu bojo trás ainda a criação de mais um hiato de tempo de distorção ao civismo e efetiva prosperidade aos assistidos; ou passagem de geração de pais assistidos a filhos e descendentes continuamente assistidos.

Esse quadro de efetiva nulidade iliterata se completa pela consideração dos analfabetos ‘absolutos’ que ainda continuam, e por incrível que pareça em pleno século XXI a serem ‘produzidos’ em nosso país. Não é toa que o Deputado Tiririca está na Comissão de Educação e Cultura; provando o contrário de sua tese eleitoral: “-que pior sempre pode ficar”

Retornando aos “controles e resultados” do dito programa na área educacional.

Registra-se no PNAD que a taxa de frequência bruta escolar brasileira entre 1993 e em 2002 evoluiu de 61,9% para 81,5%; ou seja, melhorou a presença nas escolas – ao término do segundo grau em 32%; lembrando que esta posição é relativa (%), pois sofre a influência do crescimento da população que foi de 22,2 milhões de habitantes → 14,7% (entre 1993/2002).

Já no período de 2002 a 2009 a taxa bruta de frequência escolar no Brasil evoluiu de 81,5% para 85,2%; ou seja, cresceu apenas 4,5%, e a população nesse período aumentou pouco menos de 9%. Resumindo, em quase igual período que antecede a existência do ‘bolsa família’ os indicadores de frequência escolar se portaram muito mais positivamente do que após a implantação do dito programa que se rotula de grande sucesso (?).

Especificamente entre 1996 e 2002 o “bolsa estudo ou escola” esteve presente pelo Governo Federal e ou Estaduais em vários locais; mas não em todo Brasil que assim o foi apenas a partir de 2000. Portanto, sob efeito parcial ‘do bolsa estudo’; 1996 a taxa de frequência bruta era de 69,4%, em 2002 subiu para 81,5 → aumento de 17,5%. Já sob os efeitos do ‘bolsa família’ - variou de 81,5% para 85,2% → 4,5%. Incrível, no populismo o menos vale mais.

Para completar este triste quadro em mais alguns poucos dados, em 1993; tínhamos 32% analfabetos na população da região nordestina, a mais atendida pelo programa segundo o MDS. Isto representava 43,5 milhões de pessoas; portanto 13,9 milhões brasileiros totalmente iliteratas. Em 2002 contávamos com 49,8 milhões de habitantes e o alfabetismo que era de 23,4% se traduzia em 11,6 milhões de nordestinos. Em 2009, a população nordestina chegou a 54,3 milhões de pessoas sendo 18,7% de analfabetos; portanto 10,2 milhões de habitantes. Onde está tamanho e fantástico sucesso ou contrapartida social desse presumível programa que retira, mas não exclui da miséria; impostando-se pelo estado de ignorância que se constata nos últimos oito anos?

Mesmo na região mais favorecida pelo “dito programa” e mais carente de educação básica; a eficácia do programa–Lula; reduziu em 12% o analfabetismo contra 17% em igual espaço de tempo antecedente ao ‘bolsa família’. É evidente que o sucesso não coube ao lado social da nação e nem tampouco ao reflexo imaginário e inconcebível de 44% no PIB como a nota pública do MDS; talvez aos fabricantes de cachaça (!?); mas certamente aos políticos que bem souberam se beneficiar disso.

Os resultados além da exaltação do populismo; podem e serão mais nefastos à nação do que a simples aquisição de garrafas de cachaça, como diz ser saudável no conceito econômico de Cândido Vaccarezza; pois poderá ainda repercutir em estímulos contrários ao que um Programa Social realmente exige como contrapartida dos assistidos. Nenhuma versão é aceitável a um PROGRAMA SOCIAL dessa ordem que não quebre o ciclo de miséria, da ignorância e da efetiva integração “por pernas” próprias de um cidadão na vida da coletividade. Algo que não é feito no Brasil por óbvios motivos. Se assim não for poderia ser um programa filantrópico (eterno?); ou até mesmo mercantilismo eleitoral.

A relação austera para tirar famílias de indigência e com descaracterização política e sem garantia moral não se coaduna com princípios de boa fé, e sim com os de exploração do homem pelo homem. Tonifica-se tal observação a ponto de que um importante Programa Social que visaria retirar definitivamente milhões de famílias da miséria já se tornou uma conversa corriqueira de botequim regada a cachaça e dentro do próprio Congresso Nacional.

Oswaldo Colombo Filho

Economista

Março de 2010

Brasil Dignidade

Lula da Silva explica ‘o bolsa família’ em dois momentos históricos de sua vida política.



http://www.youtube.com/watch?v=EUcvJJdcfzQ


domingo, 15 de maio de 2011

NOVOS ESTADOS?

Projetos propõem a criação de 11 novos Estados no Brasil
IG 15/05/2011 09h00


No Congresso tramitam Projetos de Decreto Legislativos que propõem a criação de 11 Estados e de quatro territórios federais. Uma nova divisão de territórios estaduais poderia criar os Estados do Gurguéia, do Maranhão do Sul e do Araguaia, por exemplo. Estas propostas procuram beneficiar as populações locais, mas custam caro, tanto para a região alterada quanto para o governo federal, que deve arcar com a criação de novas vagas na Câmara e no Senado, para ficar só nas despesas imediatas.

Só a manutenção de um Estado, que considera despesas como o pagamento de servidores públicos e verbas para deputados estaduais e governador, custa em média R$ 995 milhões por ano. “É quase um bilhão que, em vez de ir para a população, vai para gabinetes e estruturas”, afirma o pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Rogério Boueri, que elaborou a estimativa.

Além desse custo de manutenção, os Estados devem arcar também com a instalação da máquina pública e com investimentos em infraestrutura para que o novo Estado possa se desenvolver economicamente, especialmente nas regiões pouco habitadas.

Em um estudo publicado em 2008, Boueri observou que os Estados gastam, em média, 12,75% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para se manter. Alguns dos Estados propostos pelos parlamentares brasileiros extrapolariam essa conta. O Estado do Rio Negro, por exemplo, precisaria de 140% do valor do seu PIB somente para manter suas estruturas estaduais funcionando, de acordo com estimativa do pesquisador. “Esses Estados já nascem deficitários”, diz.

No caso de os Estados não serem capazes de se manter, quem paga a conta é o governo federal. “O Estado do Tocantins, por exemplo, recebeu subsídios do governo federal por cerca de dez anos até poder se manter com as próprias pernas”, exemplifica Boueri.

Além de uma possível ajuda financeira, o governo federal teria que arcar também com a criação de mais três vagas de senadores por Estado. Se os onze Estados propostos no Congresso chegarem a existir, haverá 33 cadeiras a mais no Senado. Na Câmara também poderia haver aumento do número de parlamentares. Hoje, a quantidade é fixa e as vagas são distribuídas de acordo com a população de cada unidade da federação. Mas há um mínimo de oito deputados por Estado e, por causa disso, poderia ser necessário aumentar o número de cadeiras.

O governo federal bancaria ainda novas superintendências regionais de órgãos públicos, além de seções da Justiça Federal em cada Estado. Até a logística e o orçamento do Tribunal Superior Eleitoral precisariam ser reforçados com a chegada de mais governadores e deputados estaduais.

o estudo em que Boueri analisa os custos e a viabilidade econômica dos Estados, ele conclui que somente o Estado do Triângulo, em Minas, seria viável economicamente. De 2008 para cá, alguns desses projetos foram arquivados e outros foram propostos e reativados. Na lista atual de Estados propostos, o pesquisador acrescenta o Estado da Guanabara no ranking dos que poderiam se sustentar sozinhos.

Dinheiro direto

A justificativa para a divisão de Estados apresentada em vários projetos é que regiões isoladas ou distantes do poder central do Estado recebem menos investimentos e não têm acesso adequado a infraestrutura e serviços, como boas escolas e hospitais.

Mas, para o pesquisador do Ipea, essa argumentação não é consistente. “É válido querer melhorar a vida das pessoas, mas a criação de estados em localidades pouco habitadas e com baixo índice de atividades econômicas vai trazer a melhoria a um custo muito alto”, diz. O custo a que o pesquisador se refere será coberto, em parte, pelo governo federal “às custas do Brasil e inclusive de regiões pobres”.

Como soluções mais eficientes para as regiões que não recebem investimento adequado, Boueri defende a criação de Fundos Regionais voltado para localidades mais pobres ou um acordo para remeter de volta a essas regiões todo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que é arrecadado nelas. “A mesma benfeitoria da criação do Estado poderia ser feita com a criação de um fundo com metade da verba que é gasta na manutenção do Estado”, diz.

Ele afirma ainda que os territórios federais seriam menos onerosos do que os Estados porque têm uma estrutura administrativa menor. Amapá, Acre, Roraima e Rondônia já funcionaram assim antes em um modelo em que o gestor local era indicado pelo governo federal.

sábado, 30 de abril de 2011

CONCEITO DE ÉTICA - DORA KRAMER

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo 30/04/2011
Seria impreciso dizer que o Senado chegou ao fundo do poço quando decidiu constituir um Conselho de Ética ao arrepio do decoro indispensável à atividade parlamentar. Isso porque o poço em que o Poder Legislativo resolveu já há algum tempo jogar sua credibilidade parece não ter fundo.


Entra ano, sai ano, entra escândalo, sai escândalo, os acontecimentos bizarros não têm fim, medida nem limites.

A presença de oito processados na Justiça entre os 15 titulares do conselho soa como uma contradição em termos. Agride à lógica da vida normal, mas está absolutamente de acordo com as regras do Congresso.

Mais: compõe perfeitamente o cenário da degradação. Todos os integrantes do conselho destinado a zelar pela ética na Casa são tão senadores quanto qualquer outro. A partir do momento em que seus pares não impuseram reparos a condutas julgadas no passado e os eleitores lhes confiaram delegação, podem participar de todas as atividades sem restrição.

A questão não é o que Renan Calheiros, que trocou a renúncia à presidência do Senado pela absolvição em processos por quebra de decoro, ou Gim Argello, investigado pela Polícia Federal e obrigado recentemente a renunciar à relatoria do Orçamento da União por suspeita de desvios na distribuição de emendas, estão fazendo no Conselho de Ética.

A pergunta correta é o que esses e outros estão fazendo no Senado e o que o Senado faz consigo ao, entre outras façanhas, reconduzir à presidência da Casa José Sarney e seu manancial de escândalos, cuja mais recente leva data de dois anos atrás.

Esse episódio do conselho ganhou repercussão, é tratado como um grande problema, mas é apenas parte do infortúnio que assola o Parlamento e, em boa medida, a sociedade que não exerce ela mesma o voto limpo enquanto não se institui de vez a obrigatoriedade legal da ficha limpa: a indiferença à ética, ao conjunto de valores que disciplinam o comportamento humano como atributo essencial à vida civilizada. Pública ou privada.

Embora a completa ausência de pudor, ainda que em grau apenas suficiente para a manutenção das aparências em colegiado presumidamente ético, fira os espíritos mais sensíveis, não se configura uma novidade em face da revogação geral de quaisquer valores balizadores de condutas.

Em ambiente onde um senador pode roubar um gravador - como fez Roberto Requião ao surrupiar o equipamento pertencente à rádio Bandeirantes e apagar do cartão de memória uma entrevista que não lhe interessava ver divulgada - e ainda assim ser defendido pelo presidente da Casa, não há poço que seja fundo o bastante para delimitar a fronteira entre a civilidade de fachada e a selvageria total.

Terra arrasada. Aos arquitetos do PSD não falta ousadia para cogitar da possibilidade de atrair políticos aparentemente inamovíveis do DEM.

O senador Demóstenes Torres já recebeu convite e, segundo consta, ficou de pensar. Ninguém menos que o presidente do DEM, senador Agripino Maia, integra a lista das próximas investidas.

Não se pode dizer que o plano do PSD seja deixar que os últimos dos moicanos apaguem a luz, porque a ideia é que não reste luz para ser apagada.

Precedente. A decisão do Supremo Tribunal Federal em favor da posse de suplentes de deputados levando-se em conta o cálculo da coligação e não do partido, foi ao encontro do entendimento da Mesa da Câmara, que resolveu adotar esse critério mesmo antes da sentença do colegiado.

Descumprindo, portanto, a decisão liminar que estava em vigor até então instruindo exatamente o oposto: que a posse dos suplentes deveria levar em conta o partido e não a coligação.

A Câmara venceu no final, mas durante três meses ignorou o imperativo da obediência a determinações judiciais. Um desapreço mediante o qual o Poder Legislativo subtrai de si e das demais instituições relevância na sustentação do Estado de Direito.

domingo, 27 de março de 2011

MUNDO CONVULSIONADO

O mundo convulsionado pela própria natureza como no Japão e pelos insurgentes contra regimes opressores como no na Líbia, Iêmen, Irã, Síria, Egito, Bahrein, Marrocos, Sahara Ocidental e aqui no nosso querido país os políticos se encarregam de tumultuar a situação enquanto nosso povo carneiro se recolhe aos redis. O ordeiro e disciplinado povo japonês luta ainda contra os resultados das revoltas da natureza e do perigo de suas usinas nucleares, no oriente e norte da África os povos espoliados de seus mínimos direitos lutam também, enquanto nós, pobres carneiros brasileiros continuamos quietos e prontos a votar novamente nos nossos abjetos políticos, o Projeto Fixa Limpa é empurrado para o futuro, se antes não for mais deformado. Dá-me nojo escrever sobre o que acontece no Brasil. Embora muitos se sintam empolgados com algumas medidas tomadas pela novel presidenta, ainda não ponho fé em seus objetivos finais. Aos poucos a política petista vem destruindo o pouco que ainda restava de vergonha em nosso próprio povo, a família, a moral cristã, perdem cada vez mais qualquer valor perante nossos governantes e nosso povo, a impunidade se faz presente em todos os níveis, nem mesmo os bandidos mais perigosos estão sendo punidos, não só os de colarinho branco como costumava acontecer. Os noticiários estão plenos de notícias ruins: assassinatos, estupros, seqüestros e toda sorte de crimes pululam nos jornais, rádios e TVs. O chamado, ECA, deu aos “di menor” a licença para matar, tal qual se diz do famoso “Agente 007”. Não temos mais segurança nas ruas, nas escolas, nos shoppings, nos cinemas, nos ônibus e trens, nem mesmo em nossas próprias casas, cheias de grades e de alarmes, isto quando é possível. Nossos dirigentes, nossos políticos e aqueles mais bem aquinhoados pela fortuna transitam com seguranças em carros blindados, enquanto, nas estradas esburacadas e mal cuidadas morrem mais brasileiros que nas ocorrências inicialmente mencionadas. A cada ano mais e mais brasileiros são vítimas do trânsito, dos assassinatos sem causa, das mortes por falta de assistência médica e prevenção, dá tristeza escrever sobre isto. Agora, voltando a um assunto que há tempos não menciono, não sei como estão as coisas no Sahara Ocidental, isto por não ter tido mais notícias já que os jornais estão mais focados nos acontecimentos da Líbia, onde as grandes potências se preocuparam de verdade com os “direitos humanos”... espero que a revolta no Marrocos dê ao povo saharaui um pouco mais de liberdade...

SERÁ QUE NOSSA POLÍTICA EXTERNA MUDOU? - MARIA LÚCIA VICTOR BARBOSA

SERÁ QUE NOSSA POLÍTICA EXTERNA MUDOU? Maria Lucia Victor Barbosa 27/03/2011 Em 24 de março, a representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU votou a favor da proposta dos Estados Unidos e Europa que determina o envio de um relator independente ao Irã para investigar a situação dos direitos humanos naquele país, coisa que Ahmadinejad já avisou que não aceita. Surpreendida, a diplomacia iraniana sentiu-se traída e afirmou que o Brasil voltava a se comportar como “país pequeno”, “curvando-se aos Estados Unidos”. Outros países islâmicos também atacaram a posição brasileira. Na verdade, o Irã esperava a continuidade da politica do governo anterior que poupou o regime iraniano de censura em fóruns internacionais, além de apoiar direta ou indiretamente através de abstenções, os piores ditadores mundiais que jamais souberam o significado de direitos humanos. Foram oito anos de uma política externa vergonhosa e repugnante, na qual não faltaram erros crassos e patacoadas como no caso de Honduras cujo governo o Brasil não reconhece até hoje. Em 2008 começaram a se estreitar ainda mais os laços do Brasil com o Irã e o então chanceler, Celso Amorim, foi à Teerã acompanhado de 30 empresários. “Negócios são negócios” disse o pragmático Amorim e desrespeito total aos direitos humanos existe em toda parte, como afirmou o chanceler de fato, Marco Aurélio Garcia, quando acompanhou o ex-presidente Lula à Cuba. Na ocasião Lula comparou os dissidentes cubanos que faziam greve de fome a criminosos comuns enquanto o corpo martirizado de um deles, Orlando Zapata Tamayo, esfriava no caixão. Em 2009 Mahmoud Ahmadinejad foi convidado a vir ao Brasil. Não veio e houve forte oposição a sua vinda por grupos por ele discriminados como judeus, perseguidos como mulheres e homossexuais. As esquerdas não se manifestaram em que pese terem ressuscitado o ultrapassado “fora ianque” na forma de “fora Obama”, quando da recente visita do presidente norte-americano ao Brasil. Naquele mesmo ano Ahmadinejad se elegeu com fortes indícios de fraude. O ex-presidente Lula qualificou os protestos que se seguiram e o massacre feitos por Ahmadinejad aos opositores como “choro de perdedores” e “briga de vascaínos e flamenguistas”. Mais um vexame internacional. 2010. Além da missão econômica que em abril partiu rumo ao Irã, em maio Lula seguiu para lá como o primeiro presidente a visitar aquelas terras. Ele fez mais: uniu-se à Turquia para mediar um acordo internacional para que Teerã aceitasse discutir seu programa nuclear, coisa que já tinha sido tentada em vão pelos Estados Unidos. A proposta, como era de se esperar, foi rejeitada pela ONU, o que deixou o Brasil e a Turquia falando sozinhos. No caso de iraniana Sakineh, condenada à morte por apedrejamento, primeiro Lula disse que não se intrometia nas leis de outros países. Depois mudou de ideia e resolveu colaborar com o companheiro Ahmadinejad: “se a mulher está incomodando, mande-a para cá”. Entretanto, na ONU o Brasil se recusou a apoiar a resolução que condenava o apedrejamento, alegando que se t rata de “questão cultural”. Desse modo, é compreensível a fúria do governo iraniano diante do voto brasileiro a favor da ida do relator. Por outro lado, bastou tal voto para que grandes saudações, vivas e cumprimentos nacionais e internacionais fossem dados euforicamente a presidente ou presidenta, governante ou governanta, Dilma Rousseff. Está sendo dito que ela mudou o rumo da política externa brasileira, que se distanciou do seu padrinho político, que o Brasil agora tem princípios. Mas será que mudou mesmo alguma ou apenas mudou a estratégia para obter o obsessivamente desejado Assento no Conselho de Segurança da ONU? Note-se que o Brasil, que votou a favor da fiscalização no Irã, absteve-se de votar quando a Rússia, apoiada pela China e países árabes, propôs subordinar a questão dos direitos humanos aos “valores e tradições locais”. Observe-se também, que no caso do Irã o Itamaraty demonstra que continuará a apoiar seu programa nuclear que, certamente, ao culminar na bomba, tratará de exterminar pacificamente Israel em primeiro lugar. Também Cuba poderá contar com o tradicional apoio brasileiro, enquanto dissidentes “criminosos morrem em greve de fome em nome da liberdade. Nossa diplomacia convive tão bem com o terrorismo que não esboçou nenhuma reação quando cinco pessoas da família Fogel, o pai a mãe, o bebê de três meses e mais dois meninos foram brutalmente assassinados a facadas enquanto dormiam no assentamento de Itamar, na Samaria. Talvez, isso faça parte dos “valores e tradições” do terrorismo e devem ser respeitados. Nessa toada, se algum país resolvesse institucionalizar o canibalismo o Brasil apoiaria, pois é questão cultural. Vamos ver se dessa vez o Brasil conquista seu grandioso sonho: o Assento no Conselho de Segurança da ONU, mas que falta muito para nossa politica externa mudar, isso lá falta. Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga. mlucia@sercomtel.com.br www.maluvibar.blogspot.com

quinta-feira, 17 de março de 2011

USINAS NUCLEARES

Ridícula a explanação de nosso competentíssimo ministro da Ciência e Tecnologia, o novel "doutor" pela Unicamp, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira, ao afirmar que nossas usinas nucleares não oferecem perigo pois não temos nenhuma fronteira de placa tectônica e por assim dizer livres de terremotos e tsunamis. Além de ignorar que os acidentes de Chernobyl e Three Mile Island ocorreram por falhas técnicas, temos ainda o problema do local em que elas foram erigidas, como os nossos índios já chamavam "pedras podres". Como se vê não estamos livres nem de acidentes da natureza nem da humana, já que a meritocracia é sistematicamente ignorada nas nomeações para os cargos que exigem alto conhecimento técnico e científico, vejam a própria nomeação do ministro...