terça-feira, 10 de novembro de 2009

SALADA MISTA - DOCA RAMOS MELLO


A semana que passou foi muito boa, tive até dificuldades em selecionar assuntos dos quais tratar aqui, mas creio que meu esforço será reconhecido porque usei um critério racional na escolha, só vou contar o melhor. Assim, vamos à vaca fria.
Antes de mais nada, a entrevista de Caetano Veloso para Sônia Racy no Estadão. Caê, todo mundo está bege de saber, gosta de falar empolado, nunca diz ‘impraticável’, prefere ‘inexequível’, até nome de show dele carece de tradução simultânea ou a os fãs podem ficar sem rumo. Zii e Zie – que tal, heim? Os novos baianos que ‘causaram’ na década de 60 e agora já são baianos velhos de cabelos brancos sempre primaram por um discurso quase barroco, rococó mesmo, talvez uma vingança deles por conta de o Brasil inteiro comentar que o baiano é sossegado, mole, devagar, preguiçoso, e só gosta de rede e água de coco – fora do coco, desde que alguém tome a providência de abrir esse coco para ele, sabe como é, meu rei, aquela casca duuuura, oxe... Folclore puro, mas uma conversinha singela entre Caê e Gilberto Gil precisa de, no mínimo, uns cinco intérpretes. Juramentados, se possível.
Pois muito bem.
Eis que Caê abriu mão de construções camonianas e discussões socráticas, para ir direto ao ponto dizendo que V. Exa. Metalurgíssima é analfabeto. A-nal-fa-be-to, assim, na lata. Santíssimo Sacramento do altar, a casa caiu! Gente de todos os matizes se pronunciou a respeito, Nelson Motta a favor, um escritor que ninguém conhece meteu a lenha no compositor de Alegria, Alegria, teve quem aplaudisse, quem ficasse injuriado, foi um forfait completo. E Caê lá, na rede, só apreciando a tsunami. Ou não.
Dias antes, a atriz Maitê Proença havia dito, em um programa de tv que “o brasileiro não está preparado para ouvir a verdade”. E não está mesmo. Por isso inventou essa desgraceira do politicamente correto, eufemismos imbecis, metáforas esquisitas, tudo conversa de cerca-lourenço para não abrir o verbo. Porém, trata-se de algo bastante seletivo... Quando Collor de Mello caiu na esparrela que o levou ao impeachement, foi chamado de ladrão, ordinário, sem-vergonha, cafajeste, cheirador, oligarca, embusteiro, o diabo a quatro. Mas, Collor tinha contra ele alguns quesitos que permitiam esses ataques frontais: bem nascido, bonitão, viajado, rico, chique, falava bem, zelite enfim. Então, tudo certo. Agora, apontar qualquer coisa negativa em um “pobre” metalúrgico de nove dedos, filho de mãe que nasceu analfabeta, sertanejo retirante, sindicalista, feio, portador de português de beira de estrada e voz de taquarais rachados, bebedor de 51, ah, pode não, é preconceito...
Pois Caetano mandou ver, ó pai, ó!
Mudando de saco para mala...
Segundo: já ouviu falar de Vladimir Poleto? Não?! Então, fique sabendo que esse bravíssimo brasileiro tinha somente oito anos em 1964, mas isso não o impediu de arregaçar as mangas para lutar contra os inimigos da pátria. Um herói! Foi companheiro de bravura do garotinho Paulo Okamoto, também com oito anos, na trincheira, veja você, dois meninos imberbes e de calças curtas que poderiam estar soltando pipa ou jogando futebol de capotão, eis que esses conscientes brasileirinhos deixaram de viver sua infância risonha e franca para se dedicar ao Brasil, hipi, hipi, urraaaa!!! E como Paulo Okamoto já foi indenizado pelo governo (à nossa custa, à nossa custa, adoramos bancar essa anistia!) por esse sacrifício que ele fez quando ainda nem sabia dizer os nomes dos Estados brasileiros e suas capitais, mas pegou em armas para defender os brasões da nossa terra, Vladimir Poleto também quer seu quinhão. Nada mais justo. Pelo que li esses dias, estavam para julgar o mérito da indenização, mas a gente apóia, apóia, ele merece.
Quem é Poleto atualmente?
Bem... Sabe aquela história dos milhares de dólares que vieram de Cuba para aquecer a eleição de Lula? Era ele o portador da bufunfa e isso até deu uma confusãozinha, sabe como é, tem sempre uma oposição FDP querendo deturpar tudo, mas graças a Deus o antigo herói mirim, pinçado com a mão na massa, digo, nos dólares, se revelou surpreso com o conteúdo do pacote. “Jurava que fosse uísque!”, disse ele candidamente, embasado na fama da terra de Fidel como fabricante de destilados nobres. Poleto afirma ter sido perseguido no período da ditadura militar e há momentos em que chora ao se lembrar que “quase” foi preso naqueles duros tempos de batalha, quando ele e Okamoto eram conhecidos como Dois Filhinhos da Luta, ô dó! Portanto, indenize-se o herói e os invejosos que parem de ficar com picuinha. Espero que logo apareça um cineasta para filmar a saga dos garotos contra a ditadura, título bom já tem...
E para arrematar, yes, queridos, nós temos auxílio-reclusão! Todo preso em regime fechado ou semiaberto tem direito a essa bolsa social, atualmente de R$ 710,08 por filho dependente até os 21 anos, não é uma coisa linda e justa?! Pelo menos Edyleide Vivianne acha. Ela, que tem três filhos com Juca Caveira e outros dois com Renildo Monte de Pó, presos em unidades de segurança máxima, está feliz da vida com seus cinco auxílios, afinal a filharada é tudo “dimenor”. Sem contar que Kenelly Greycy, sua filha mais velha, de 16 anos, além de receber pelo lado do pai, Juca, ainda garfa mais duas boladas porque tem dois filhos com Arnaldinho Morte Certa, o ‘ficante’ dela, também encarcerado. E Anyelle Rayanna, a filha de 14 anos de Edy, já está grávida de Bibinho Corta-Garganta, recentemente preso. Ou seja, mais setecentos mangos vêm aí. Fazendo as contas, mãe e filhas têm um salário mensal excelente, portanto não deixa de ser um negócio bom esse novo GBR - Golpe da Barriga Repaginado.
O Brasil, como sempre, dá mais um show de bola no mundo inteiro, incluindo na potência chinesa, onde, dizem por aí, o governo muquirana cobra da família do executado a bala usada na execução, que mão de vaca... Se há críticas? Claro, já existe quem diga que não demora e os filhos dos presos brasileiros vão receber o Bolsa-Caviar Beluga. Mas é deboche, imagina...
Doca publicou esta crônica em:

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

RECEITA ABRE CONSULTA AO 6º LOTE ....

Receita abre hoje, (9/11), consulta ao 6º Lote Multi-exercício do IRPF (exercícios 2008 e 2009)
A Receita Federal do Brasil libera às 9 horas da próxima segunda-feira (9/11), consulta ao 6º lote de restituições multi-exercício do Imposto de Renda da Pessoa Física (ano calendário 2009 e 2008).

No dia 16 de novembro de 2009 serão creditadas, simultaneamente, as restituições referentes aos exercícios de 2009 e 2008 para um total de 2.138.113 contribuintes, totalizando R$ 2 bilhões de reais.

Para o exercício de 2009, serão creditadas restituições para 2.125.588 contribuintes, totalizando R$ 1.967.796.186,84, acrescidos de 5,39% (Selic de maio a novembro/2009).

Já para o lote residual de 2008, as restituições totalizam R$ 32.203.813,16, com correção de 17,46% (Selic de maio de 2008 a novembro de 2009). Foram contemplados 12.525 contribuintes.

Para saber se terá a restituição liberada nesse lote, o contribuinte poderá acessar a página da Receita na Internet (www.receita.fazenda.gov.br) ou ligar para o Receitafone 146, informando o número do CPF.

Caso o valor não seja creditado, o contribuinte deverá se dirigir ou ligar para uma das agências do Banco do Brasil ou para o ‘BB responde’ 4004-0001 (capitais) ou 0800-729-0001 (demais localidades), para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança em seu nome, em qualquer banco.

A restituição ficará disponível no banco por um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la mediante Formulário Eletrônico (Pedido de Pagamento de Restituição), disponível na página da Receita Federal na Internet.

A consulta ao extrato de processamento da declaração, também, poderá ser feita na Internet (www.receita.fazenda.gov.br).

domingo, 8 de novembro de 2009

A QUEDA DO MURO DE BERLIM


Amanhã, 09/11/2009, vamos comemorar vinte anos da queda do Muro de Berlim. Milhares de alemães foram mortos apenas por tentarem transpo-lo. Assim como os cubanos não podem deixar o paraíso de Fidel Castro, os alemães também não podiam deixar o paraíso comunista da Alemanha oriental. A queda do Muro simbolizou a derrocada do sistema socialista da União Soviética e do leste europeu. Vários fatores contribuíram para a sua queda: os acontecimentos na Polônia, o massacre da Praça Tiananmem, em Pequim, a inação da Rússia e dos Estado Unidos que acabaram por criar um ambiente propício ao acontecimento que marcou o fim de uma época. Esperemos que nunca mais muros sejam erguidos para separar povos. Que aquele que está sendo construído por Israel seja logo derrubado!

CAETANO E LULLA



Em entrevista ao Estadão há alguns dias, o cantor e compositor baiano Caetano Veloso causou a maior polêmica ao dizer: -""Não posso deixar de votar nela (Marina Silva) . É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem." Até declarar sua opção por Marina, tudo bem, o que causou a maior polêmica foi sobre o Lulla: "não sabe falar...". Tudo isto nós já sabíamos deste antes de sua eleição para presidente. Caetano, que o apoiou, como a maioria dos artistas, não sabia. Não é só isto, era um analfabeto que se mostrava todo cheio de "boas intenções", das quais dizem, o inferno está cheio, até que estaria bom se cumprisse tudo que prometeu. O pior foi a desilusão daqueles que "não tiveram medo de ser felizes" como dizia a propaganda do PT à época. O PT era o único dono da ética, para seu líder máximo não existia, nem existe até hoje, alguém capaz de discutir ética com ele. Hoje, depois de varridos para debaixo do tapete todos os escândalos que derrubaram seus principais ministros e colaboradores, dos enriquecimentos absurdos de seus próximos, dos mensalões, dos dólares na cueca e tantas outras canalhices o baiano finalmente acordou! Esperemos que o eleitorado também acorde. O homem está com quase oitenta por cento de popularidade, pelo menos, vamos esperar que desta vez o eleitorado não vá em seu canto de sereia e não transfira toda esta popularidade para a candidata que ele quer impingir ao pais e ao próprio PT.
Foto: Fábio Motta/AE

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

NOVO SENADOR!


Com mais de duzentos processos na Justiça comum e eleitoral de seu estado, a Rondônia, o novo senador Acir Gurgacz (PDT-RO), que entrou no lugar do Expedito Júnior(PSDB-RO), cassado pelo TRE sob acusação de compra de votos, defendeu logo na sua posse a aprovação do projeto que prevê "ficha limpa" para os parlamentares que assumem seus mandato no Congresso. Positivamente, estamos num país onde as palavras não correspondem aos atos e vice-versa. Os políticos, com raríssimas exceções, falam uma coisa e fazem exatamente ao contrário. Como uma pessoa, com duzentos processos nas costas, toma posse e já diz ser favorável à "ficha limpa". O que ele entende por "ficha limpa"? Ou ele não é bom da cabeça?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O ESTADO FORA DA LEI

(Editorial do dia 01/11/09 do Jornal do Comercio - PE)

A conhecida incontinência verbal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode se apresentar, a olhos condescendentes, como a expressão de uma personalidade espontânea, que não possui, como se diz, "papas na língua". No entanto, tudo aquilo que o primeiro mandatário da Nação fala e faz reveste-se de grave importância, quando serve como argumento para a imitação dos governados. Ao repetir que o "Pais está travado" e se queixar pela enésima vez da fiscalização exercida legitimamente pelos Tribunais de Contas, pelo Ministério Público, por entidades ambientalistas ou pela imprensa, o presidente da República adota perigoso uso do carisma para jogar o Estado brasileiro contra a legalidade. E enfraquece as instituições, ao invés de buscar seu fortalecimento. Do acordo com o filosofo Roberto Romano, o Brasil pode se encontrar a um passo da "anomia", ou seja, de um ambiente político sem lugar para o respeito à lei. O mau exemplo de um governante e de um partido político que habitualmente passam ao largo de exigências legais - como relatórios de estudos de impactos em seus projetos, por exemplo - e parecem não querer mais descer do palanque, mesmo após quase uma década exercendo o poder, aponta para o sério risco de hipertrofia que caracteriza, neste continente, não a anarquia, mas sim, os regimes totalitários liderados por governantes ungidos pela "vontade popular". A retórica do "País travado" quer atropelar a legalidade para angariar conquistas rapidamente, como se tudo o que a lei representasse fosse uma inconveniente barreira ao desenvolvimento e à justiça social. O presidente Lula esquece ou finge que não vê que aquilo que a vigência lei impede é o império da força - sob cuja proteção todo erro, toda corrupção e todo o crime são torpemente perdoados. A fiscalização do gasto do dinheiro do povo, arrecadado e redistribuído em obras e serviços pelo governo, é atribuição dos órgãos como o TCU - e não o resultado de um complô da oposição para atrapalhar a agenda de inaugurações , reinaugurações, inspeções e fanfarras do PT e seus candidatos a candidatos. A situação se agrava com o ano eleitoral de 2010 à janela. A lógica do crescimento constrangido por instrumentos formais de fiscalização presta-se a disputas tão intensas quando inócuas envolvendo governo e oposição. Se a lei existe, é para ser respeitada; e se não é para ser respeitada, não se necessita da lei. Para o presidente do PPS, Roberto Freire, o presidente da República puxa o cordão dos insatisfeitos: "Lula está querendo saber o limite da lei. Ele não respeita o ordenamento jurídico do País", afirmou Freire. Testar o limite da lei - saber até onde pode ou não pode fazer algo - é um comportamento típico de crianças. Em se tratando do chefe do Executivo, a prática cheira à prepotência, é indigna dos cidadãos que o elegeram, bem como de sua biografia. Exalando sarcasmo e ironia em suas andanças, pantomimas e sermões, o presidente brasileiro não se peja de utilizar metáforas esportivas ou religiosas para transmitir a palavra e atacar adversários. Sem medo de tropeçar no bom senso, seguro sobre o altar da popularidade, o "filho do Brasil" desafia ainda a neutralidade das instituições, ao pior estilo absolutista de Luiz XIV, a quem se atribui frase que é a antítese do regime democrático : "o Estado sou eu". Por maior que se pressuponha o seu papel histórico, Lula consegue encolhe-lo a cada dia, se segue no percurso da insensatez, confrontando a legalidade institucional. Trata-se de uma postura inaceitável que põe em risco, no fim das contas, o ambiente de liberdade política em que se deu sua ascensão. A propósito, um dos esteios da democracia, condição para seu aprimoramento, é a existência de uma imprensa livre e, por conseqüência crítica. Sobre a imprensa, Lula declarou recentemente que seu papel é "informar, e não fiscalizar". A diferença é menos sutil do que aparenta. Lamentável é que uma afirmação como essa se afigure coerente com as práticas de um virtual Estado fora da lei, que almeja o reino da autonomia sem precisar prestar contas para ninguém.

SANTINHO E MEIO - DOCA RAMOS MELLO


Delúbio Soares, o Real Boca de Siri do PT, completou recentemente 54 anos com um churrasco para 400 pessoas em sua fazenda. Naturalmente, tudo foi feito com doações, imagino que muita gente tenha interesse quase vital em sacrificar umas vaquinhas aqui e ali, fornecer a lenha, acender a churrasqueira, servir, cantar os parabéns, oferecer o bolo, as velas... A troco de o aniversariante continuar a manter trancados os lábios que escondem bem mais que simples diastema sob um bigode agrisalhado... Deus não permita que um dia ele pare de fazer esse papel de cordeiro manso e sempre apaixonado pela estrela que ajudou a enriquecer, digo, a crescer, para glória e paz de muita gente dita boa que, do contrário poderia se ver na iminência de ter de ajeitar aí um assaltinho seguido de morte, como fizeram com o prefeito lá do ABC, etc., etc.
Por falar nisso, um dos irmãos de Celso Daniel, o Bruno, asilou-se com malas e esposa na França, mas não para salvar suas peles da sanha petista, como disseram as línguas viperinas desta terra, que isso, gente, como vocês podem pensar uma coisa dessas?! Sim, houve um rolo de arrecadação ilícita, cobrança de propina, sei lá, mas como assegurou o ZéDirceu, “o PT não rouba nem deixa roubar”, ô qual, tirem essa ideia macabra da cabeça!A verdade é que Bruno Daniel sempre teve uma queda para distribuir a família pelo mundo (mandou os filhos para os Estados Unidos, se não me falha a memória) e foi curtir o cancã parisiense com a esposa japonesa, sãos dois boêmios internacionais, é isso! Quanto ao fato de o governo francês ter-lhes dado asilo político, atitude que toma com conhecido critério parcimonioso, não foi por ter entendido que corria o casal risco de empacotar mais cedo aqui nos domínios dos Silva, não, não. Isso aconteceu mesmo porque os franceses têm muita afinidade com o Brasil, ainda mais agora que a primeira dama Carla Bruni gosta de cantar bossa-nova...
Mas, eu dizia da festa de Delúbio, o Garganta Profunda do PT...
Foi um churrascão! Eu nem sabia que ele possuía uma fazenda, ainda mais que o coitado é professor e professor, mesmo aqui no Estado mais progressista da federação, mal pode comprar uma bicicleta enferrujada, por conta do salário de merreca que recebe na escola... Mas, Delúbio, o Essa Boca é Minha do PT, é professor em Goiás e vai ver Goiás já está pagando uns 550 reais a aula, mais auxílio-fazenda, mais bolsa-rês, mais cartão corporativo do mestre, mais auxílio-moradia (como o do Sarney), mais bolsa-carro blindado, mais verba indenizatória, de sorte que talvez isso tudo o tenha levado a adquirir alguns palmos de terra, não nos deixemos, nós, professores miseráveis de São Paulo, levar pela inveja.
Ah, e como Delúbio, o Em Boca Fechada Não Entra Mosca do PT, é um cara de sorte, o MST até hoje não descobriu que ele tem a tal fazenda, ufa! Imagine o infeliz ex-tesoureiro, com a dificuldade que tem para falar, tendo de gritar por socorro enquanto as máquinas lhe destroem os pastos, as árvores, as vacas, a casa, tudo!
No tal churrasco, Delúbio, o Come Quieto e Não Espalha Farinha do PT, distribuiu cópia de seu artigo publicado no jornal do qual é colaborador (te mete!!!!), explicando ter desistido de ser candidato a deputado por outra sigla – ele é muito fiel e bondoso e por isso mesmo foi expulso do PT, pobrezinho! – porque não seria “verdadeiro”. Que coisa mais linda, que meigo! Na essência, Delúbio, o Boca Engole Seco do PT, se diz petista até debaixo da expulsão e mesmo depois de renegadíssimo, PQP, vai ser fiel assim no raio que o parta! Fosse marido traído como uns e outros colegas seus de partido e exibiria os chifres em praça pública com orgulho redobrado, o sol iluminando-lhe o rosto cheio de regozijo, a lua a pratear-lhe a anuência, o olhar lavado de emoção, peito aberto em chamas de alegria – eu mereço, eu mereço, bate que eu mereço e gosto e amo e me apaixono cada vez mais!
Entretanto... Como diz na canção a ex-mangueirense da gema, Beth Carvalho, “porém, ai, porém”...
Durante a festança regada a cerveja a R$ 2,00 a latinha, Delúbio, o Boca de Sepultura do PT, conclamou os presentes a ‘reeleger o projeto de Lula para 2010’, falou das Olimpíadas, da Copa do Mundo, badalou a chefia fazendo o eterno fiel. Ferinamente, porém, cuidou de sibilar entre dentes, qual cobra rasteira e ardilosa, sutil recado enviado direto e reto a quem de direito: “Ai de mim, com todas as reviravoltas da vida, se não tivesse coerência, disciplina e lealdade; em casa, na vida, com os companheiros”. Para bom entendedor, um risco é Francisco. A conta do churrasco e da linha que lhe costura com métrica a Boca Mais Indevassável do PT desde o episódio do mensalão, com certeza pinga com regularidade na cabeceira da mesa. E como sabe o que é bom p’ra tosse, Delúbio, o Boca-Rica do PT, curva-se com discrição para fingir não ver o garçom cobrar a fatura.
No fundo, o que choca mesmo não são as mensagens subliminares desse funesto ex-tesoureiro endereçadas a seus senhorios e locatários de seu silêncio em troca de sobrevivência boa, farta e dadivosa. Nem a presença de 400 adoradores do ilícito no rega-bofes. O que mais choca é saber que partidos outros que não aquele ao qual ele vende sua consciência estejam abertos para que Delúbio, o Minha Boca é um Túmulo do PT, leve para outras siglas seu prestimoso serviço, seu know-how de ratazana. Mas, ele refuga o convite e agradece contrito e humilde, não porque não ‘seria verdadeiro’, mas provavelmente porque o cobertor que o agasalha mantém quentinha sua cama de gato escaldado que conhece bem a água fria petista capaz de endurecer de vez um “companhêro”. Assim, mantém a fleuma sob o dúbio abrigo da estrela que lhe ilumina a fazenda...
Doca publicou esta crônica em: